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VW diz que terá de "limpar" imagem da Amarok, mas não se desculpa no Brasil

Divulgação
Amarok terá campanha e até série especial em 2016, após recall Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/11/2015 18h03

Durou pouco mais de dois meses o "transe" da Volkswagen do Brasil após o anúncio da fraude global de testes de emissões de poluentes para ao menos 11 milhões de veículos com motores a diesel, incluindo 17 mil unidades da picape Amarok fabricadas na Argentina e vendidas em nosso país. Na noite de quarta-feira (24), a empresa finalmente se pronunciou ao público brasileiro, nas palavras do vice-presidente de marketing, Jorge Portugal. O executivo aproveitou o lançamento da nova geração do Passat para falar rapidamente sobre o assunto e em tom sereno, mas sem qualquer pedido de desculpas ao consumidor. 

Vale lembrar que há um mês, no Salão de Tóquio, presidente global da Volkswagen Automóveis e o representante da Volkswaqen do Japão pediram desculpas publicamente a afirmaram que o escândalo atrasaria todo o cronograma de lançamento de nova linha de carros naquele país por tempo indeterminado. Nos EUA, a marca fez o mesmo e resolveu distribuir vales de US$ 1 mil a clientes afetados, como forma de recuperar parte de sua imagem.

No Brasil, a marca prefere se manter à sombra das ações da matriz, com poucos pronunciamentos. Ainda assim, Portugal afirma que a filial brasileira sofreu "um impacto menor que unidades de outros mercados" e que terá de trabalhar para "reabilitar" a imagem a picape frente ao consumidor.

"Por sorte, no Brasil não tivemos um impacto tão negativo [decorrente do escândalo com motores a diesel]", afirmou Portugal em fala a UOL Carros, fazendo referência ao fato de um único veículo vendido localmente estar incluído na fraude. "Nossa análise mostra que o impacto foi menor e de modo diferente daquele na Europa e em outros mercados, e que seria algo que poderia nos deixar preocupados", completou.

Portugal apontou ainda que a Volkswagen do Brasil segue monitorando redes sociais e movimentações do consumidor em lojas para avaliar o que se fala da marca no país. O principal, segundo ele, é seguir com a resolução do caso e, em seguida, reconstruir a imagem da picape.

"A Amarok teve um lançamento forte e depois queda, sobretudo em algumas regiões. Nos últimos meses [após o escândalo] o volume [de emplacamentos] foi discreto, mas acertado, quase constante e isso sem que que tenhamos forçado as vendas", descreveu o gerente. "Claro, teremos de ter a apresentação de uma versão especial, em 2016, para reafirmar as características da picape, mas isso virá na sequência dos fatos", concluiu.

Portugal se pronunciou durante a apresentação da oitava geração do sedã executivo Passat a grupo de jornalistas e potenciais compradores, em São Paulo (SP), para dizer que, apesar do escândalo global (e da crise de vendas no mercado interno), a Volkswagen do Brasil seguiu à risca o cronograma de lançamentos do ano e vai manter a agenda para 2016. O último lançamento de porte havia sido em agosto, quando foi apresentada a linha 2016 do Fox, que se liga à internet.

Marca diz manter planos

Em outubro, David Powels, presidente da Volkswagen do Brasil havia apontado sua intenção de manter verbas e cronogramas de lançamentos para os próximos anos, mas outras fontes ligadas à fabricante ouvidas por UOL Carros apontavam um temor de que cortes realmente pudessem ocorressem por conta da política de austeridade pregada pela sede da Volkswagen, na Alemanha.

Globalmente, a marca está poupando recursos de R$ 24 bilhões (o equivalente direto a 6 bilhões de euros, atualmente) para tratar de reparos, indenizações e multas. Especialistas afirmam que a cifra pode ser muito maior e passar de R$ 160 bilhões (40 bilhões de euros). No Brasil, a filial terá de pagar R$ 50 milhões ao Ibama e mais R$ 8 milhões ao Procon-SP em multas. 

Ou seja, prejuízo financeiro e de reputação graves no exterior. Ainda assim, as palavras de Portugal reafirmam a intenção de manter a Volkswagen do Brasil no jogo, o que não é pouco.

EFE
Além de atualização de programa, marca fará troca de sistema do filtro do ar Imagem: EFE

E o recall?

Ainda que tenha apontado a necessidade de fazer "atualização" (a marca evita a todo custo o uso do termo "recall") no programa de computador que controla o funcionamento do motor a diesel, a partir do primeiro trimestre de 2016, a Volkswagen do Brasil se manteve aguardando por instruções da matriz antes de dar cada declaração, cada passo.

Na Europa, segundo a agência "Reuters", o processo já está tomando definições: a matriz anunciou nesta quinta que o reparo será iniciado em janeiro, vai durar menos de uma hora, mas que o contingente é gigantesco, de pelo menos 8 milhões de carros da Volkswagen, Seat, Skoda, Audi e até Porsche. 

Para o presidente global do Grupo Volkswagen, Mathias Müller, "os esforços necessários para seguir com a adequação dos motores são tecnicamente, mecanicamente e financeiramente possíveis" e vão resolver a questão de 70% das unidades com problema. Isso representa a totalidade de motores a diesel da família EA-189 com capacidade de 1,6 e 2 litros (este último é o grupo da Amarok no Brasil). Os outros 30% são representados pelos modelos com motor 1,2 diesel para os quais a Volkswagen afirma que entregará uma solução até o começo de dezembro.

Além da modificação do software fraudulento, o recall envolve mudanças "relativamente simples", segundo Müller, no sistema do filtro do ar. Não houve explicação, porém, sobre possíveis mudanças na performance final dos carros com o reparo.

Além dos 11 milhões de carros a diesel afetados pela fraude em todo o mundo, a Volkswagen ainda é investigada nos EUA por possível extensão do uso do software em outros 85 mil carros de grande porte equipados com motores a diesel V6. Por fim, a Europa ainda questiona dados de 850 mil unidades a gasolina, que podem ter dados de emissão de CO2 irregulares.

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