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Miniesportivos: Sandero RS quer superar speed up! TSI; quem leva?

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

2015-09-09T13:59:00

09/09/2015 13h59

A chegada do Volkswagen up! TSI, em julho, foi considerada simbólica pela imprensa automotiva brasileira. Tanto pelo motor 1.0 flex de 105 cv (com etanol), com turbo e injeção direta, quanto pela proposta -- por menos de R$ 50 mil, é um dos carros mais rápidos no mercado, mas também é o mais econômico dos modelos com motor a combustão. Agora é a vez de a Renault contra-atacar com o nervoso Sandero RS, lançado oficialmente nesta quarta-feira (9).

Como informado por UOL Carros, o motor do Sandero RS não aposta na sobrealimentação, mas na maior capacidade: trata-se do F4R, de 2 litros, flex, quatro-cilindros, capaz de gerar 150 cv. O câmbio é conhecido do restante da linha Renault, ainda que tenha reescalonamento.

Com dois lançamentos compactos de nicho em curto espaço de tempo -- ainda que Volkswagen afirme em propagandas e anúncios que seu modelo é "1.0 na hora de abastecer" e "TSI no momento de acelerar", ressaltando a influência do turbo, mas também firmando o pé no baixo consumo -- fica a dúvida: qual o modelo é o mais adequado para quem quer apostar em um primeiro modelo de performance?

Segura a bronca do preço?

Sandero RS e speed up! TSI andam forte, à frente de qualquer outro carro que custe menos de R$ 60 mil no mercado local, na aceleração de 0 a 100 km/h. 

Sandero esportivo custa R$ 58.880 e tem apenas um opcional (presente nas fotos que ilustram a reportagem): rodas de 17 polegadas (na versão padrão, elas são aro 16), calçadas por pneus de menor perfil (205/45), que custam R$ 1.000. O speed up! custa praticamente R$ 10 mil a menos: são R$ 49.990, com o sistema multimídia/navegação/computador de bordo Maps & More, de R$ 1.516 (na soma dos pacotes necessários), como opcional. 

Deve-se pesar, nesse caso, não apenas o porte (o Sandero é compacto "altinho", enquanto o up! é subcompacto), mas a diferença tecnológica.

Motor

Segundo dados oficiais, o Sandero a cumpre em 8 segundos, enquanto o speed up! faz em 9,1 s, sempre com etanol. Essa vantagem no "salto" do Renault, também válido para retomadas, fica por conta do motor maior (2.0 contra 1.0), apesar do uso de turbo e injeção direta no Volks.

Ainda que o Sandero seja mais pesado que o up! (1.161 kg contra 951 kg, nas versões testadas), venceria a disputa em pista fechada empurrado pelo torque de 20,9 kgfm do Sandero (a 4.000 rpm) contra 16,8 kgfm do up! (que tem faixa menor, mas chega quase por inteiro mais cedo, a 1.500 giros).

Câmbio

Neste ponto, uma aula de alemão para francês ver. Os engates do up! são mais curtos e rápidos, mesmo que sua relação de marchas tenha sido alongada para melhorar a economia de combustível -- trata-se da conhecida transmissão MQ200, que estreou no começo dos anos 2000 pelo Polo fabricado no Brasil, mas que ainda não tem uma concorrente com o mesmo nível de acerto.

No caso do Sandero, mesmo que a Renault afirme que "as relações foram encurtadas para maior esportividade", continuamos tendo um câmbio de... Sandero, muito longo e com engates imprecisos. Em uma tocada mais esportiva, é completamente comum confundir terceira com quinta marcha, quarta com sexta.

Murilo Góes/UOL
Ambos andam forte, mas tecnologia está a favor do up!; Sandero é mais tradicional Imagem: Murilo Góes/UOL

Consumo

É certo que clientes comuns de carros esportivos de Sandero RS e speed up! não vão considerar o consumo de combustível como um fator decisivo na hora de escolher entre um e outro. Mas como estamos falando de carros compactos, é bom levar o cálculo em consideração.

Já falamos sobre essa vantagem técnica e tecnológica do up! TSI no duelo da economia com o Fiat Uno Evolution, que tem start-stop (sistema que desliga e religa o motor em paradas rápidas para poupar combustível). Agora, nova vantagem do modelo da Volks neste duelo com o Renault Sandero.  

Enquanto o consumo do speed up!, com gasolina, nunca ficou abaixo dos 13 km/l (predominantemente urbano), o Sandero gastou mais com seu motor maior e comum (aspirado, sem injeção direta): 8,9 km/l no mesmo tipo de uso.

Dinâmica

Quem gosta e pode acelerar um esportivos em pistas fechadas costuma considerar o comportamento do veículo em aproximação de curvas (acerto de suspensão e nível dos freios), mas também nas saídas (força de retomadas, novamente acerto de suspensão e da direção).

Nesse ponto, percebe-se que o Sandero é realmente um carro mais preparado: além de reforços estruturais nas suspensões, que são mais firmes, e na carroceria, sua posição de dirigir é mais propícia, com acerto dinâmico mais justo que o do up!. O carro da Renault ainda traz freios a disco nas quatro rodas, enquanto o up! tem freios traseiros a tambor). Contam pontos também a possibilidade de se usar rodas e pneus mais esportivos e adequados à proposta, caso do Sandero avaliado, com rodas aro 17. Com isso, a sensação de segurança quando o carro está próximo do limite é maior.

Além disso, o Renault é mais espaçoso, tem volante com pegada mais esportiva e oferece bancos dianteiros em formato mais arrojado (com apoios laterais mais salientes), tudo digno de esportivos maiores.

O botão "Sport" no painel do RS é seu trunfo e funciona como um "overboost": marcha lenta mais agressiva e ronco de escape mais grave com um clique, algo inexistente no up!. Há mais: quando pressionado por alguns segundos, este botão ainda desliga os controles de tração e estabilidade do carro, deixando o Sandero totalmente na braço do motorista, ótimo para entusiastas.

Murilo Góes/UOL
Para quem conhece e participa de "track days", Sandero RS será uma boa opção Imagem: Murilo Góes/UOL

Cara de mau

Com melhor acerto para a pista, o Sandero também sobressai quando falamos do desenho de cada um. Apesar do carro da Volks ter adereços esportivos, como o visual das rodas aro 15, as faixas azuis e os detalhes na grade dianteira, o Sandero RS é bem mais adequado à proposta. Saias, spoilers, rodões, faixas e o filete de LED dianteiro o deixam bem distante do Sandero "civil". 

Por dentro, o carro é mais simples e discreto do que poderia ser, ainda que os detalhes façam alusão à divisão Renault Sport: apenas alguns detalhes cromados, costuras e pedaleiras metalizadas. O computador de bordo central é o mesmo utilizado pelo Duster e outros carros da marca, de última geração para a empresa.

Conclusão

Em termos de performance, o Sandero anda mais, faz mais curva e é realmente mais esportivo (inclusive visualmente), mas também bebe mais, seu câmbio joga contra e tem preço maior. Do outro lado, sabemos que o up! não acelera mal, dá um banho no quesito câmbio, é o carro mais econômico do país e custa menos. 

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