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Conceitos brincam com realidade, e Uno Cabrio é o Fiat mais divertido

Reportagem: Eugênio Augusto Brito e André Deliberato. Imagens: Murilo Góes e Rodrigo Ferreira. Edição: Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Betim (MG) e São Paulo (SP)

08/07/2016 17h58

Em 2010, ano de apresentação da atual geração do Uno, a Fiat mostrou no Salão do Automóvel de São Paulo um show car para fazer o modelo bombar. À época, o Uno Cabrio serviu também para medir a reação do público à então inédita configuração duas-portas do modelo.

Alguns jornalistas puderam guiá-lo, por poucas voltas, no kartódromo de Aldeia da Serra (SP), em 2011. Puderam provar, naquele momento, que conceitos são mais do que meros protótipos...

No caso do Cabrio, não estávamos diante apenas de um acumulado de estilos e equipamentos -- cara de Fiat brasileira, mecânica inspirada nos europeus da Abarth, dinâmica herdada até mesmo dos poderosos Alfa Romeo. Caríssimo, por ser um exemplar único, o Cabio (como qualquer conceito) acaba sendo um laboratório para estudo de hábitos do consumidor, teste de futuros equipamentos e urna virtual, de onde se colhem dados de aprovação diversos.

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Por um lado, o Cabrio foi, à sua época, uma loucura tão divertida que, aos nos encontrarmos novamente com o modelo, agora na fábrica de Betim (MG), durante a gravação desta reportagem, tivemos certeza de que o modelo não envelheceu, segue sendo o carro mais divertido da marca, acima até do Uno Turbo, ícone para quem mistura "Fiat" e "mecânica" na mesma frase.  

Por outro, fica a certeza de que ele não habita apenas uma realidade paralela ao mundo chato real. Infelizmente, nunca foi comercializado. Mas podemos afirmar que a Fiat ultrapassou as três rivais e foi líder de mercado por tantos anos justamente por investir em protótipos assim, desde o começo dos anos 1990.

Criando demandas

Aproveitando uma chance única, UOL Carros conversou com Peter Fassbender, alemão que responde desde os anos 1990 como designer chefe da Fiat. Qual chance foi essa? Ter acesso a um galpão do Centro de Design e Estilo da FCA Latam, em Betim (MG). É um local normalmente vetado a pessoas estranhas à área, por ser habitualmente ocupado por segredos e projetos de carros futuros e ideias que nem sairão do mundo do planejamento, tudo muito bem guardado.

Pudemos perguntar diretamente: como se criam carros no Brasil? De onde surgem as ideias de estilo, de equipamentos, de materiais? O que é um carro-conceito? Segundo Fassbender, há um estilo brasileiro de se fazer carros, mas ele não está alheio ao estilo desenvolvido em outros mercados, claro.

Aventureiros são criações que vingaram fortemente no Brasil, sendo inclusive o tema do primeiro conceito da Fiat, o FCC 1. Mas isso não quer dizer que não encontremos criações com maior altura para o solo, para-choques plásticos e reforços estruturais (falsos ou não) em modelos europeus ou asiáticos, por exemplo?

Fazendo conceitos, a Fiat se tornou uma das únicas grandes fabricantes nacionais por conhecer a fundo o que o consumidor quer. Ou acha que quer. Qual a cor preferida do brasileiro? Se você disse prata, errou: prata é a cor de maior comercialização, mas não a preferida -- UOL Carros dará a resposta correta em breve.

Não chega a ser uma relação direta, mas certamente cada protótipo deixa a Fiat mais próxima de entender os anseios do cliente, do ele pode querer e também o que será rejeitado. É o caso da corrida pela conectividade, realizada no Brasil desde 2015, mas apontada também em 2010 por outro conceito, o Mio. Elétrico e autônomo, ele está longe da realidade, mas já deu soluções para o Mobi, lançado agora em 2016: logotipo maior, tampa do porta-malas de vidro ("não foi algo direto, mas as ideias estavam no ar a partir dali", diz Fassbender) e a noção de que os carros podem ter interface simplificada com smartphones.

Mas e o Uno Cabrio?

O Uno Cabrio foi, simplesmente, o carro mais divertido que a Fiat do Brasil já construiu -- mais que os próprios modelos da linha T-Jet fabricados em série (à época, Punto, Bravo e Linea), que o antigo Marea Turbo e que o Uno Turbo.

O motor (1.4 turbo, 152 cv) era claramente excessivo para o tamanho da carroceria, e isso era o mais divertido. O câmbio, bastante seco e duro, assim como a suspensão. Era como rodar em um kart, mas com bom tamanho e mais "na mão".

A preocupação em torná-lo divertido chegou aos detalhes: foi preciso nivelar o peso dos eixos dianteiro e traseiro -- durante entrevista, um engenheiro da Fiat confirmou que o Cabrio era cerca de 200 kg mais pesado que o Uno normal. Grande parte desse reforço estrutural ficava em na traseira, justamente para que houvesse equilíbrio. A ideia do carro era tão conceitual e improvável, que sequer havia capota, de lona ou rígida.

A única coisa estranha era o sistema de escape "fake" -- que tinha cano de saída comum, como no Uno convencional, embora duas saídas de ar falsas no centro do para-choque passassem a sensação de assumir essa função.

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