Carros

Novo Honda Civic anda como carro premium; preço deve ser problema

André Deliberato

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

18/05/2016 00h01

Com a tendência mundial de carros mais completos e unificados entre os mercados, o antigo dono de sedã começou a trocar modelos médios por premium de entrada, mesmo que menores. Após perder vendas para Audi e Mercedes, a Honda agora quer tirar emplacamentos das alemãs com o novo Civic.

UOL Carros foi até Los Angeles, na Califórnia (EUA), conhecer a décima geração do modelo, que por lá já é chamado de "The Civic", ou "O Civic", em referência ao fato de ser considerado pela imprensa local como o melhor Civic de todos os tempos -- as vendas já superam as de best sellers locais.

O carro chega ao Brasil no segundo semestre, pouco antes do Salão do Automóvel de São Paulo, que começa em novembro, com a mesma proposta.

Será que vai repetir o sucesso?

Civic Premium

Nos Estados Unidos, em apenas quatro meses, o novo Civic bateu o Audi A3 Sedan e se tornou o carro mais vendido do país, superando até mesmo os dois mais vendidos do país, Toyota Camry e Honda Accord -- que lá são considerados carros médios e comprados por consumidores jovens, de 30 a 40 anos (o Civic por lá é, originalmente, carro de "moleque", tendência que começa a mudar aos poucos).

Mudar a proposta, entretanto, gera riscos. O preço alto é o principal deles: o Civic Sedan custa a partir de US$ 18.640 nos EUA, cerca de R$ 65,2 mil em conversão direta, sem impostos ou taxas. Mas a versão Touring, topo de gama e que testamos, sai por iniciais US$ 26.500 (quase R$ 92 mil), podendo chegar a US$ 30 mil se equipada com todos os opcionais (aproximadamente R$ 104 mil).

Apenas para situar, acaba sendo mais cara que Audi A3 Sedan e Mercedes-Benz CLA, nos EUA. Traduzindo: não será um carro barato também no Brasil. Dificilmente, pelo que UOL Carros apurou, a configuração de topo terá preço inferior a de R$ 110 mil. Os rivais alemães partem de R$ 100 mil e orbitam a faixa dos R$ 140 mil em configurações completas.

Outro patamar

A missão do Civic também é (re)conquistar a cartela de clientes que possuem ou já possuíram alguma geração do modelo, sem reduzir as boas vendas do HR-V.

A empresa também não planeja estimar volume: a proposta é oferecer o melhor sedã médio do mercado e acreditar que o público enxergará a superioridade do carro. Resta saber se isso funcionará num mercado conservador como o nosso -- e com oferta de crédito ainda restrita.

Tudo novo

Começando pelo desenho, tudo é novo no Civic Touring, representante avaliado da décima geração. A frente se assemelha à do novo Accord, principalmente por causa dos faróis full-LED que "se ligam" por meio de uma enorme barra cromada que atravessa toda a grade frontal.

Os para-choques são bojudos e esportivos.

A silhueta evolui consideravelmente se comparada à do atual. O caimento do terceiro volume na traseira, antes mais conservador, agora dá lugar a um estilo notchback, esportivo e moderno. Essa ousadia de carroceria, aliás, justifica o nome Touring, que pra muitos pode remeter até mesmo a station wagons.

O novo Civic tem 4,63 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,41 m de altura e 2,70 m de entre-eixos -- o atual tem 4,53 m, 1,76 m, 1,45 m e 2,67 m.

Basta olhar os números para perceber que o carro está maior, mais largo e mais espaçoso, apesar de mais baixo. A Honda reposicionou os bancos e conseguiu mais espaço, principalmente para as pernas. E ainda deu para nivelar o porta-malas ao dos rivais: são 530 litros, contra 449 l do anterior.

Interior refinado

Por dentro a evolução também é grande: o painel em dois andares some e dá lugar a uma tela em TFT no quadro de instrumentos -- herança do atual Civic Type R.

O console central ganha molde ao estilo HR-V, dividido em duas partes (na parte de baixo a Honda posicionou as entradas USB, auxiliar e HDMI). O painel traz uma tela tátil colorida de sete polegadas fácil de mexer e intuitiva, mas que fica bem próxima aos comandos do ar-condicionado, criando certa confusão -- é comum usar o botão giratório que aumenta e diminui a temperatura na expectativa de alterar o volume do sistema de áudio, por exemplo.

