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Chefão da VW pede demissão após escândalo de fraudes em motores

Do UOL, em São Paulo (SP), com Reuters

23/09/2015 12h37

O presidente-executivo da Volkswagen, Martin Winterkorn, não resistiu à pressão provocada pelo escândalo de fraude em motores a diesel da marca e anunciou, nesta quarta-feira (23), que está deixando o cargo que ocupava há mais de oito anos.

Em comunicado oficial, o agora ex-mandatário afirmou que, apesar de não ter tido ciência do esquema até que o caso se tornasse público, "aceita para si as responsabilidades pela irregularidade" e que "está deixando o cargo para atender aos interesses da companhia". "A Volkswagen precisa de um novo começo, também em termos de pessoal. Estou liberando o caminho para este novo começo com a minha renúncia", disse.

Na manhã desta quarta, um comitê-executivo de cinco integrantes interpelou o executivo de 68 anos na sede do grupo, em Wolfsburg (Alemanha), onde a decisão foi tomada. Matthias Müller, atual presidente da Porsche, uma das marcas subsidiárias do grupo, é o nome mais cotado para substituir Winterkorn. O conselho da companhia deve tomar essa decisão em reunião marcada para esta sexta (24).

Antes da demissão, na terça (22), o executivo havia gravado um vídeo em que pedia desculpas aos consumidores pela manipulação. Confira:

Entenda o caso

No início desta semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação penal contra a montadora alemã porque esta usou um software para fraudar os resultados de testes de emissão de poluentes em quase 500 mil automóveis movidos a diesel só naquele país.

Diferente do Brasil, onde o uso de diesel só é permitido em utilitários, em solo americano e também na Europa o combustível pode ser usado também em carros de passeio. No caso da Volkswagen, modelos famosos como Golf, Passat e Jetta possuem versões com esse tipo de motorização.

Após a eclosão do escândalo, representantes da Volkswagen, nos EUA e também na Europa, admitiram o esquema e informaram que o dispositivo eletrônico equipa mais de 11 milhões de automóveis a diesel feitos pela fabricante em todo o mundo.

As acusações motivaram outros países a também abrir investigação contra a companhia: nesta quarta, Alemanha e República Checa anunciaram a abertura de procedimentos legais. 

Desde que o caso se tornou público, as ações da Volkswagen acumulam queda de 30%, o que representa prejuízo de mais de 20 bilhões de euros aos acionistas. O prejuízo pode ser ainda maior: a cúpula da montadora já separou 6.5 bilhões de euros para custear as primeiras despesas com os processos que o escândalo deve motivar. Além disso, o valor da multa a ser paga só nos EUA pode chegar a US$ 18 bilhões.

Leia a carta de renúncia de Winterkorn na íntegra: 

Estou chocado com os eventos dos últimos dias. Acima de tudo, embasbacado que seja possível uma falha de conduta como esta alcançar uma escala tão grande no Grupo Volkswagen.

Como CEO, aceito a responsabilidade pelas irregularidades encontradas em motores a diesel e já pedi ao Conselho Supervisor que concorde em encerrar minha função como CEO do Grupo Volkswagen. Estou fazendo isso pelos interesses da companhia, embora não tenha ciência de nenhuma falta de conduta que tenha partido de mim.

A Volkswagen precisa de um novo começo - também em relação ao seu pessoal. Estou deixando caminho livre para este novo começo com a minha saída.

Sempre fui motivado pelo meu desejo de servir a esta companhia, especialmente por nossos clientes e funcionários. A Volkswagen sempre foi, é e continuará sendo minha vida.

O processo de esclarecimento a transparência deve continuar. É a única forma de reconquistar a confiança. Estou convencido de que o Grupo Volkswagen e sua equipe vão superar esta grave crise. 

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