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Suzuki S-Cross parte de R$ 74.900 e traz 4x4 para atrapalhar HR-V

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, no Guarujá (SP)

24/04/2015 00h01

Até o começo do ano, todo SUV pequeno lançado no Brasil queria vencer ou tirar uma lasca do mercado do pioneiro Ford EcoSport. Tudo mudou desde março, com a chegada de novos competidores, mais equipados e atualizados: no começo de abril, o estreante Honda HR-V já bateu os rivais em vendas a passa a ser o modelo a ser ultrapassado. Ou atrapalhado. Esta é a pretensão explícita da Suzuki: mesmo pequena em participação -- são 54 lojas no Brasil --, a marca espera roubar clientes da Honda (que já são tirados da Ford, Renault e Chevrolet, entre outras) com seu novo crossover SX4 S-Cross.

O que ele tem para atrair quem iria direito para o HR-V -- ou para Renegade, Peugeot 2008 e (por quê não?) Mitsubishi ASX? Tração 4x4 sob demanda em parte das versões, algo que o modelo da Honda nem sonha em oferecer e que é entregue pelo jipe apenas em configurações a diesel. O S-Cross usa gasolina.

Pacotes e preços são os seguintes:

+ Suzuki SX4 S-Cross 2WD MT GL: R$ 74.900
Básico, é equipado com câmbio manual de cinco marchas, ar-condicionado comum, sistema multimídia com Bluetooth, rodas de liga leve aro 16 (pneus 205/60) e tração dianteira 4x2; segurança completa é garantida por freios com ABS (antitravamento), EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), BAS (auxílio de frenagem de emergência) e BOS (brake override, que inibe acelerador durante frenagens, se ambos forem usados equivocadamente), duas ancoragens Isofix para cadeirinhas; cintos com pré-tensionador e airbag duplo frontal, entre outros itens.

Cores metálicas e perolizadas custam R$ 1.400 extras.

+ Suzuki SX4 S-Cross 2WD CVT GLX: R$ 88.900
Mantém tração 4x2 e bancos com revestimento de tecido, mas ganha rodas aro 17 (pneus 205/50), câmbio automático CVT (relações infinitas, mas que imita sete marchas) com aletas no volante, ar-condionado digital com duas zonas de resfriamento e passa a ter controles de tração e estabilidade, assistente em rampas e total de seis airbags (duplo frontal, duplo lateral e duplo de cortina).

+ Suzuki SX4 S-Cross 4WD CVT GLX: R$ 95.900
Passa a ter tração integral, sob demanda, com seletor de modo de condução e bloqueio do diferencial, bem como revestimento de couro para bancos e portas.

+ Suzuki SX4 S-Cross GLS CVT 4WD: R$ 105.900
Mais completa, traz sempre tração 4WD, câmbio automático CVT, rodas aro 17 com pneus 225/50, faróis com facho bi-xênon e pontos de LED para iluminação diurna, teto solar elétrico de dupla abertura, além da sistema multimídia com tela sensível ao toque de oito polegadas e ambiente operacional Android 4.1, que pode ser conectado por wi-fi (sinal sem fio) a telefones celulares de modo a permitir o download de aplicativos (agenda, música, o navegador Waze...) para a memória do carro.

Esta configuração pode ser personalizada com carroceria e teto em cores diferentes, por R$ 1.000 extras, além de contar com tons exclusivos (bronze e bronze/bege).

Murilo Góes/UOL
Versão GLS passa do patamar de R$ 100 mil com itens visuais, de segurança e tecnologia Imagem: Murilo Góes/UOL

Alça de mira

Como citado, a Suzuki espera roubar clientes que migrariam de sedãs médios como Corolla e Civic, bem como do EcoSport para o HR-V. Executivos também afirmam que podem conseguir atrair quem se interessa pelo compatriota Mitsubishi ASX (que, curiosamente, é vendido pelo mesmo grupo Souza Ramos no Brasil) ou por SUVs maiores, grandes e dispendiosos demais para o uso cotidiano.

Não se fala, porém, em modelos como o novo Renault Duster (que é maior, mais barato e também tem opção 4x4, ainda que tenha menos equipamentos, itens de segurança e refinamento), nem no Peugeot 2008, que UOL Carros achou muito semelhante em termos de proposta, ainda que o modelo francês seja apenas 4x2.

Como meta, a Suzuki espera entregar de 1.500 a 1.600 unidades em 2015 -- o mesmo que a Peugeot espera entregar de 2008 em um mês. O objetivo é modesto, mas pode melhorar bastante em anos cheios e com bom desempenho: cerca de 250 carros ao mês, chegando a 3 mil em 12 meses.

Ainda parece pouco, já que HR-V, Renegade, EcoSport e Duster terão de vender mais que isso em um mês. Mas é o suficiente para a marca pode crescer até 25% em sua participação. É a "mágica" do segmento mais aquecido da indústria, no mundo e no Brasil. "Não pretendemos entregar volume, queremos entregar uma experiência diferenciada para nosso cliente e oferecer o que o HR-V não pode", afirmou Luiz Rosenfeld, presidente da Suzuki do Brasil.

Amplo, leve e... CVT

De fato, o S-Cross é praticamente tudo o que a Suzuki diz que ele é. Tem o DNA japonês para carros, o que significa que se o visual pode ser excêntrico, a qualidade é sensível e quase inquestionável. O espaço interno é amplo, a visibilidade excelente e faz bem usar as mãos para sentir o acabamento bem executado.

Em movimento, percebe-se que a nova plataforma -- que faz uso de materiais nobres para maior resistência com redução de peso em cascata -- garante leveza e destreza de movimentos ao crossover. E quem preza por ter o carro na mão, com agilidade, precisa comprar a versão com câmbio manual, que aproveita todo o potencial do motor. Pena que quase nenhum dos prováveis compradores vai optar por esta configuração.

Perceba que não falamos da motorização até aqui. Foi de propósito: por ter um modelo leve demais (apenas 1.190 quilos na versão GLS 4WD), a Suzuki se permitiu usar apenas o motor 1.6 16V aspirado e a gasolina, numa espécie de "downsizing" conceitual. Com 120 cavalos e 15,5 kgfm e trabalhando sempre abaixo dos 3 mil giros, o motor se mostra suficiente para movimentar a massa do S-Cross sem sustos, ainda que sem arroubos também.

Haverá alguma perda -- uma certa monotonia -- com o câmbio CVT, justamente em todas as versões que serão realmente vendidas. É um comportamento típico do sistema automático com relações infinitamente variáveis. O ganho aqui se dá no conforto e no consumo: a configuração 4x2 CVT recebeu nota A do Inmetro e selo de eficiência do Conpet, com media laboratorial prometida de 11,9 km/l para cidade, 13,2 km/l na estrada. E é com isso que a Suzuki se importa.

UOL Carros prefere desempenho, mas os números impressionam: rodando 130 quilômetros com a versão 4WD, majoritariamente em rodovia, o computador de bordo apontou exatamente esta marca. Se a sua procura é por um dos novos SUVs e crossovers, o S-Cross merece um test-drive.

Murilo Góes/UOL
Suzuki aposta no 4x4 sob demanda -- que é capacidade apenas das versões intermediárias e de topo -- para tirar vendas do HR-V, novo hit do mercado Imagem: Murilo Góes/UOL

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