Fora isso, o Civic Touring traz lista de equipamentos bastante completa, semelhante às dos rivais alemães de luxo. 

Divulgação
Silhueta evolui e ganha estilo notchback, mais esportiva e moderna que a do Civic atual Imagem: Divulgação

Direção eletroassistida, ar-condicionado digital automático (os comandos podem ser controlados pelos botões ou pelo próprio sistema interativo); controle eletrônico de tração e estabilidade; assistente de partida em rampas; freio de estacionamento por botão; teto solar; alerta de saída de faixas e de eventual colisão dianteira, frenagem automática; controle de cruzeiro adaptativo (ACC); volante multifuncional com teclas sensíveis ao toque; bancos com ajustes elétricos e ventilados; câmera de ré com sensores de aproximação; detector de ponto cego e câmera no retrovisor (como no Accord) e até mesmo um carregador de celular por indução (sem necessidade de cabo) no painel são os maiores destaques na lista.

Para o sistema multimídia, o carro oferece 450 watts de potência distribuídos em dez alto-falantes, além de possibilidade de projeção do celular por espelhamento, CarPlay, AndroidAuto e sistema de navegação por GPS.

Resta a dúvida se tamanho conteúdo de equipamentos será reproduzido fielmente no Brasil, justificando o preço mais elevado -- ou "limado", para ajustar o novo Civic aos preços de rivais do segmento médio.

Novo Civic foi eleito "Carro do Ano" nos EUA

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Sim, tem turbo

Quem comanda o novo Civic é um motor 1.5 turbo com injeção direta de gasolina, 16V, duplo comando variável, bloco e cabeçote em alumínio, capaz de render 174 hp (176,4 cavalos) e 22,4 kgfm de torque (entre 1.700 e 5.500 rpm).

Primeiro lote do carro brasileiro será a gasolina, mas a expectativa da marca é oferecer a opção bicombustível já em 2017, afirmam fontes da Honda.

Aliado a ele está uma transmissão CVT (continuamente variável) que simula até sete marchas, exatamente como no atual Corolla, só que sem borboletas atrás do volante para trocas de marcha. Desta vez, a Honda do Brasil preferiu não confirmar se o modelo nacional deixará os paddle shifts de lado como o americano, já que o rival da Toyota e até mesmo o City possuem.

E como anda?

Na prática, há um pouco de delay na resposta do carro após a ação sobre o acelerador, mas certamente este é um dos conjuntos mais bem acertados que o segmento possui atualmente. Somente carros com transmissões de dupla embreagem têm reações mais rápidas -- na categoria, Focus Sedan e Jetta TSI.

Divulgação
Interior, completo e bem acabado, não deve nada ao de um sedã premium alemão Imagem: Divulgação

Não há dúvidas, porém, de que o motor 1.5 turbo e o câmbio CVT do Civic dão mais prazer de dirigir que o 2.0 aspirado do Corolla, seu maior concorrente, que também é aliado a uma caixa de transmissão CVT.

A Honda norte-americana não revela os números de desempenho, mas revistas especializadas dos EUA conseguiram registrar o 0-100 do modelo em torno de 6,8 segundos, número melhor até mesmo que o do Jetta TSI, de 211 cv, que faz em 7,2 s (dado oficial da Volkswagen).

A diversão continua em curvas e situações mais fortes: o Civic é justo e preciso, apesar da leve tendência a sair de frente por conta do peso maior na parte frontal. Em local fechado, foi possível rapidamente chegar a 160 km/h sem comprometer a estabilidade do conjunto.

Na mão, o Civic é estável. A suspensão independente nas quatro rodas tem estrutura McPherson na dianteira e multibraços (três em cada roda) atrás.

O câmbio CVT, como em qualquer outro veículo, pode ser aliado ou inimigo na hora de consumir combustível -- a proporção do peso do pé no acelerador é diretamente ligada a esse valor. Durante avaliação de UOL Carros, o Civic registrou média de 12,9 km/l de gasolina no computador de bordo, sempre com o ar-condicionado ligado e situações de trânsito em vários pontos do trajeto.

Estes dados, se comparados ao de outros sedãs médios avaliados no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, daria ao Civic nota A.

Viagem a convite da Honda do Brasil

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