Carros

JAC J5 completo tem preço de Corolla básico; veja como anda

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/10/2015 09h00

O JAC é o modelo de passeio mais completo entre os carros de passeio da marca chinesa. À venda no Brasil desde 2012, o três-volumes passou por discreto facelift em junho deste ano (praticamente não houve divulgação da mudança), ganhando novo visual e equipamentos para encarar Toyota Corolla, Honda Civic e afins.

A nova linha parte de R$ 64.990, chegando a R$ 70.990 em sua mais versão mais completa, chamada estranhamente de "Pack 3". O volume de vendas é modesto: cerca de 30 unidades/mês. UOL Carros testou a versão mais cara e pôde conferir todas as vantagens e desvantagens em relação aos rivais japoneses, referências no segmento de sedãs médios.

Murilo Góes/UOL
Central multimídia com tela tátil é intuitiva e tem bons gráficos; faltou um navegador Imagem: Murilo Góes/UOL
O que tem de bom

O preço é o principal atrativo do J5. Por R$ 70.990, o representante chinês oferece uma lista de equipamentos que só estarão disponíveis em versões acima de R$ 80 mil, se a comparação for com o Civic, e de mais de R$ 90 mil, no caso do Corolla: volante multifuncional revestido em couro, central multimídia com uma intuitiva tela tátil de 7 polegadas, ar-condicionado digital, sensores de estacionamento (dianteiro e traseiro), com direito a ilustração gráfica no painel, e câmera de ré (com direito a gráfico de dimensão da vaga, embora estático) são alguns dos itens de destaque.

Além disso, o três-volumes chinês possui ótimo espaço interno: são 4,59 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,47 m de altura e 2,71 m de entre-eixos, números sempre superiores aos do Civic e equiparáveis aos do Corolla, com a vantagem de o entre-eixos ser ainda maior que o do líder de mercado. As suspensões (MacPherson na dianteira e multibraço na traseira) estão muito bem calibradas para uso no Brasil, garantindo conforto.

Visualmente, o J5 usa elementos do próprio Civic na dianteira (grade trapezoidal com bordas inferiores cromadas), porém de maneira mais bem resolvida que o sedã da Honda. A traseira, infelizmente, não atingiu o mesmo grau de harmonia: a tentativa de imitar as linhas da BMW se mostrou fracassada, deixando lanternas e vincos um tanto desalinhados. 

Murilo Góes/UOL
Ideia de imitar a BMW só serviu para deixar traseira menos harmônica e mais... feia Imagem: Murilo Góes/UOL

No que peca

Apesar das vantagens, o J5 dá mais uma mostra de que os modelos chineses ainda precisam evoluir para chegar no mesmo padrão de outros carros asiáticos. O trem-de-força -- motor 1.5 a gasolina, com comando variável simples de válvulas, e câmbio automático de cinco velocidades --, por exemplo, está muito aquém de outros modelos do mesmo porte.

Ao mesmo tempo em que falta potência -- são meros 125 cv de potência e 15,5 kgfm de torque, índices comparáveis apenas aos do Volkswagen Jetta com propulsor de Santana --, a transmissão apresenta buracos na relação de marchas e engates ruins, que fazem barulho a cada troca. Isolamento acústico e ergonomia também estão longe da perfeição: enquanto ruídos de motor e rolamento dos pneus invadem a cabine, o volante é um pouco torto e a posição da manopla de câmbio, bastante ruim.

A direção hidráulica apresenta pequenas folgas no início das manobras e o acabamento, embora agrade pela sobriedade (algo difícil de encontrar nos veículos chineses até algum tempo atrás), ainda possui uma série de rebarbas e desalinhamentos (atenção especial à tecla para ligar a luz de leitura, inaceitavelmente torta). 

Murilo Góes/UOL
Acabamento é sóbrio e sem firulas, o que é bom, mas qualidade dos elementos, rebarbas e pequenos desalinhamentos falam contra Imagem: Murilo Góes/UOL

Conclusão

Pela relação custo-benefício, não dá para negar que o J5 seja uma boa opção. É um carro que vale para quem quer ter, sem pagar um preço absurdo, um produto completo, espaçoso e com certa dose de conforto. Porém, detalhistas de plantão ainda devem passar longe deste modelo, pois vão se irritar com seus pequenos problemas. Sim, os chineses estão chegando lá, mas ainda falta um bocado para atingir o nível de excelência dos concorrentes. É essa distância, pequena mas persistente, que acaba desagradando um consumidor mais exigente.

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