Carros

Simulador tem preço de carro novo, mas ensina a dirigir? Assista

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

13/11/2015 08h00

Após adiamentos, o uso obrigatório do simulador veicular para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) parece que, enfim, vai sair do papel no Brasil em janeiro de 2016. Detrans estaduais já preparam até a antecipação da medida: em São Paulo, a obrigatoriedade começa em 14 de dezembro. Com isso, UOL Carros foi a uma autoescola testar o simulador para saber, na prática, se ele é fiel à sensação de se dirigir um carro de verdade.

Em outras palavras: o aluno que fizer a carga básica de aulas no simulador vai saber realmente dirigir? Das 25 horas de aula que o aluno deve registrar antes de fazer o teste prático para tirar a carta tipo B (de carros de passeio), pelo menos cinco (ou um máximo de oito) terão de ser feitas em simuladores, sendo uma aula obrigatória em situação de condução noturna.

Para o Detran, o uso do simulador ajuda a superar a carga de aprendizado que o aluno terá com a aula tradicional: "A grande vantagem é fazer o aluno conhecer, na prática, os métodos de direção defensiva à noite, sob chuva, em rodovias e até em emergências. São condições que nem sempre é possível colocar em prática nas aulas tradicionais", elencou Daniel Annenberg, diretor-presidente do Detran-SP.

Annenberg afirmou ainda que cerca de 1.000 simuladores já estão operando. Seriam necessários mais 400 para suprir a demanda das quase 4 mil autoescolas.

Ana Macedo/Futura Press
Defensores do simulador dizem que só ele reproduzi todas as situações que o motorista enfrenta no dia a dia; para quem é contra, medida limita contato direto com o carro Imagem: Ana Macedo/Futura Press

Ensina a dirigir?

Defensores da aprendizagem por simulação apontam que aumentar a intimidade do condutor com o automóvel mesmo em emergências é o trunfo da máquina. "O iniciante consegue aplicar as noções que aprende no simulador com muito mais facilidade quando vai para um veículo de verdade", defendeu Sheila Borges, diretora de operações da ProSimulador, uma das cinco empresas autorizadas pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) a vender software de simulação no Brasil.

As outras quatro são: Real Drive; Real Simuladores; Indra Sistemas; e Luzeiro Rota.

A diretora admitiu, contudo, que a condução virtual complementa, mas não é capaz de ensinar alguém a dirigir por si só. É com esse argumento que alguns empresários do setor justificam o posicionamento contra a medida. "Nada substitui a prática veicular. Nesse período em que o uso do simulador tem sido facultativo, todos os meus alunos têm preferido ir para a rua", contou Márcio Souza, proprietário da Ídolos, autoescola localizada na zona oeste da capital paulista.

Marcas usam simulador para aumentar vendas

Preço de carro de verdade

Fernando Jorge, dono da autoescola Veja, comprou dois simuladores veiculares há dois anos. Pagou R$ 40 mil em cada -- preço similar ao de versões de entrada de modelos como Hyundai HB20 (R$ 38.995) ou Ford Ka (R$ 40.590). "Vi uma oportunidade para me adequar à lei e ainda receber alunos de outros CFCs (Centro de Formação de Condutores)", explicou a UOL Carros.

De fato, nem todos os estabelecimentos têm condições de comprar seus próprios equipamentos. Neste caso, poderão compartilhar com outras autoescolas ou assinar contratos de comodato com as fornecedoras de software. A ProSimulador, por exemplo, vai cobrar R$ 15,90 sobre cada aula realizada para prestar o serviço.

Para o aluno, porém, o preço da aula pode ficar mais em conta: segundo CFCs consultados por nossa reportagem, o preço hora/aula em simulador, na capital paulista, ficará em R$ 40, cerca de 30% a menos do que uma aula prática convencional. "[O simulador] também evita gastos com manutenção e combustível", ressaltou, em nota por e-mail, Aldari Onofre Leite, presidente da Sindautoescolas-SP (Sindicato das Autoescolas de São Paulo).

Márcio Souza, da Ídolos, não é tão otimista. "Quem comprou o simulador terá de recuperar o investimento. Quem não comprou está nas mãos das fornecedoras, e os contratos que já me ofereceram exigem um número mínimo de aulas pagas. No fim, pode até haver aumento [nos custos]."

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