Carros

Mobi: do que gostamos e o que mudaríamos no carrinho da Fiat

Eugênio Augusto Brito
André Deliberato
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/04/2016 18h51

Um dia após a apresentação comercial de seu novo carro, o subcompacto urbano Mobi, a Fiat fez uma primeira sessão de contato com modelo e rápido test-drive para imprensa especializada e convidados.

UOL Carros experimentou duas configurações ao longo do trajeto de quase 30 quilômetros pela cidade de São Paulo. Infelizmente, não havia a opção de guiar a versão Easy, de entrada, que usa rodas aro 13 e sequer tem assistência de direção e sistema de climatização. Essa é mais direcionada a frotistas, segundo a Fiat. 

Assim, tiramos nossas primeiras impressões a bordo da civil Like On 1.0, de R$ 42.300, e da pseudo-aventureira Way On, a R$ 43.800. O sobrenome "On" indica que ambas abrigam todos os equipamentos do portfólio do carrinho, sem opcionais.

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Novo projeto, motor antiquado: 1.0 Fire Evo bebeu 1 litro de etanol em 6 quilômetros Imagem: Divulgação

Em cinco tópicos, saiba o que achamos do Fiat Mobi após este primeiro encontro:

1. Cara de um...

Apesar de ter faróis espichados e lanternas grandes que se espalham pela lateral, e dão sensação de robustez e tamanho ao pequenino Fiat, é fácil para quem não é entusiasta confundir o estilo do inédito Mobi com o do Uno. Tudo por conta da forma de "botinha" da carroceria. Mas, neste caso, um mini-Uno.

Para-brisa mais inclinado, portas mais estreitas, porém mais altas e traseira contida dão a deixa sobre as dimensões reduzidas. Tambores traseiros e discos dianteiros também são menores, mostrando que o Mobi tem menor carga para ser aparada pelo sistema de freios do que o Uno.

Dados da Fiat mostram que o Mobi tem 3,56 metros de comprimento (quase 30 cm menor que o "irmão"), 1,63 m de largura e 1,49 m de altura.

Diferentemente do Uno, o Mobi apela para a cara de mau e isso deve fazer sucesso com o consumidor brasileiro. A tampa de vidro para o porta-malas é um charme que poucos notarão. Agradável ao toque, é leve no uso, embora não tenha fechadura elétrica. Uma curiosidade: a Fiat diz que sua manutenção é barata, enquanto a Volkswagen do Brasil vetou o uso no up! (ao contrário do que ocorre na Alemanha) justamente por acreditar que aumentaria despesas.

Por dentro, quase tudo lembra o Uno, o que é bom para a proposta. Da textura aplicada sobre o plástico rígido do acabamento (mas sem firulas em alto relevo -- no Uno, o nome do carro é estampado milhares de vezes nos painéis) ao visual retrô-tech do computador de bordo e sistema de som, está tudo lá.

Aliás, as duas telas (uma de 3,5 polegadas no painel de instrumentos, outra de 5 polegadas no console) estão também na picape Toro, modelo mais caro da Fiat.

Mas estamos em 2016 e, como no Uno, nada de iluminação de LED no conjunto óptico para reforçar a segurança... uma derrapagem que poderia ser corrigida.

2. Quem é que cabe?

Quando uma marca nomeia seu carro como urbano pode ter certeza: fôlego e espaço são diminutos, na comparação com o restante da linha. É assim com o Mobi.

Estamos falando, neste momento, dos escassos 2,30 m de entre-eixos e dos 225 litros de porta-malas -- que aumentam para 235 litros, o volume oficial anunciado pela marca, só quando a angulação do encosto do banco traseiro é regulada de 23 para 18 graus.

É pouco, mesmo considerando que o modelo tem mais teto que rivais. É preciso entender, ainda, que um carro de entrada como o Mobi pode figurar não apenas como um segundo carro da família (para filhos que vão à faculdade, por exemplo), mas também como carro único de alguém transportará toda a família e mais bagagem.

Em nosso teste, dois ocupantes de 1,80 m de altura tiveram de se espremer nos bancos dianteiros, cujos assentos são estreitos e curtos demais. Em menos de dez minutos, o cansaço bateu, por conta da má acomodação do corpo. Vamos além: um terceiro adulto só caberia no banco traseiro se não tivesse pernas.

É muito aperto, mesmo que os ocupantes da dianteira tenham menor estatura. Atrás, as portas com maior ângulo de abertura facilitam o acesso, mas o espaço disponível complica a vida. Um detalhe entrega a real capacidade desta área: não há encosto de cabeça central, nem cinto de três pontos, itens que serão obrigatórios apenas em 2020, mas que já têm aparecido como de série em modelos recentes.

