Carros

HB20 Premium 1.6 é (quase) como todo carro brasileiro deveria ser

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/02/2016 19h20Atualizada em 22/02/2016 15h27

Hyundai HB20 chegou em 2012 mudando conceitos em relação a compactos brasileiros. Nada de visual simplório, com traços genéricos e pouco criativos: a aposta foi num carro de desenho arrojado e que estreava, entre modelos feitos no país, a tecnologia mais econômica e eficiente do motor de três cilindros.

O hatch subiu rapidamente no ranking de vendas ao longo dos anos. Atualmente, é o terceiro modelo mais emplacado do Brasil, atrás apenas de Chevrolet Onix e Fiat Palio/Palio Fire. Se desconsiderarmos a manobra da Fiat de contar dois carros como se fosse um, podemos afirmar que o HB20 ocupa a vice-liderança, e só não vai além por limitações na linha de produção em Piracicaba (SP) e na rede de concessionárias.

A receita de sucesso não precisou de grandes mudanças: o facelift mostrado no fim de 2015 trouxe como novidades somente pequenos retoques estéticos e um pacote de equipamentos mais robusto. A versão Premium 1.6 AT, que ilustra o álbum no topo desta reportagem, concentra todas as qualidades de um modelo que soube se manter atual ao longo dos anos, e que promoveu um flerte do segmento de entrada com equipamentos que antes só eram vistos em carros de maior porte. UOL Carros mostra, agora, seus pontos fortes e fracos. 

Murilo Góes/UOL
HB20 é primeiro modelo do segmento a incorporar LED ao conjunto óptico Imagem: Murilo Góes/UOL

O que tem de bom

Muito bem resolvido esteticamente, o HB20 teve como grande mudança a adoção de grade hexagonal ampla com grossas divisórias horizontais, à la i30, e uso de LED nos faróis -- luz diurna -- e lanternas (com direito a efeito 3D). Foi o suficiente para deixá-lo com aspecto atual por mais algum tempo. Bordas cromadas em grade, faróis de neblina e base dos vidros dão toque discreto de requinte à versão, sem exageros. Retrovisores com rebatimento elétrico automático e luz repetidora de seta integrada são itens de conforto bastante bem-vindos, e as rodas de liga leve de 15 polegadas possuem desenho moderno e sem firulas.

Murilo Góes/UOL
Opcional de R$ 1.590 faz tom marrom se espalhar por todo o interior do hatch, incluindo bancos, portas, manopla do câmbio e até tapetes Imagem: Murilo Góes/UOL
Por dentro, o revestimento em tom marrom para bancos de couro, portas, tapetes e manopla do câmbio (opcional de R$ 1.590) oferece leve sensação de luxo, logo dispersa pela quantidade de acabamentos em plástico duro. Todavia, as peças são de ótima qualidade e estão muito bem alinhadas. Elementos em cromo acetinado e preto brilhante contrastam de forma sóbria com o painel predominantemente cinza escuro. Houve bom gosto e moderação na escolha dos materiais e cores.

A lista de equipamentos é robusta: chave canivete; airbags frontais e laterais; travas e vidros elétricos com função um-toque nas quatro portas; sensor de luminosidade; ar-condicionado digital com função automática; painel com computador de bordo digital; volante multifuncional revestido em couro; ajuste de profundidade e altura da coluna de direção; porta-óculos no teto; ganchos para cadeirinhas infantis no banco traseiro (padrão Isofix); e sensor de estacionamento traseiro. A central multimídia BlueMedia, com espelhamento de celulares com sistema Car Link, é opcional de R$ 2.500.

Trem-de-força também se tornou referência. O motor Kappa 1.6 4-cilindros, de 122/128 cv e 16/16,5 kgfm (gasolina/etanol), é um dos mais fortes do segmento, e no HB20 2016 passou a ser gerenciado pela ótima transmissão automática de seis velocidades. Fôlego não falta. Com as rodas aro 15, o trabalho das suspensões fica um tanto comprometido e o modelo se mostra um pouco mais duro, embora ainda com bom nível de conforto. Espaço para pernas e cabeça é limitado, como em qualquer modelo desse porte, assim como os 300 litros de volume anunciado para o porta-malas. 

Murilo Góes/UOL
Lanternas com efeito tridimensional podem parecer frescura, mas ajudam a melhorar sensação de profundidade para quem anda atrás Imagem: Murilo Góes/UOL

O que falta

São poucos os atributos em que o HB20 deixa a desejar em relação à concorrência, mas eles existem. Com um pacote tão recheado, faltou equipá-lo com controle eletrônico de estabilidade, item já presente no Ford Ka, com piloto automático simples, tal qual o Onix, ou ainda com função um-toque para luz indicadora de seta, tipo o Volkswagen up!.

Murilo Góes/UOL
Até este passarinho gostou do retrovisor elétrico com rebatimento automático e luz de seta integrada Imagem: Murilo Góes/UOL
Já o sistema de entretenimento, apesar de intuitivo e munido de ótimos gráficos e tela de toque eficiente, apresenta alguns problemas na função de espelhamento, como pequenos travamentos da tela e do áudio. Além disso, nesta função não é possível navegar no Waze enquanto se ouve música de rádio ou pendrive, por exemplo, algo possível com um navegador GPS convencional.

Eficiência em consumo também não é seu ponto forte. A Hyundai se esforçou para fazer o propulsor de 1,6 litro virar nota A em consumo no programa de etiquetagem do Inmetro, recalibrando componentes internos e tirando o tanquinho de partida a frio. Porém, durante teste de UOL Carros em uso restritamente urbano, com etanol, a autonomia média conseguida foi de pouco mais de 6 km/l, aquém dos 8,1 km/l prometidos oficialmente.

O maior problema, contudo, está certamente no preço. Para ter acesso ao HB20 1.6 Premium "completaço", equipado com todos os opcionais mais pintura metálica, é preciso desembolsar até R$ 66.485 (a versão avaliada por UOL Carros traz pintura sem custo adicional e sai por R$ 65.385), valor pelo menos R$ 20 mil acima do imaginado para um carro como tal tamanho e tal proposta. É o preço a se pagar para flertar com a modernidade...

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