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Seguro Popular é para carro com mais de 5 anos; novo pode perder garantia

Gabo Morales/Folhapress - 21-3-2012
Imagem: Gabo Morales/Folhapress - 21-3-2012

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL

02/12/2016 14h03

Serviço finalmente sai do papel e pode reduzir valor em 40%

O chamado Seguro Auto Popular quase virou "novela", mas finalmente tem um desfecho -- ou um começo, falando melhor: com apólices de 20% a 40% mais em conta, a modalidade se vale do uso de peças seminovas e genéricas para atrair donos de veículos com mais de cinco anos, público que não costuma proteger o carro com apólices comuns. 

Para os donos de carro zero, o seguro popular não é interessante, pois o uso de peças usadas e similares compromete e pode inutilizar a garantia.

"A regulamentação do seguro popular não limita o tipo de segurado, mas as seguradoras vão oferecer para veículos com mais de cinco anos, quando todos os componentes do carro perderam a garantia", afirma João Francisco Borges da Costa, presidente da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

A diferença básica está justamente nos reparos: em vez de peças originais patenteadas pela fabricante, o seguro popular pode usar componentes seminovos, recuperados de outros carros sinistrados. "São peças de veículos segurados, provenientes de sinistros em que a empresa indeniza totalmente o cliente e fica com o bem recuperado", aponta Sérgio Barros, diretor de Produtos de Automóvel do Grupo BB Mapfre.

Confira o que saber na hora de contratar:

1. Quem pode e quem não pode?

Tecnicamente, qualquer automóvel pode ser coberto pelo Seguro Auto Popular, mas o produto é voltado para automóveis com mais de cinco anos de uso. Para quem tem carro mais antigo e desvalorizado, o custo/benefício da apólice é mais atraente, já que diminui a proporcionalidade de gasto com seguro em relação ao valor do veículo.

A expectativa da entidade é que o novo produto atraia 1,7 milhão de novos clientes, 10% da frota segurada, hoje, no país.

O uso de peças similares e seminovas compromete a garantia de fábrica dos carros, que variam entre três, cinco (marcas sul-coreanas) e seis anos (JAC).

Carplace
Carro é novo? Use o seguro padrão para não perder a garantia em caso de reparo Imagem: Carplace

2. O que cobre?

Na hora de contratar, o cliente deve ter atenção ao que está escrito na apólice como na contratação de qualquer outro seguro. Fique atento ao que a cobertura inclui, assim como serviços oferecidos -- reboque, carro reserva etc. 

"Em termos de coberturas, o Seguro Auto Popular é igual ao convencional. O fato de poder usar peças certificadas usadas ou novas compatíveis é que possibilita baratear o custo do reparo", explica Costa da FenSeg.  "Com isso, as companhias atenderão a um segmento que antes não comprava seguro”.

Além disso, se você é daqueles que têm apego ao seu mecânico, fique atento porque a maioria dos seguros populares implica em oficinas credenciadas e referenciadas pela companhia.

Divulgação
Desmanche legal fornece peças usadas para o reparo, reduzindo custo do seguro Imagem: Divulgação

3. Quanto é?

Os preços das apólices devem ficar entre 20% e 40% mais em conta, em relação ao seguro comum.

 

4. Como é o serviço?

O contrato deve deixar claro que os reparos, em caso de sinistros de colisão, serão feitos com peças usadas ou similares. A norma da Susep diz que "a seguradora somente poderá utilizar peças de reposição não originais após autorização específica do segurado no momento da contratação".

O uso de peças seminovas, apesar delas terem de estar em bom estado e de não incluir componentes de segurança, dificulta a escolha da oficina de sua preferência -- as seguradoras usam oficinas credenciadas e referenciadas para o serviço.

Fique atento como se estivesse contratando o seguro convencional. O corretor tem que deixar bem claro o que a apólice cobre, quais serviços são oferecidos e que o contrato prevê a utilização de peças similares ou seminovas.

Leonardo Felix/UOL
Itens como freios e airbag (foto) não podem ser reutilizados no reparo Imagem: Leonardo Felix/UOL

5. Reparo: peça genérica não pode ser de segurança

Além das peças seminovas, o novo seguro permite a utilização de "equipamentos genéricos", peças desenvolvidas por fornecedores independentes para o mercado de reparação veicular. "É um mercado que já existe hoje. São peças que não são as fornecidas para as montadoras, mas não são componentes de segurança, e sim itens como faróis, para-choques, lanternas e para-lamas", diz o diretor-executivo da Tokio Marine, Marcelo Goldman.

Foi justamente a questão dos componentes similares que provocou a demora no lançamento do Seguro Auto Popular. Desde março o setor aguardava a regulamentação do novo produto, mas só em outubro a Susep (Superintendência de Seguros Privados) permitiu o uso de "peças de reposição novas que apresentem as mesmas especificações técnicas do fabricante".

Especialistas dizem que sem elas haveria um gargalo. Dados do setor apontam que para cada 10 sinistros parciais, só há um sinistro de perda total -- aquele onde a companhia pode recuperar as peças e usá-las. "Jamais seria capaz de suprir a demanda. O uso da peça usada, ainda que relevante, não seria, nem de perto, suficiente", afirma Barros, do BB Mapfre.

Pela regra, porém, componentes dos sistema de freios, de suspensão e estabilidade, de airbags, dos cintos de segurança, bem como vidros (onde existem as gravações dos números de chassis) não podem ser usados no mercado de reposição. Esses itens, mesmo que em bom estado no carro sinistrado, precisam ser destruídos ou reciclados. 

6. Quem já atende?

O fim do imbróglio abriu as portas para as seguradoras caírem em cima de um segmento que não comprava seguros. Algumas companhias já lançaram seus produtos, de olho no automóvel com mais de cinco anos, cujo custo da apólice convencional não compensava, devido valor depreciado do veículo.

A SulAmérica lançou o "Auto Compacto", destinado a veículos com até sete anos de uso e avaliados em até R$ 70 mil -- apólices são até 40% mais em conta. A Azul tem o "Auto Leve", válido para automóveis a partir de três anos de fabricação e valor de cobertura de até R$ 60 mil.

A Porto Seguro, também em parceria com a Azul, prometeu para dezembro um novo programa para proprietários de veículos com cinco anos de uso ou mais, com valor até 30% mais em conta. Companhias como Tokio Marine e BB Mapfre ainda preparam novos produtos para este segmento.

"Em termos de coberturas, o Seguro Auto Popular é igual ao convencional. O fato de poder usar peças certificadas usadas ou novas compatíveis é que possibilita baratear o custo do reparo", explica Costa. "Com isso, as companhias conseguem atender a um segmento que antes não comprava seguro”.

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