Carros

Onix Activ e HB20X fazem duelo dos aventureiros pop; quem leva?

André Deliberato
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/08/2016 16h31

A linha 2017 do best seller Onix chegou com duas grande novidades. A primeira foi a reestilização, que alinhou o hatch ao atual padrão visual da GM global. O segundo foi a inclusão de uma inédita versão "aventureira" na gama, a Activ -- cujo nome deriva da também "cross" Spin Activ.

Seu papel será importante: bancar cerca de 8% do volume de vendas do compacto e garantir que o Onix continue a ser líder geral em vendas de automóveis no Brasil. Nesse aspecto a maior ameaça é o Hyundai HB20, que já dispõe de uma derivação emperiquitada desde 2013: o HB20X.

Ambas são configurações de topo da gama, e UOL Carros os coloca frente a frente. "Completaços" -- os pacotes incluem transmissão automática e todos os itens de série disponíveis nas respectivas linhas -- os aventureiros mais populares do país fazem um duelo em primeira mão. Chegou a hora de ver quem é o melhor.

Etiquetas chegam a assustar, nos dois casos. O Onix Activ, munido de motor 1.4 SPE/4 flex e câmbio automático de seis marchas, sai por R$ 62.290. Com o acréscimo da pintura metálica laranja Burning, exclusiva da versão e presente na unidade avaliada, salta a R$ 63.840

Já o HB20X 1.6 Gamma, também bicombustível, custa R$ 69.445 no pacote "Premium com BlueMedia e banco de couro". O exemplar testado tinha a cor branca Polar, grátis, mas a conta chega a R$ 70.545 se o comprador optar pelo metálico. 

Murilo Góes/UOL
É bem verdade que a versão "cross" quase consegue estragar o charme do HB20, mas ainda assim o modelo da Hyundai é mais bonito que o da GM Imagem: Murilo Góes/UOL

Vantagens do HB20X

Rivais colocados lado a lado, fica claro que o HB20X é um projeto mais acertado em vários aspectos. Começa pelo visual, valendo-se dos traços bem mais harmoniosos do hatch da Hyundai. Tudo bem que os apliques plásticos e as excessivamente chamativas lanternas de neblina tiram parte da elegância do modelo, mas a dianteira com grade dividida em duas camadas foi uma grande sacada para deixar a versão cross bonita -- pelo menos quando visto de frente.

O Onix está mais belo, é verdade... Mas esse efeito só é sentido de fato nas versões civis. O Activ conta com exageradas invasões de protetores plásticos, em especial nos para-choques, perdendo um pouco da harmonia obtida nas demais configurações.

Murilo Góes/UOL
HB20X ganhou traços exclusivos para a grade, único elemento estético que o salva em relação à demais versões Imagem: Murilo Góes/UOL
Interior também rende ponto para os sul-coreanos. O acabamento em couro marrom dá muito mais sensação de refinamento e a qualidade dos revestimentos, mesmo em plástico duro, é superior. Encaixes das peças são praticamente perfeitos, enquanto os do Onix possuem pequenas falhas de alinhamento. Este último ficou extravagante demais ao usar faixas laranjas em painel, guarnição das portas e bancos, sem no entanto conseguir esconder a simplicidade de revestimentos e tecidos.

Posição de dirigir do HB20X também é superior: o ponto H está adequado ao porte do modelo e os bancos proporcionam melhor apoio lateral. No rival da GM a altura dos assentos dianteiros ficou exageradamente alta, numa estranha tentativa de aumentar a sensação de altura do motorista. Resultado: o volante fica baixo demais e o espaço para cabeça acaba prejudicado.

Em desempenho do trem-de-força, nova vitória para a Hyundai: o propulsor Gamma 4-cilindros bicombustível, de 122/128 cv e 16/16,5 kgfm (gasolina/etanol), é o mais forte entre as opções até 1,6 litro naturalmente aspiradas de nosso mercado. Por conta disso o HB20X fica bastante esperto na hora de arrancar ou andar um pouco mais forte na estrada.

A transmissão automática de seis marchas fornecida pela Aisin também está mais bem calibrada que a da Chevrolet: oferece trocas espertas e sem atrasos exagerados, e ainda dá a opção de gerenciamento manual por meio de toques na própria alavanca (para frente as marchas sobem; para trás, descem). Esta solução é muito melhor do que os pouco ergonômicos botões posicionados na lateral do pomo do Onix.

