Carros

Chefão da Porsche passa a comandar Volks após escândalo

Thomaas Kienzle/AFP
Matthias Mueller sorri em foto de arquivo, à frente do ex-presidente Martin Winterkorn Imagem: Thomaas Kienzle/AFP

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/09/2015 14h06Atualizada em 25/09/2015 14h41

O conselho administrativo da Volkswagen anunciou, no começo da tarde desta sexta-feira (25), que Matthias Mueller, até então chefe da Porsche, é o novo presidente-executivo global da marca.

Aos 62 anos e à frente da Porsche desde 2010, Mueller, vai substituir Martin Winterkorn, que pediu demissão do cargo após a eclosão do escândalo sobre fraude em testes de emissões de poluentes com carros vendidos nos Estados Unidos. Mueller é veterano em estratégia de produto em diversas áreas do Grupo Volkswagen.

Além de Mueller, a Volkswagen também criou uma nova divisão, a Operação de Negócios da América do Norte, nomeando o atual presidente da marca checa Skoda, Winfried Vahland, para comandá-la a partir de novembro. Segundo a agência "Automotive News", essa divisão ficará acima da filiais da Volkswagen dos Estados Unidos, Canadá e México e ajudará a matriz alemã a ter maior controle sobre os rumos da marca no continente. Com esta definição, Michael Horn, presidente da Volks EUA será mantido no cargo -- contrariando expectativas -- por ter forte influência sobre concessionários no país, ao passo em que verá sua influência junto a órgãos, governos e imprensa diminuir.

"Sob meu comando, a Volkswagen fará tudo o que for possível para desenvolver e implementar os padrões mais rigorosos de conformidade e segurança da indústria", afirmou Mueller em declaração à imprensa. O desafio de Mueller à frente da Volkswagen, neste momento, é grande: recuperar a confiança de consumidores em grandes mercados e afastar a desconfiança de técnicos, governos e do mercado. 

"Se conseguirmos estabelecer isso, então o Grupo Volkswagen terá a oportunidade de emergir da crise ainda mais forte do que antes. Temos força de inovação, temos a força das marcas e, acima de tudo, temos equipes motivadas e competentes", concluiu o novo chefão da marca alemã, em fala claramente motivacional.

Ainda nesta sexta-feira, o conselho da marca irá resolver a nova estrutura da empresa e definir um segundo nome assumir o cargo de presidente do Grupo Volkswagen (que envolve, além da própria Volks, as submarcas Audi, Seat, Skoda, Bentley, Bugatti, Lamborghini, Scania, Man, Volkswagen Caminhões, Ducati e Porsche), cargo que Winterkorn acumulava.

Entenda o escândalo

No início desta semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação penal contra a montadora alemã por conta de um software utilizado pela marca para fraudar resultados de testes de emissão de poluentes em quase 500 mil automóveis movidos a diesel naquele país. A fraude foi descoberta por pesquisadores da Universidade West Virginia.

Com o escândalo, representantes da Volkswagen, nos EUA e também na Europa, admitiram o esquema e informaram que o dispositivo eletrônico equipa mais de 11 milhões de automóveis movidos a diesel feitos pela marca e suas subsidiárias (como Audi e Seat, por exemplo) em todo o mundo.

Desde que o caso se tornou público, as ações da Volkswagen acumulam queda de 20%, com expectativa de prejuízos na casa de bilhões. A cúpula da montadora já separou 6.5 bilhões de euros para custear as primeiras despesas, e espera multa de até US$ 22 bilhões só nos EUA.

No Brasil, o único carro que pode contar o software "mentiroso" -- trata-se de um chip que funciona apenas em inspeções, mas que polui normalmente na rua -- é a picape Amarok, equipada com o motor 2.0 TDI de 180 cv. A Volkswagen brasileira ainda não se pronunciou porque também aguarda a divulgação da lista.

Segundo o especialista alemão Gerd Lottsiepen, porta-voz da ONG Clube do Transporte (VCD) -- órgão que luta por uma mobilidade social ambientalmente responsável -- o uso de softwares para fraudar testes de gases poluentes também pode ser usado há anos por outras fabricantes. (com Automotive News)

 

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