Carros

Cliente de Honda e Toyota espera meses por reparo em airbag

Marcio Komesu/UOL
Arnaldo Komesu aguarda desde junho por reparo no airbag de seu Corolla 2006 Imagem: Marcio Komesu/UOL

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

15/10/2015 12h00Atualizada em 16/10/2015 16h49

Há pouco mais de quatro meses, o aposentado Arnaldo Komesu, 69, descobriu que seu Corolla SEG 2006 era um dos 620 mil carros da Toyota vendidos no Brasil que estão na lista do megarrecall de airbags da Takata. O caso já é conhecido: por uma falha estrutural, o dispositivo "estoura" no momento da deflagração, arremessando estilhaços contra os passageiros.

Nesta semana, a Toyota iniciou mais uma campanha relacionada ao problema, para 424.614 unidades.

Em 19 de junho, Komesu levou seu automóvel para uma concessionária da marca em Santo André (SP). Lá, funcionários desativaram a bolsa frontal do passageiro e colaram um adesivo de alerta no painel. A promessa era de que o problema seria definitivamente solucionado em até 60 dias. Não foi o que aconteceu.

"Passado o prazo, ninguém me procurou. Retornei em 28 de agosto e me pediram mais uma semana. Nada. Voltei a procurá-los em 8 de outubro, e aí admitiram que a fornecedora [Takata] estava atrasando a entrega das peças de reposição", explicou a UOL Carros o aposentado.

Marcio Komesu/UOL
Adesivo colado no painel alerta: airbag do passageiro está desativado; resta confiar no cinto de segurança Imagem: Marcio Komesu/UOL
Sem saber quando terá o airbag funcionando de novo, Komesu se preocupa com a segurança. "Se acontecer algum acidente e alguém se machucar, o problema será de quem? Meu?", questionou.

Para piorar, uma insistente luz de alerta no quadro de instrumentos o relembra, todos os dias, que o dispositivo precisa de conserto.

De fato, o chamado que englobava o Corolla de Komesu, publicado em maio deste ano, indicava resolução total do problema num prazo de 60 dias. Neste último, o processo se repetiu: em uma primeira fase, os airbags serão apenas desativados, com a inclusão de decalque informativo no painel. Em uma segunda, prometida para começar em 23 de novembro, as peças defeituosas serão substituídas.

Honda também se enrola

O caso de Diego Carnaval Coutinho, 29, é pior. Morador do Rio de Janeiro (RJ), o professor de educação física comprou um Honda Fit EX 2007 há cerca de seis meses, e descobriu pouco depois que a unidade fazia parte de dois recalls: um era para vedar uma infiltração nos interruptores dos vidros elétricos; o outro se referia às bolsas de segurança da Takata.

"Agendei os dois atendimentos no mesmo dia. Em relação à questão dos vidros, me retornaram pouco tempo depois, aí levei o carro a uma concessionária e solucionei o problema sem nenhuma dor de beça. Só que, nesse caso dos airbags, até agora ninguém me procurou", relatou.

Há algumas semanas, Coutinho foi a uma autorizada da fabricante para comprar um acessório e lá, ao conversar com uma gerente, soube por acaso que as peças para consertar o airbag com defeito estão programadas para chegar em novembro.

Só a partir de então os mais de 830 mil veículos envolvidos no recall começarão a ser chamados para atendimento.

"Ninguém me orientou sequer a desligar o airbag ou a colar um adesivo de alerta", contou o professor. Apesar disso, a luz que indica airbag com defeito não deixa de acender todos os dias no miolo de seu velocímetro. 

Arquivo pessoal
Diego Carnaval Coutinho agendou atendimento em maio, mas já sabe que não verá seu Honda Fit EX 2007 com o dispositivo consertado antes de novembro Imagem: Arquivo pessoal

O que fazer

Manaceis Souza, especialista em defesa do consumidor do Procon-SP, afirmou que as montadoras têm dever de deixar os consumidores cientes quanto aos procedimentos e prazos do recall. "Elas são obrigadas a disponibilizar informações nos canais de atendimento, a realizar o reparo o mais rápido possível e a buscar formas de minimizar o problema", ressaltou.

Marcio Komesu/UOL
Arnaldo Komesu vê luz de alerta no quadro de instrumentos acender todos os dias desde que airbag foi desativado Imagem: Marcio Komesu/UOL
"Caso o proprietário encontre dificuldades ou demora para concluir os reparos, ele pode reclamar diretamente à fabricante. Não havendo solução, a próxima opção é procurar um órgão de defesa do consumidor", completou. De toda forma, é necessário antes seguir o protocolo convencional e agendar um atendimento na rede autorizada.

Desde 2013, quando o escândalo dos airbags da Takata veio à tona, quase 1,5 milhão de veículos vendidos no Brasil, fabricados entre 2003 e 2011, entraram em recall. Além de Honda e Toyota, o problema afetou modelos de Nissan (quase 35 mil unidades), Fiat-Chrysler, BMW e Subaru. Quer saber se o seu automóvel está no meio? Clique aqui. Vai comprar um usado? Verifique se ele consta em alguma campanha no site do Detran ou do Ministério da Justiça.

O outro lado

Procuradas, as assessorias das duas fabricantes não confirmaram, até a publicação desta reportagem, se o cronograma do recall está em atraso para todos os proprietários.

A Honda reiterou que a data para iniciarem os consertos é 3 novembro. Acrescentou ainda que "o problema afetou milhões de veículos, de várias marcas, ao redor do mundo. Com isso, o fornecedor não consegue suprir a demanda global com maior agilidade". Também sinalizou que a "legislação brasileira não permite transporte aéreo de componentes dessa natureza", o que atrasa a chegada dos componentes ao ponto de destino.

Por fim, apontou que não desabilita o dispositivo de seus carros porque "a chance de um problema efetivo ocorrer é de um em milhão, o que significa que motorista e passageiros continuam mais seguros com o airbag ativado em caso de acidente".

Já a Toyota informou que primeiro "terá que investigar o ocorrido junto ao cliente para entender se houve atraso geral ou específico para este caso".

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