Por fim, certos itens de série do HB20X só são vistos em segmentos superiores: sensor de luminosidade para acionamento automático dos faróis, luz diurna em LED (o guia do Onix é uma mera luz de posição) e rebatimento elétrico dos retrovisores externos são alguns exemplos. Volume do porta-malas também é maior: 300 contra 280 litros. 

Murilo Góes/UOL
Ao legítimo estilo coreano, acabamento do HB20X é bem mais refinado Imagem: Murilo Góes/UOL

Vantagens do Onix Activ

A primeira diferença pró-Onix está no preço, um ganho de quase R$ 7 mil. A GM pode ainda se gabar de ter uma capilaridade maior da rede -- são cerca 600 concessionárias, quase três vezes o número de autorizadas da Hyundai Motors do Brasil (a conta não inclui lojas do grupo Caoa, responsável pelos importados da marca) -- e preços mais atrativos para peças e manutenção. Revisão com preço fixo do Onix sai por R$ 5.160 até 100.000 quilômetros, contra R$ 5.284 do HB20.

Deficiências em acabamento e ergonomia são compensados pelo ótimo funcionamento da direção elétrica progressiva, mais firme e precisa do que a assistência excessivamente operante do concorrente. Espaço interno, especialmente para as pernas, também é melhor no Onix, muito por conta do entre-eixos 3 cm mais longo (2,53 m versus 2,50 m). Abertura do porta-luvas para cima é bastante bem-vinda, evitando impactos contra os joelhos do passageiro.

Murilo Góes/UOL
Onix Activ fica 3 cm mais alto em relação ao solo do que as demais versões, incluindo pneus de cintura mais larga Imagem: Murilo Góes/UOL
Se o propulsor 1.4 SPE/4 flexível, de 98/106 cv e 13/13,9 kgfm (gasolina/etanol), fica devendo em força, as mudanças feitas pela GM ao menos deixaram a unidade mais econômica. Segundo o Inmetro o hatch faz, na confiuração 1.4 AT, 7,7/8,6 km/l com etanol (cidade/estrada) e 11,2/12,6 km/l com gasolina (cidade/estrada). Os números oficiais do HB20X são: 7,1/8,7 km/l com etanol (cidade/estrada); e 10,1/11,4 km/l com gasolina (cidade/estrada).

O consumo de ambos, na prática, fica aquém dos números oficiais: enquanto o Onix Activ fez 10 km/l em ciclo misto de cidade e estrada usando o combustível derivado do petróleo, o oponente chegou a meros 5,9 km/l abastecido com etanol.

As duas centrais multimídia são parecidas em gráficos e oferta de interatividade, mas o MyLink de segunda geração parece mais intuitivo e simples de mexer. Além disso, a opção de espelhamento somente pelas plataformas oficiais Apple CarPlay e Android Auto é acertada. O MirrorLink, demasiadamente permissivo, pode representar um problema de segurança.

O Onix Activ também acrescenta câmera de ré, algo ausente no HB20X -- embora, convenhamos, os sensores de estacionamento sejam mais que suficientes para ajudar nas manobras de moelos desse porte --, e o sistema OnStar, que inclui serviços de diagnóstico mecânico, segurança (como monitoramento por satélite), chamada de emergência em caso de acidente, concièrge e auxílio à navegação. 

Murilo Góes/UOL
Interior do Onix Activ preza pelo extravagante contraste do preto com o laranja Imagem: Murilo Góes/UOL

Conclusão

Se à equipe de UOL Carros fosse estabelecido um cenário em que só existissem esses dois modelos no mercado, e tivéssemos de comprar um deles, escolheríamos o HB20X. Apesar da diferença de preço e do consumo menos ecológico, ele é "mais carro' e possui menos defeitos que o rival, mecânica e internamente -- fora o fato de ser mais bonito.

O Onix Activ acaba sendo a escolha natural de quem quer pagar um pouco menos e ter em mãos um carro mais econômico. Ou daqueles que se apegam à segurança de ter uma rede de assistência mais ampla. Ou ainda, por que não?, quem prefere a extravagância espartana de seu visual e acabamento. 

Quer ver mais detalhes dos dois modelos? Esbalde-se com as 50 imagens do superálbum exclusivo de UOL Carros.

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