Carros

Toyota Etios Platinum anda como "carrão" sem justificar R$ 54.340

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

11/05/2015 13h50

Em setembro do ano passado, a Toyota apresentou novidades sutis na família do Etios. O bizarro quadro de instrumentos, localizado no centro do painel, foi remodelado para facilitar a visão do motorista, e uma nova versão entrou na gama: a Platinum, munida de grade dianteira totalmente cromada (para "alinhá-lo" com o Corolla) e central multimídia com tela de toque.

As mudanças passaram longe de revolucionar o compacto, mas, segundo a marca, seriam suficientes para aumentar o refinamento e, assim, segurar os satisfatórios índices de venda -- que levaram a fabricante a anunciar, em janeiro, a expansão da capacidade de produção do modelo na fábrica de Sorocaba (SP) -- nos quatro primeiros meses de 2015, foram 18.726 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave (associação dos concessionários).

Devido ao entre-eixos de 2.55 metros, acima da média do segmento, e à impressionante capacidade do porta-malas na configuração sedã -- 562 litros --, a família Etios vive uma situação peculiar: a configuração três-volumes vende quase o mesmo que a hatch, sendo responsável por mais de 40% dos emplacamentos.

Justamente por isso, UOL Carros testou a versão mais completa do Etios Sedã, a 1.5 Platinum (R$ 54.340), por mais de 1.200 quilômetros. A conclusão é de que o compacto vale, sim, a pena, desde que seja para quem busca desempenho, espaço interno, conjunto mecânico harmonioso... e só. No visual, acabamento e pacote de equipamentos, o compacto ainda fica devendo para a concorrência.

Murilo Góes/UOL
À noite, cabine vira um "breu", ficando impossível enxergar alguns comandos do cluster Imagem: Murilo Góes/UOL

O que tem

No caso da versão Platinum, a grande novidade é o sistema multimídia com tela tátil, TV digital, DVD, navegador GPS, câmera de ré com gráfico fixo e conexão Bluetooth. Ele tem bons gráficos e é simples de manusear, mas possui duas grandes falhas: o áudio é ruim, mesmo para os padrões de um "popular", e o som simplesmente "trava" quando se muda a tela do rádio para o mapa, por exemplo.

Comparando com versões de topo dos rivais, o Etios Sedã quase sempre fica devendo: o Ka+ SEL 1.5 (R$ 50.900), por exemplo, agrega controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas e vidro do motorista antiesgamento com função "um-toque" completa (também funciona para subi-lo). Já o Hyundai HB20S 1.6 Comfort Style (R$ 52.735) inclui chave canivete e ganchos para cadeirinhas infantis no banco traseiro.

O Volkswagen Voyage Evidence 1.6 (R$ 58.520) possui rodas aro 16 e retrovisor direito que rebate automaticamente em manobras à ré para o motorista enxergar o meio-fio. Até o computador de bordo do Chevrolet Prisma 1.4 LTZ (R$ 56.790) é mais completo, pois já conta com dados de autonomia, consumo médio e temperatura externa.

Como anda

Bonito já sabemos que o Etios não é, e nem o excesso de elementos cromados na grade, tampa do porta-malas e retrovisores fazem mudar essa impressão. O compacto também tem acabamento simples e problemas de iluminação interior: à noite, a cabine vira um "breu", ficando impossível enxergar os comandos para trocar informações do cluster.

Se você estiver disposto a ignorar todos esses detalhes, terá nas mãos um "carrão". Nos números, o motor 1.5 flex -- 92/96,5 cv de potência (gasolina/etanol), e 13,9 kgfm de torque (com os dois tipos de combustível) -- pouco impressiona. Entretanto, a boa relação peso-potência (o Etios pesa 955 kg, enquanto todos os rivais passam de uma tonelada), a surpreendente eficiência aerodinâmica e a relação afinada com a transmissão manual de cinco marchas o fazem ter excelentes respostas, especialmente na estrada.

A estabilidade da carroceria em curvas e as bem ajustadas suspensões também impressionam. O conforto só não é maior porque os bancos não são ergonômicos.

Portanto, por mais que a Toyota tente, jamais conseguirá deixar a atual geração do Etios com estilo e refinamento de um HB20, por exemplo. Por isso, precisa focar em seus pontos fortes: o compacto é para quem não "compra o livro pela capa", e prioriza puramente o prazer de dirigir.

Murilo Góes/UOL
Dinâmica do sedãzinho é agradável, mas só; visual traseiro é causador de polêmica Imagem: Murilo Góes/UOL

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