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Como descartar corretamente 5 itens em fim de vida do seu carro

Marlene Bergamo/Folha Imagem
Mercado de pneus é o mais maduro em relação ao descarte "ecologicamente correto": fabricantes já conseguem dar destinação adequada a quase 50% dos mais de 1,1 milhão de toneladas vendidos anualmente no Brasil Imagem: Marlene Bergamo/Folha Imagem

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/08/2015 08h00

Com o uso constante, acaba sendo inevitável: em algum momento da vida útil de um automóvel, será preciso trocar itens como pneus, bateria, componentes do sistema de freios e afins. Ao fazer a substituição, aqueles elementos que antes compunham o conjunto se tornam lixo, e aí começa outro problema: que destino devemos dar para que essa sucata não traga problemas ao meio ambiente?

O Brasil já possui resoluções que estabelecem, de forma detalhada, como devem ser tratadas certas partes do veículo, recicláveis ou não, que se tornam inúteis após meses ou anos de utilização. Contudo, a chamada "logística reversa" (procedimento em que produtos inservíveis voltam às mãos de seus fabricantes, que devem dar a eles o fim correto) ainda é uma prática bastante incipiente no setor automotivo, especialmente por questões de custos e pouco interesse por parte dos consumidores.

Quer ajudar a disseminar um pouco mais a ideia? Confira abaixo dicas de UOL Carros para (pelo menos tentar) destinar corretamente cinco resíduos que seu automóvel vai transformar em resto para o planeta.

Pneus

Renato Stockler/Folhapress
Imagem: Renato Stockler/Folhapress
A resolução 416/2009 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) estabelece que, a cada pneu novo vendido no Brasil, um considerado "inservível" receba a devida destinação por parte das fabricantes. Além disso, toda cidade a partir de 100 mil habitantes deve ter pelo menos um ponto de coleta, que pode ser público (como os chamados "Ecopontos" das prefeituras) ou privado (dentro de revendas). Para saber qual o ponto mais próximo a você, clique aqui

Responsável pela coleta, a Anip (associação nacional dos fabricantes de pneumáticos) encaminha os produtos usados para trituração. A borracha moída é então usada na manufatura de solados de sapatos, equipamentos de vedação, pisos para quadras esportivas, tapetes automotivos e até manta asfáltica.

Óleo lubrificante

Lacaz Ruiz/A13/Folhapress
Imagem: Lacaz Ruiz/A13/Folhapress
Outro produto cujo descarte é previsto pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da resolução 362/2005 do Conama. Por conter elementos como compostos oxigenados, resinas, aditivos e resquícios de metais pesados, o lubrificante automotivo é considerado "perigoso", com altos índices de contaminação. Por isso, seu despejo direto no ambiente é proibido. O óleo usado deve ser devidamente encaminhado para o chamado "rerrefino", onde os contaminantes são extraídos e o que sobra serve de matéria-prima para base alfáltica.

Por se tratar de um resíduo de risco, não existem pontos de coleta públicos. O descarte deve ser feito pelo revendedor, mecânico ou posto de combustível responsável pela troca dos fluidos em seu carro. Para ter certeza de que ele dará a destinação correta, exija do profissional os certificados emitidos por coletores autorizados, caso do Sindirrefino (sindicato de rerrefino de óleos minerais).

Filtros de óleo

Roberto Assunção/Folhapress
Imagem: Roberto Assunção/Folhapress
Assim como o lubrificante em si, o filtro do óleo também precisa ser trocado com frequência. Por estar diretamente em contato com o produto, a peça acaba contaminada e também entra na categoria de resíduos perigosos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê que as sobras não podem ser despejadas sem antes passar por um processo de descontaminação: resquícios de óleo passam pelo já citado rerrefino e metais são triturados para reúso em siderúrgicas.

Demais componentes têm de ser coprocessados para geração energética. A Abrafiltros (associação nacional dos fabricantes de filtros de óleo) atua em projeto-piloto de logística reversa em cerca de 30 municípios de São Paulo, Paraná e, mais recentemente, Espírito Santo. "O programa ainda está em fase incipiente", explicou Marco Antônio Simon, gestor de logística reversa da entidade. Independentemente disso, todos os estabelecimentos são obrigados a dar encaminhar adequadamente os filtros de óleo usados. Cabe ao cliente confirmar se a oficina que vai efetuar a troca pratica a ação corretamente.

Baterias

Divulgação
Imagem: Divulgação
Geralmente a bateria de um automóvel só é trocada por um especialista de auto elétrica. Difícil conhecer algum consumidor comum que tenha um trambolho desses guardado em casa, não é mesmo? Portanto, as próprias revendedoras ou assistências técnicas autorizadas são responsáveis por dar o fim correto às peças.

De acordo com a resolução 401/2008 do Conama, lojistas e assistentes são obrigados a redirecionar as baterias esgotadas às fabricantes, que ficam responsáveis pelos respectivos processos de reciclagem, tratamento e despejo final ambientalmente adequado. "Sinceramente, conheço poucos estabelecimentos que seguem a lei", comentou o membro de uma consultoria de gerenciamento ambiental especializada em descartes de baterias ouvido por UOL Carros. A saída? Mais uma vez, cobrar do mecânico os comprovantes de coleta.

Discos, pastilhas e lonas de freio

Ze Carlos Barretta/Folhapress
Imagem: Ze Carlos Barretta/Folhapress
Resíduos do sistema de freios também costumam ficar em posse de oficinas e concessionárias, responsáveis pela troca. Embora não haja uma resolução específica a respeito, a logística reversa deveria seguir os moldes dos demais itens: o mecânico/revendedor fica com as pastilhas, discos e lonas usados, separa os diferentes materiais e dá a destinação correta a cada um deles.

Sucatas metálicas devem ser reaproveitadas em siderúrgicas; restos de lonas passam pelo processo de trituração, para ser reutilizados na composição de lonas novas. O restante, caso o sistema não possua amianto na composição, pode ser depositado em aterros. Entretanto, poucas empresas realizam esse processo, com exceção a alguns projetos-piloto realizados em estados como São Paulo. A solução é pesquisar se há programas que envolvam oficinas da sua cidade.

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