Tanto aperto é prejudicial inclusive no quesito segurança: ficou impossível deixar de pensar que, em caso de acidente, a cabeça de quem vai à frente iria se chocar facilmente com o arco que suporta o para-brisa; atrás, o impacto da parte mais importante do corpo seria com o apoio de mão.

Por fim: cabem apenas duas mochilas escolares no porta-malas e mais algumas tranqueiras de porte menor no chamado Cargo Box, um compartimento móvel que existe sob o assoalho. Se seu uso for extremamente urbano e pouco dependente de espaço, vá em frente. Do contrário, pense em outra opção.

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Menor que o Uno, Mobi tem tampa traseira de vidro, tapa na cara do up! Imagem: Divulgação

3. Cadê o três-cilindros?

Sim, foi difícil ouvir a Fiat anunciar que o Mobi teria o mesmo trem-de-força do Uno: o antigo quatro-cilindros motor Fire Evo Flex, com 75 cavalos (a altas 6.250 rotações) e torque de menos de 10 kgfm (a também distantes 3.850 giros) com etanol, associado ao velho câmbio de cinco marchas com engates imprecisos.

Usar este motor e não uma nova unidade é garantir que um novo carro vai andar como um modelo do século passado. E consumir e poluir mais do que deveria.

De novo, parece suficiente para o ambiente da cidade grande, com trânsito congestionado e anda-e-para sem fim, mas pense duas vezes. Você não terá resposta rápida para aproveitar aquela brecha para escapar do congestionamento.

Ainda terá mais contato com o posto de combustível. Foi um teste curto, mas nossa média não passou de 6,1 km/l de combustível vegetal. Pense no up!, com algo entre 14 e 22 km/l (nas versões aspirada e turbo, respectivamente). Pois é, você entendeu.

4. Mas roda bem?

Sim, ter parentesco com o Uno ajuda o Mobi a ser um carro bom para as condições de piso brasileiras. Buracos, valetas e até costelas de vaca que aparecem inexplicavelmente em nosso asfalto urbano são facilmente transpostos pelo conjunto de suspensão do carrinho, que é valente.

Com a versão Way, a versatilidade é ainda maior e você acaba ignorando qualquer obstáculo.

Há um porém: curvas não são a especialidade do Mobi, mas você também não precisa contorná-las como piloto de corrida. Não há motivo para isso.

5. Sim, vai vender

Vamos repetir, que é para deixar claro: UOL Carros está decepcionado com os valores cobrados pelo Mobi, que deveria custar pelo menos R$ 2 mil a menos na versão Easy, pelo menos R$ 3 mil nas demais variantes. Nem a lista de itens de série dos carros testados aliviam a sensação:

Direção hidráulica e volante com regulagem de altura; ar-condicionado; rodas de liga leve de 14 polegadas; faróis de neblina; alarme, vidros dianteiros e travas elétricas; computador de bordo; chave-canivete com telecomando; console central longo com porta copos; limpador e desembaçador traseiro; cintos de segurança dianteiros com ajuste; grade dianteira em preto brilhante; para-choques, maçanetas e retrovisores externos na cor da carroceria; retrovisores elétricos com função de abaixamento em manobras e repetidores de direção; sistema "Lane Change" (um toque leve no comando de seta para indicar rapidamente a direção, útil em mudanças de faixa); ESS (pisca-alerta se acende automaticamente em frenagens bruscas); para-sol com espelho para o passageiro; comandos internos para o bocal de combustível e o porta-malas; banco do motorista com regulagem de altura; banco traseiro bipartido; porta-malas com "Cargo Box"; pacote "Comfort" (apoio para o pé esquerdo do motorista, porta-óculos e alças de segurança); sensores de estacionamento; e rádio com ligação Bluetooth, USB e com comandos no volante. 

No Way On, rodas com desenho próprio e console de teto com porta-objetos e espelhinho extra (herdados do Idea) completam o pacote de itens

Ainda assim, acreditamos que o modelo terá mais sucesso que o Volkswagen up! e que outros modelos de menor porte, como o Nissan March (que pode mudar de vida com a adoção de itens como o câmbio CVT).

Ser da Fiat (que sabe se comunicar com o comprador e tem ampla rede de lojas e oficinas), ter jeito robusto e visual marcante garantem maior aceitação.

Resta saber se o volume será suficiente para as pretensões da marca, que quer ver o Mobi brigando no pódio com Chevrolet Onix (maior e mais tecnológico) e Hyundai HB20 (que também é mais seguro, econômico e bonito).

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