Cultura do carro

"Carro de presidente", Ford Galaxie chega aos 50 anos; veja

Rodrigo Mora*

Colaboração para o UOL

16/02/2017 08h00

Em 1967, gigante de 5,33 metros trouxe luxo a carros familiares

Em 16 de fevereiro de 1967, o primeiro Galaxie era produzido nas instalações da Ford no bairro paulistano do Ipiranga. Naquela data, que também caiu numa quinta-feira, o sedã de 5,33 metros de comprimento e 2 metros de largura passava a oferecer aos brasileiros novos padrões de conforto, luxo e status.

Naqueles tempos de ditadura militar, Cruzeiro Novo e auge dos festivais de música popular brasileira, a incipiente indústria automotiva nacional (então com pouco mais de dez anos) quase sempre recorria a projetos internacionais, que eram adaptados ou simplesmente replicados. Foi assim com os alemães Volkswagen Fusca e DKW Belcar, com o italiano Romi-Isetta e o francês Renault Gordini, por exemplo. Exceções eram as criações nacionais praticamente artesanais, como Puma ou o Brasinca 4200 GT. 

Lançado em 1958 nos EUA, o Galaxie gringo durou até 1974. O daqui era inspirado no modelo norte-americano revelado em 1965 e apareceu pela primeira vez em 26 de novembro de 1966, na 5ª edição do Salão do Automóvel, sediada ainda no parque do Ibirapuera. Usando um termo da época, foi "a coqueluche do evento".

Galaxie, LTD, Landau...

Coube ao Galaxie 500 inaugurar a nova linha da Ford no mercado nacional. Equipado com motor 4.5 V8 (164 cv e 33,4 kgfm de torque, acoplado a um câmbio manual de três marchas), era ofertado em oito cores sólidas. O enorme interior, praticamente todo forrado em tecido, também poderia ser colorido em azul, bege, preto e vermelho. Opcionalmente, havia calotas que cobriam toda superfície das rodas, além de direção hidráulica.

No total, o comprador tinha 60 combinações para montar seu Galaxie 500. E você achando que personalização era coisa dos tempos atuais...

O ar-condicionado viria apenas em 1968, ano que o sedã também ganhou a luxuosa versão LTD, equipada com um 4.8 V8, de 190 cv. A incoerência de um carro tão luxuoso não ter câmbio automático foi corrigida no ano seguinte, com a transmissão Ford-O-Matic.

Sem concorrentes diretos, o Galaxie começou a pagar o preço de tamanha opulência com as estreias do Chevrolet Opala, em 1968, e do Dodge Dart, em 1969 – ambos mais econômicos, baratos e não muito distantes no quesito luxo.

Depois do LTD e do Galaxie 500, surgiria o LTD Landau, em 1971. Por muito tempo, foi o carro destinado aos presidentes da República -- o exemplar de Juscelino Kubitschek (presidente de 1956 a 1961), por exemplo, é relíquia conhecida do memorial em Brasília.

Reprodução
Galaxie LTD que pertenceu ao presidente Juscelino Kubitschek e agora está em memorial, em Brasília Imagem: Reprodução

Auge, crepúsculo e lugar na história

No dia 14 de janeiro de 1983, porém, veio o fim: a Ford comunicava seus concessionários sobre o encerramento da produção de seu modelo topo de linha.

"Apesar da progressiva tendência do mercado por carros modernos e de baixo consumo de combustível, a Ford manteve o Landau a níveis economicamente incompatíveis de produção por largo período. Essa situação, porém, chegou a um ponto insustentável em face da definitiva retração do mercado, obrigando-nos à decisão de descontinuá-lo ainda este mês", dizia o memorando.

Após 16 anos de mercado e 78 mil unidades produzidas, a linha Galaxie chegava ao fim em 2 de fevereiro daquele ano.

Da grandeza do que o Galaxie significou para a indústria nacional, surgiram admiradores, grandes protagonistas do desafio que é manter sua história viva e personagens emblemáticos. Um deles é Arno Henrique Berwanger (1927-1997), conhecido como "Rei do Galaxie", empresário gaúcho que montou o Museu do Galaxie, em 1988. Tinha 22 modelos reunidos, e um Landau 1983 com 10 km rodados como joia principal.

Outro personagem que dedicou parte de sua vida ao Galaxie é Dino Dragone, co-autor do livro "Clássicos do Brasil: Galaxie", referência editorial sobre o modelo.

Preço de sedã novo 

Para quem quer entrar no rol de colecionadores, um Galaxie em bom estado pode chegar a R$ 85 mil, dependendo do modelo, segundo proprietários e restauradores. Não é raro, contudo, encontrar ofertas que ultrapassem os R$ 100 mil, caso dos modelos mais antigos e com baixa quilometragem.

Quem tiver tempo e disposição, pode arrematar um por cerca de R$ 30 mil e partir para a restauração -- no fim, o custo será aproximadamente o mesmo.

São valores similares aos de novos sedãs médios -- mas estamos falando de um sedã grande à moda antiga, com muito conforto e bastante história embarcados. 

* Jornalista especializado, tem passagem por Programa Auto+, G1, Folha de S. Paulo, iG Carros e mantém paixão por carros antigos e o Instagram: @moranoscarros

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