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Nova Toyota Hilux anda como carro de passeio e parte de R$ 114.860

Gaikindo Indonesia/Reprodução
Nova Hilux em estreia no Salão da Indonésia: novo estilo para seguir referência Imagem: Gaikindo Indonesia/Reprodução

Eugênio Augusto Brito e Leonardo Felix

Do UOL, em Tóquio (Japão) e Mendoza (Argentina)

05/11/2015 10h57Atualizada em 31/10/2016 17h07

A Toyota começa a apresentar, nesta quinta e sexta-feira (5 e 6), em Mendoza (Argentina), a nova geração da picape Hilux para o mercado brasileiro. Fabricada desde outubro em Zárate (a 90 quilômetros de Buenos Aires), o modelo só deve ter sua operação de entrega às lojas nacionais coloca em carga plena em janeiro. UOL Carros adianta, do Japão, a principal característica do novo modelo: andar suave como carro de passeio.

Os preços para o Brasil acabam de ser divulgados: houve redução no total de versões (de dez para seis), com aumento de preços (11% na versão chassi com cabine simples, de entrada e voltada ao trabalho; 3% na versão topo de gama, com cabine dupla). Configurações e valores são os seguintes:

- Hilux 4x4 D/C Chassi 2.8 TDI (seis marchas manual): R$ 114.860

- Hilux 4x4 D/C Cabine Simples 2.8 TDI (seis marchas manual): R$ 118.690

- Hilux 4x4 D/C STD 2.8 TDI (seis marchas manual): R$ 130.960

- Hilux 4x4 D/C SR 2.8 TDI (seis marchas automático): R$ 162.320

- Hilux 4x4 D/C SRV 2.8 TDI (seis marchas automático): R$ 177.000

- Hilux 4x4 D/C SRX 2.8 TDI (seis marchas automático): R$ 188.120

Mudanças de plataforma e acabamento, mas principalmente de motor (sobretudo a unidade a diesel), câmbio e suspensão são responsáveis pela mudança de hábito tanto da Hilux, quanto do SUV derivado SW4, que agora tem visual divergente em relação à picape e será apresentado ao brasileiro ao longo de 2016. Ambos foram desenvolvidos pela equipe da Toyota da Austrália/Ásia (Tailândia e Indonésia) e lançados globalmente no começo deste segundo semestre.

"Nossa principal preocupação no desenvolvimento da nova geração da Hilux, como também do novo SW4, foi como melhorar a dirigibilidade e a sensação de conforto a bordo da cabine", explicou Hiromi Nakajima, gerente de produto da Toyota, em entrevista exclusiva durante evento paralelo ao Salão de Tóquio. "Conseguimos deixar o motor [a diesel] mais suave e reduzir a sensação de que o conjunto está batendo, aquele ruído perceptível mesmo em baixas rotações", completou.

Esta sensação contribui, ao longo de uma viagem, para maior cansaço do motorista. É também um dos pontos baixos de picapes e SUV montados sobre chassis, que cada vez mais perdem espaço para modelos monobloco. O ponto da discórdia foi sempre a falta de capacidade de carga dos últimos, mas os números de vendas têm provado que -- tirando empresas da conta -- cada vez menos consumidores ligam para força no reboque ou no uso de tração em trilhas (o número esbarra em 98%).

Gaikindo Indonesia/Reprodução
Hilux fica mais arrojada, mas principais mudanças são de tecnologia e conforto Imagem: Gaikindo Indonesia/Reprodução

Melhorou... no Land Cruiser

UOL Carros teve a chance de fazer um test-drive rápido nas instalações da Toyota em Fuji para testar as modificações de trem-de-força e itens de conforto que estarão presentes na nova Hilux. O teste, porém, foi feito a bordo do utilitário Land Cruiser -- a Hilux não é vendida no Japão, daí o uso de um modelo fabricado sobre a mesma plataforma. O teste na Hilux argentina será feito ao longo da sexta-feira.

