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Trump promete menos impostos e restrições a GM, Ford e Fiat-Chrysler

Pablo Martinez Monsivais/AP
Trump, Mary Barra (GM) e Sergio Marchionne (FCA) se encontram na Casa Branca Imagem: Pablo Martinez Monsivais/AP

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Detroit (EUA) e São Paulo (SP)

Menor taxação e mais liberdade para poluir são atrativos para marcas trocarem investimento no México por mais empregos nos EUA

Donald Trump parece disposto a agir rapidamente para cumprir a promessa eleitoral (que muitos achavam não passar de blefe) de garantir mais empregos dentro dos Estados Unidos, em detrimento de vagas no México -- atualmente, os países são parceiros comerciais. Na manhã desta terça-feira (24), o novo presidente dos Estados Unidos chamou os líderes das três grandes fabricantes de carros locais -- General Motors, Ford e Fiat-Chrysler -- para reforçar a ideia de que essas marcas precisam priorizar a produção local.

Menos de dois dias após o término do Salão de Detroit, que deu sinais de pressentir a mão pesada de Trump, Mary Barra (da GM), Mark Fields (da Ford) e Sergio Marchionne (da FCA) foram à Casa Branca e ouviram, literalmente, que terão incentivos para construírem mais carros em fabricados dentro do território dos EUA. Por outro lado, poderão sofrer sanções caso optem por linhas de produção no México.

"Temos [planejado] grandes incentivos para termos novas fábricas de carros, além de muitas outras fábricas", afirmou Trump aos executivos e à imprensa, segundo a agência Bloomberg. "Isso já é uma realidade".

No Twitter, ferramenta de comunicação de ideias preferida do novo presidente, a bomba foi mais carregada: "Quero que novas fábricas sejam construídas aqui para carros que serão vendidos aqui".

Durante o Salão de Detroit, antes mesmo da posse, Trump já havia dito a congressistas e à imprensa que iria estabelecer taxações a carros feitos no México e importados pelos EUA -- atualmente, não há qualquer taxação para estes veículos.

Marcas como Toyota se antecipam a Trump

Toma lá, dá ca

Claro, decidir construir uma nova linha de produção nos EUA (país com custo maior de produção e de mão-de-obra) e desativar no México (onde os custos são menores) não sairia barato para as fabricantes.

Da mesma forma, GM, Ford e FCA dependem de sedãs e SUVs menores, com motores e emissões menores (que são feitos em mercados latino-americanos e em outros países) para equilibrar suas metas de emissão de poluentes, uma das bandeiras levantadas pela gestão de Barack Obama.

O que fazer? Que tal não ter mais barreiras sanitárias? Que tal pagar menos impostos para balancear os custos? 

Estas são alternativas propostas por Trump na reunião com os executivos, apontam Bloomberg e Reuters. As marcas, claro, toparam pensar nessa linha e devem enviar propostas à Casa Branca em breve.

"Ele procura ouvir as ideias dos fabricantes, sobre como podemos trabalhar conjuntamente para retomar empregos nesta indústria em particular", afirmou o secretário de Comunicação e porta-voz do governo americano Sean Spicer. 

Segundo a comunicação da Ford, o presidente-executivo da marca, Mark Fields, teria proposto uma discussão sobre reforma de impostos pagos por empresas, bem como uma mudança nos objetivos de regulações para "esclarecer pontos" que tratam tanto de emissão de poluentes, quanto de requisitos de segurança dos carros e investimento estrangeiro em empresas localizadas nos EUA. Proposta semelhante já havia sido feita pela FCA em documento enviado à Casa Branca.

A resposta de Trump foi imediata: "Acho que podemos cortar as atuais metas em 75%, talvez mais", afirmou o presidente em resposta ao chefe da Ford. "Quando você quer expandir sua fábrica ou quando Mark [Fields] traz planos para construir uma fábrica enorme, ou mesmo a Dell [empresa de informática] com uma ideia monstruosa e especial, você precisa tratar de aprovar as coisas muito rápido".

Entrando na dança

Mesmo antes da posse, algumas marcas já se movimentavam no sentido de agradar o novo presidente -- e receber benefícios em troca. Como UOL Carros noticiou, a Ford foi a primeira a interromper investimentos já em andamento no México, seguida pela FCA, que informou transferência de linhas de produtos. Cerca de US$ 1,6 bilhão que iriam para linhas no México foram congelados, enquanto US% 700 milhões serão investidos no Michigan (Estado onde está Detroit). Ainda assim, Focus e Fusion seguirão sendo feitos no México -- o sedã maior, aliás, é importado de lá pelo Brasil.

A General Motors divulgou plano de investimento de US$ 1 bilhão para criar 1.000 empregos nos EUA.

A FCA tem sete fábricas no México para diversas de suas marcas, mas anunciou plano de US$ 1 bilhão para reforçar linhas também em Michigan. Anteriormente, havia anunciado outro US$ 1 bilhão para fazer a nova picape da Jeep (que deve ser uma variante da atual linha Wrangler) no México. Volkswagen também planeja reforçar a produção de modelos maiores (como o novo Atlas) nos EUA, ainda que outros modelos (o novo Tiguan) venham do México.

Nissan, que não é americana, mas tem seu maior parque industrial instalado no país (em Tennessee), disse que irá aguardar ações, além de palavras fortes e protecionistas, do presidente Trump antes de tomar qualquer medida. Foi o que o presidente-executivo e homem-forte da marca, Carlos Ghosn, afirmou a UOL Carros, durante entrevista há duas semanas. 

"Não aos beberrões"

As atuais metas ambientais para a indústria foram estabelecidas por Obama em 2011, na última grande reunião de executivos com a presidência, logo após os acordos que salvaram GM e Chrysler da falência. O conjunto de metas foi apelidado de "caça aos carros beberrões" (que têm até uma expressão em inglês: "gas guzzlers").

"Não compre carros beberrões, porque os impostos sobre eles vão aumentar, o custo vai subir e depois vocês não poderão reclamar comigo", Obama chegou a afirmar à época.

A contrapartida ambiental foi um dos pontos que garantiram a ajuda financeira da Casa Branca às empresas de Detroit. Os novos carros deveriam ter -- na média -- meta de consumo muito melhor que os 9 km/l de gasolina do padrão da época, chegando a 15 km/l em cinco anos e dobrando aquele patamar até 2025. Essa é uma das metas que pode ser invalidada agora, caso Trump prossiga com o plano proposto.

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