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Qual o câmbio ideal para dispensar pedal da embreagem? Veja opções

Murilo Góes/UOL
Brasileiro troca de marcha cada vez menos; no Honda HR-V, 99% das vendas são de CVT Imagem: Murilo Góes/UOL

Leonardo Felix
Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

07/08/2015 16h22

Há anos o Brasil deixou de ser um país cujo mercado automotivo só abre espaço para carros com câmbio manual. Evolução tecnológica, redução de custos de produção e maior facilidade de manutenção fizeram com que as vendas de veículos com sistema de transmissão que dispensa trocas de marcha manuais disparassem.

Para se ter ideia, a Honda afirma 99% de todos os HR-V -- grande sensação da marca em 2015 -- vendidos são equipados com câmbio CVT (continuamente variável). No caso do Jeep Renegade, seu principal rival, mais de 95% das unidades saem de fábrica com caixa automática de seis ou nove marchas; no Peugeot 2008, também recém-lançado, a participação é de mais de 70%.

Divulgação
Jeep Renegade oferece duas opções de câmbio automático: seis e nove marchas Imagem: Divulgação
"O trânsito das grandes cidades está muito intenso. É possível ter transmissões confiáveis e eficientes em desempenho e consumo a preços acessíveis. O consumidor deixou de ver a tecnologia como algo voltado a 'preguiçosos'", avalia Oswaldo Ramos, chefe de marketing da Ford.

Embora muitas montadoras usem o artifício de chamar todas as versões de automáticas, ou "AT" -- é o caso da Fiat com o Uno, Volkswagen com o Fusca e, mais recentemente, Ford em relação ao Focus --, há quatro tipos diferentes de câmbios que dispensam pedal de embreagem.

Cada uma tem suas próprias características. "É preciso saber qual a melhor combinação de câmbio e motor para sua necessidade, levando em conta peso, objetivo do consumidor e o tipo de ambiente em que ele vai circular", ressalta Lothar Werninghaus, consultor da Audi no Brasil. Confira as diferentes tecnologias e qual é a mais indicada para cada perfil de uso.  

1) Automatizado

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Imagem: Murilo Góes/UOL
É a opção mais simples e barata. O funcionamento é semelhante ao da caixa manual (o automatizado possui embreagem), porém com substituição do pedal de embreagem por um sistema robotizado que realiza o trabalho de engrenar/desengrenar as marchas. Há problemas como solavancos e atrasos na hora das trocas, algo que também compromete o consumo.

"Muitas vezes o motorista tem que aliviar o pé do acelerador para o módulo entender que é hora de subir a marcha", destaca o colunista de UOL Carros e especialista em engenharia automotiva, Fernando Calmon. Por tudo isso, a transmissão automatizada só é indicada a quem quer uma opção de baixo custo e que não se importe com trancos.

Exemplos: 
Volkswagen i-Motion:
up! (R$ 2.400), Gol (R$ 3.380) e Fox (R$ 3.500)
Fiat Dualogic: Uno (R$ 3.254) e Strada (R$ 3.753)
Renault Easy'R: Sandero e Logan (R$ 3.750)

2) Automatizado de dupla embreagem

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Imagem: Murilo Góes/UOL
Embora alguns engenheiros relutem em admitir para evitar confusão com os mal-vistos automatizados de apenas uma embreagem, a transmissão DCT (acrônimo para a expressão, em inglês, Dual Clutch Transmission), de dupla embreagem, é outra caixa automatizada. "Ela também é baseada em uma caixa manual, porém com duas embreagens que se intercalam nas engrenagens de marchas, pares e ímpares, o que deixa as trocas rápidas e eficientes", explica Calmon.

Por ter um conjunto de embreagens maior e mais moderno, a DCT costuma ser mais cara e há mais dificuldades na hora da manutenção. É recomendada a quem deseja um automóvel voltado ao desempenho, sem comprometer o consumo.

Exemplos:
Volkswagen DSG:
Golf, Fusca e Jetta (R$ 7.000)
Ford Powershift: Fiesta e Focus (R$ 5.000)
Porsche PDK: 911
Ferrari F1 Gearbox: F12 Berlinetta, LaFerrari

3) Automático

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Imagem: Murilo Góes/UOL
A melhor definição para o câmbio genuinamente "automático" é aquela em que um sistema epicíclico de discos para conversão de torque substitui a embreagem. Com a evolução tecnológica, tornou-se uma alternativa versátil, que orna com modelos de motorização média ou grande. As trocas suaves e quase imperceptíveis fazem dela ideal para o conforto, mas será preciso pagar um pouco mais para encontrar, em caixas acima de seis marchas, uma boa aliada em relação ao consumo.

"Hoje já é possível oferecer a opção automática tanto para um motor 1.4 quanto para um de 5 litros, o que facilita a produção em larga escala. O custo cai e o cliente ainda pode diluí-lo na parcela do financimento", argumenta Samuel Ross, diretor de marketing da GM, montadora que disponibiliza uma caixa automática de seis marchas para praticamente toda sua linha, do Onix ao Cruze.

Exemplos:
Quatro marchas: Hyundai HB20 (R$ 3.360); Renault Duster (R$ 3.000); Citroën C3 (R$ 3.700); Peugeot 208 e 2008 (R$ 3.700)
Cinco marchas: Honda Civic (R$ 3.000) 
Seis marchas: Chevrolet Cobalt (R$ 3.560), Spin (R$ 4.140) e Cruze (R$ 5.000); Jeep Renegade 1.8 Flex (R$ 5.000), Citroën C4 Lounge (R$ 5.000), Peugeot 308 e 408 (R$ 5.000)
Nove marchas: Jeep Renegade 2.0 diesel (R$ 10.000), Range Rover Evoque

4) CVT (continuamente variável)

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Imagem: Murilo Góes/UOL
Outra comumente chamada de "automática", mas que na verdade é um sistema peculiar de transmissão que substitui engrenagens e escalada de marchas por polias, capazes de criar múltiplas relações de giro entre motor e rodas. Daí o nome "continuamente variável". "Seu uso está totalmente voltado a conforto e consumo, mas é um câmbio que tira a emoção de dirigir", analisa Oswaldo Ramos, da Ford.

Para resolver esse problema, fabricantes como a Toyota, Audi e Honda criaram mecanismos de simulação de marchas para não causar tanta estranheza. Outra limitação é que esse tipo de transmissão não pode ser usado em propulsores que geram muito torque. "Acima de 20 kgfm é praticamente inviável", calcula Calmon.

Exemplos:
Honda:
HR-V (R$ 5.500), Fit (R$ 4.900) e City (R$ 5.000)
Toyota MultiDrive: Corolla (R$ 5.000)
Nissan: Sentra (R$ 5.000)

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