Descontadas as diferenças entre o SUV e um modelo com caçamba, foi possível notar uma boa qualidade de vida na cabine. A percepção de ruído foi extremamente baixa -- alguém desavisado pensaria que o veículo estava desligado --, enquanto a Toyota fala em redução de 3 decibeis. O Land Cruiser também se portou de modo nada chocalhante.

De acordo com os engenheiros da marca, além de mudança no conjunto de suspensão e reforço do subchassis, a nova família de motores GD é responsável pelo comportamento. Com quatro cilindros, o novo motor turbodiesel tem 2,8 litros contra os 3 litros da geração atual, conseguindo além da redução de consumo típica do downsizing (redução do volume do motor, sem perda de potência e força), baixar consideravelmente o nível de emissão de particulados NOx (termo que ficou em voga com o escândalo da Volkswagen).

Com 177 cavalos de potência e 45,9 kgfm de torque (entre 1.600 e 2.400 giros), o novo motor também é mais suave e conversa melhor com a caixa de seis marchas (automática no Land Cruise testado). Resta saber se isso será repetido pela Hilux e pelo SW4 que serão vendidos no Brasil. 

Divulgação
Segunda geração da Hilux mostrava uso que marca quer agora: mais urbano e jovem Imagem: Divulgação

Novo uso

UOL Carros publicou, recentemente, o Especial sobre Novas Picapes, que mostra que além das marcas tradicionais (Toyota, Chevrolet, Ford, Nissan e Mitsubishi), novas montadoras (Fiat, Renault, Hyundai e até Mercedes-Benz) apostam em picapes mais urbanas, que devem modificar totalmente o mercado global -- e também nacional -- para este tipo de produto.

Na prática, espera-se que ocorra um movimento semelhante (em comportamento, não em números, claro) ao praticado há décadas nos Estados Unidos: picapes de porte médio-compacto e médio são opção para compradores jovens e de meia-idade que precisam de um veículo para transportar família ou amigos e ainda dar conta da bagagem e do transporte de pequenos veículos, como skates, pranchas de surfe, bicicletas e motos por lá. As picapes de maior porte ou capacidade de tração seguem na preferência de empresas e de quem faz uso em terrenos inóspitos. Tanto que a Ford F150 é líder de vendas geral nos EUA desde os anos 1980.

"Parte dos consumidores pode não intuir essa mudança por ainda achar que a picape é um veículo simplório, voltando apenas ao trabalho, mas esta visão é ultrapassada e agora estamos todos mudando nosso pensamento", concordou Nakajima. "Os EUA praticam esse uso há tempos e você pode citar diversos exemplos de diferentes marcas. Eu prefiro citar a Toyota Tacoma, que é bastante similar ao projeto da Hilux e muito desejada pelo público jovem americano". 

No Brasil, a Hilux é vice-líder entre picapes médias, vendendo menos apenas que a Chevrolet S10 (que voltou a ser vendida nos EUA como Colorado, mas com recheio mais elaborado, que inclui visual atraente, bancos mais confortáveis e central de entretenimento com conexão 4G). Em 2014, foram quase 51 mil vendas da GM contra 43 mil da Toyota. Em 2015, o saldo está 28 mil contra 27 mil até outubro. Entre SUVs, o SW4 era sétimo no geral em 2014, caindo a nono agora. 

Renault e seu projeto de picape média Alaskan, desenvolvido em conjunto com Nissan e Mercedes-Benz, também estão na alça de mira da Toyota, admitiu o executivo-engenheiro, por representar essa nova mentalidade para o uso de picapes médias. O projeto da Fiat Toro, porém, ainda é desconhecido por Nakajima, talvez pelo excesso de localização do projeto.

Usando a base do Jeep Renagade, a picape Toro está sendo desenvolvida apenas para o mercado brasileiro, a princípio. No resto do mundo, a Fiat faz parceria, ainda em estágio inicial, para uso da base da picape L200 em mercados onde a Mitsubishi tem baixa penetração.

* Viagens a convite da Anfavea e Toyota do Brasil

 

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