Carros

Chevrolet Camaro estreia sexta geração com polêmico motor 2.0

Eugênio Augusto Brito
André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/05/2015 17h04Atualizada em 20/10/2015 18h13

A General Motors apresenta ao longo deste sábado (16), em Detroit (EUA), onde também fica a sede da gigante automotiva americana, a sexta geração do "muscle car" Chevrolet Camaro, certamente seu modelo mais icônico. Como modelo 2016, o novo cupê esportivo terá a missão de manter o ciclo de sucesso comercial da quinta geração (2010), ao mesmo tempo em que eleva o nível de performance e reduz consumo de combustível e emissões. Tarefa que não será fácil.

Uma das alternativas para cumprir a missão certamente vai deixar causar polêmica entre os puristas. Seguindo os passos da rival Ford, que lançou o Mustang 2015 com opção de motor Ecoboost de 2,3 litros turbo (314 cavalos e 44,24 kgfm de torque), a GM vai equipar uma das configurações do Camaro 2016 com motor Ecotec de 2 litros. Herdado do cupê de quatro portas Cadillac ATS, este quatro-cilindros usa turbo e injeção direta de combustível para gerar 278 cv e 40,78 kgfm de torque -- por conta da performance linear permitida pelo turbo, 90% da força já está disponível entre 2.100 e 3.000 rotações por minuto, sendo que o topo é alcançado na faixa de 3.000 a 4.500 giros.

Mesmo com viés mais econômico, a GM promete aceleração de 0 a 100 km/h em "menos de 6 segundos", com consumo médio de cerca de 12 km/l. 

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Camaro V8 (topo de gama, ao centro) é ladeado por versões 2.0 turbo (cinza) e V6 (azul) Imagem: Divulgação

E o motorzão?

Haverá, claro, motorizações mais potentes e dignas do histórico dos "pony cars". Também da Cadillac, vem o intermediário V6 de 3,6 litros, aspirado, que gera 340 cv e 39,26 kgfm. Repare que neste caso o torque encontrado é inferior ao do motor 2.0. Este motor tem ainda tecnologia de desligamento de dois dos cilindros em baixas velocidades (situações em que roda como um quatro-cilindros).

 

Já a configuração SS, mais completa, seguirá equipada pelo V8 de 6,2 litros, mas do modelo LT1, evolução da família Small Block usado no Camaro Z28 de 1970 e de 1993, bem como no SS de 1996 e na atual geração do Corvette. Também há desativação dos cilindros em baixas rotações (quatro dos oito). Com 20% de mudanças feitas exclusivamente para uso no Camaro 2016, bloco de alumínio e , vai render 461 cv (contra máximos 426 cv do V8 atual) e até 64,42 kgfm de torque.

Com esta configuração V8, a GM afirma que o Camaro 2016 é mais poderoso e divertido de todos os tempos. "Seja pelo primeiro motor turbo da história do carro, pelo eficiente V6 com mais força que muitos dos V8 utilizados em gerações anteriores ou pela volta do V8 LT1, a escolha pelo Camaro vai satisfazer todo tipo de gosto e de desejo por performance", afirma Dan Nicholson, vice-presidente de desenvolvimento global de motores da GM.

Quantos aos câmbios, quatro opções: a caixa manual Tremec R6060 de seis marchas é a mesma do Camaro atual e equipa as configurações básicas do 2.0 e V6; acima dela, a GM disponibiliza a Tremec TR3160 com controles eletrônicos indicando os melhores momentos de troca para o V8. Há ainda novas caixas automáticas de oito velocidades com troca de marcha no volante -- Hydra-Matic 8L45 para o V6, 8L90 para o V8. 

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Bumblebee, é você? Estilo do Camaro mostrado no último filme da franquia "Transformers", em 2014, adiantou elementos visuais do modelo 2016 Imagem: Divulgação

Carisma do Camaro

Quem dirigiu o Camaro anterior sabe que o carro pode ser definido, basicamente, como um motorzão (V6 ou V8) seguido por um habitáculo à moda americana, quadrado e pesado, quase como um tijolo com rodas. Apesar da potência, o câmbio era ineficiente (em comparação a rivais alemães) e o conjunto todo dava pouco controle (o "handling" ou manobrabilidade, que pode ser melhor traduzido como "pegada") ao motorista. 

Ainda assim, uma excelente estratégia de marketing colocou o carro no imaginário público e à frente do rival Mustang em vendas. Foram mais de 500 mil unidades da quinta geração emplacadas em todo o mundo. O carro ganhou em carisma e ficou conhecido por crianças e adultos por conta de sua inclusão como um dos modelos principais da franquia "Tranformers" no cinema -- o personagem Bumblebee, um dos robôs do bem, deixou de ser o Fusca dos desenhos animados para se converter em "muscle car" nas telonas.

No Brasil, sem qualquer empurrão da GM local, o carro virou hit com a balada sertaneja "Camaro Amarelo" da dupla Munhoz e Mariano.  

Para o novo modelo, nova estratégia: a montadora quer um modelo que realmente tenha performance esportiva desde o nascimento. A arquitetura é nova: chamada de Alpha, é a mesma base usada pelo cupê de luxo Cadillac CTS. Graças ao novo processo de fabricação e ao uso de metais nobres, leves e resistentes (rigidez estrutural 28% superior), o novo chassis é até 90 quilos mais leve que o da geração anterior. Componentes como o alumínio estão por toda parte -- carroceria, capô, teto e também em blocos e pistões do motor e em peças dos novos conjuntos de suspensão. 

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Sem essa de retrô: cabine tem até conexão 4G de celular para agradar aos "novinhos" Imagem: Divulgação

Camaro fininho

Assim, aerodinâmica é um termo que parece ecoar como mantra para o novo Camaro: a GM diz ter gasto 350 horas de trabalho em túnel de vento para desenvolver o modelo 2016, que tem ângulos de grade frontal, vincos de capô e um recorte que parece dividir em dois o teto -- tudo para melhorar a penetração e fazer o carro andar mais e, claro, consumir menos.

Há ainda uma mudança de identidade, que adianta os próximos passos de toda a gama da Chevrolet. É possível identificar o novo Camaro, facilmente, como aparentado do novo Impala e do sedã topo de gama SS, mas também das novas gerações de Spark, Cruze, Bolt e Volt, que começam a ganhar as ruas.

Com novos materiais e perfil aerodinâmico, o Camaro 2016 acabará sendo mais comprido, só que também mais esguio que o atual, quando as primeiras unidades deixarem a fábrica de Lansing (Michigan, EUA), em outubro: são 4,78 metros de comprimento (contra 3,57 m do Camaro 5), mas com espaço entre-eixos de apenas 2,81 m (são 2,85 m do Camaro atual). Só para comprar, o Cadillac ATS que passa a compartilhar plataforma com o Camaro tem 4,96 m de comprimento e 2,91 m de entre-eixos.

Além do visual, elementos específicos marcam esta nova geração, caso do emblema tricolor em forma de escudo e da assinatura de luzes da tela digital que complementa o painel de instrumentos. E para mostrar que nem tudo se resume a motor gigante e som borbulhante, a GM apostou pesado em conectividade com o novo sistema MyLink, que inclui até conexão de celular 4G e ligação direta com smartphones para uso e compartilhamentos de aplicativos no centro do painel.

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