Carros

Chinês mais moderno do Brasil, JAC T5 é opção a HR-V e Renegade

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

26/02/2016 10h00

Embora a chegada das picapes Fiat Toro e Duster Oroch tenha mudado o foco, a "menina dos olhos" do setor automotivo brasileiro continua a ser o segmento de SUVs compactos. Todos querem espaço num dos únicos filões a crescer no mercado. Quem entra na briga agora é a JAC, que finalmente lançou -- após meses de atraso -- o T5. Menor que o T6, o modelo chega às lojas em março para ser, na prática, opção a Honda HR-V, Jeep Renegade, Ford EcoSport e Renault Duster. A JAC ainda elenca outros rivais. Preço é tudo: parte de R$ 59.900 e vai a R$ 69.900.

Murilo Góes/UOL
JAC T5 1.5 flex: R$ 59.900 a R$ 69.900. Consumo médio: 5 km/l com etanol Imagem: Murilo Góes/UOL
Na prática, a configuração de topo custará o equivalente às versões de entrada dos principais rivais. Pacote também será interessante: o T5 será o veículo chinês mais moderno e tecnológico já vendido por aqui, "inaugurando" controle de estabilidade, câmbio que dispensa pedal de embreagem (do tipo CVT, programado para estrear em agosto), ar-condicionado digital, e central multimídia capaz de espelhar celulares em tela de alta resolução (8 polegadas).

Confira versões e valores: 

+ Pack 1 -- R$ 59.990: alarme; chave canivete com botão de abertura do porta-malas; rodas de liga leve aro 16; direção elétrica; ar-condicionado automático digital; faróis com acendimento automático; vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico; banco do motorista com ajuste de altura; ganchos Isofix; sensor de estacionamento traseiro; pedais que anulam aceleração quando acelerador e freios são acionados simultaneamente; e assistente de frenagem emergencial.

+ Pack 2 -- R$ 64.990: acrescenta faróis e lanternas de neblina; luzes diurnas em LED; barras longitudinais de teto; assistente de partida em subidas; e controle eletrônico de estabilidade e tração.

+ Pack 3 -- R$ 69.990: inclui bancos revestidos em couro; central multimídia com tela tátil de 8 polegadas e sistema MirrorLink; câmera de ré (com gráficos estáticos).

Repare que não há sistema de entretenimento nos dois pacotes mais baratos, tática que visa a estimular (para não dizer "forçar") a compra da versão mais cara. O motor será sempre o 1.5 VVT JetFlex, de 16V, o mesmo da família J3, com câmbio manual de seis velocidades. A estreia da caixa CVT ficará para depois, pois esta ainda precisa ser adequada ao gosto brasileiro (relações encurtadas). 

Murilo Góes/UOL
Visto de traseira, T5 lembra muito um ix35, mais até do que o primo maior T6 Imagem: Murilo Góes/UOL

Made in Brazil

Obviamente, o T5 chega com desvantagem aos rivais por ser importado e limitado às cotas do Inovar-Auto. A boa notícia é que o suvinho será o primeiro JAC a virar nacional. Após debandada da operação oficial chinesa, o representante da marca no Brasil, Sergio Habib, reduziu em um quinto o investimento -- de R$ 1 bilhão para R$ 200 milhões -- e a capacidade de produção da futura fábrica em Camaçari (BA) -- de 100 mil para apenas 20 mil unidades/ano.

Lá o T5 será montado, a partir do primeiro semestre de 2017, em formato CKD. A história já foi contada pelo site parceiro Carpress. Enquanto o plano emergencial não vira realidade, o T5 virá da China em três versões e com meta de vendas bastante modesta: cerca de 150 exemplares/mês. 

T6 mostra como é espelhar celular num JAC

 

Como anda

Com traços inspirados em modelos coreanos (assim como no T6, muito do visual lembra o Hyundai ix35), o T5 agrada visualmente. Elogios vieram da própria redação de UOL Carros e também de pessoas nas ruas. Apliques plásticos que se alargam conforme rumam das laterais ao para-choque traseiro são um exagero estético. O LED dá charme extra aos faróis, embora seja usado numa configuração cada vez mais obsoleta de pontos (modelos mais modernos já dispõem de filete contínuo).

Murilo Góes/UOL
Central de 8 polegadas com MirrorLink é grande trunfo do T5 frente aos rivais Imagem: Murilo Góes/UOL
Em dimensões, são 4,32 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,62 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. Isso significa espaço interno maior que o do EcoSport, mas um pouco aquém de HR-V e Renegade. O volume de porta-malas é bom: 600 litros. A JAC acaba colocando o T5 na rivalidade, também, com aventureiros como os novos Hyundai HB20X e Citroën Aircross, mas isso acaba sendo verdade apenas pelo preço, já que estes são menores em algumas das dimensões.

Não se passa aperto dentro do T5: pernas e cabeças ficam bem acomodadas no banco de trás, faltando um pouco mais de folga só para os ombros. Na frente, assentos oferecem conforto e ergonomia, apesar de a tampa do porta-luvas obrigar o passageiro a recuar um pouco os joelhos para ser aberta.

Acabamentos ainda são pobres no comparativo com as referências do segmento. O excesso de plástico duro é quebrado apenas por uma área suave ao toque no entorno dos puxadores das portas. Rebarbas e encaixes desalinhados continuam presentes e nos fazem lembrar que a curva evolutiva dos chineses deve continuar.

Já o sistema multimídia proporciona excelentes gráficos e navegação intuitiva. Para espelhar celulares é preciso baixar um aplicativo chamado GP Link. O funcionamento é semelhante ao do T6. Entradas USB e auxiliar estão no console central, abaixo do ar-condicionado, solução bem mais inteligente. Há até um espaço para repousar o smartphone (pequeno demais para aparelhos maiores, diga-se).

Dinamicamente o T5 surpreende: a carroceria rola de maneira aceitável para um SUV, apresentando ângulo de esterço bastante satisfatório. A direção elétrica é precisa e leve para a cidade, mas deve em firmeza em velocidades maiores. O sistema de freios tem disco nas quatro rodas, mais modernos que os tambores traseiros do EcoSport, e operam com respostas aceitáveis. As suspensões são um pouco molengas, como em quase todo automóvel chinês, mas nada acima do tolerável.

O grande calcanhar de Aquiles está no trem-de-força: o propulsor 1.5, de 125/127 cv de potência e 15,5/15,7 kgfm de torque (gasolina/etanol), é fraco para os 1.210 quilos do T5. O câmbio manual de seis marchas está mais bem ajustado do que o de outros carros da JAC, mas ainda possui engates um tanto imprecisos e faz barulho na hora das trocas. A falta de desempenho compromete o consumo. Embalado e sem tráfego, o T5 é capaz de passar dos 9 km/l com etanol na cidade. Já em meio ao trânsito pesado, como é preciso pisar sem receios e cambiar muito para compensar a falta de torque antes de 2.500 giros, a autonomia cai para a 5 km/l.

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