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Volkswagen Gran Santana é releitura chinesa malfeita do Golf

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Aposentado no Brasil, Santana ainda vive na China, em três gerações diferentes Imagem: Johannes Eisele/AFP

André Deliberato

Do UOL, em Xangai (China)

22/04/2015 11h12

Há alguns anos a Volkswagen se divide entre diversas joint-ventures na China para vender a maior quantidade possível de automóveis no país, afinal seu objetivo é ser o maior grupo automotivo do mundo até 2018. Por aqui, são ao menos três empresas distintas (Volkswagen, Shanghai-Volkswagen e Faw-Volkswagen), que oferecem vários sedãs e hatches com nomes diferentes, embora parecidos em tamanho e propostas. A ideia é simples: oferecer produtos em todas as categorias e preencher todos os espaços no mercado.

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Formato das lanternas traseiras bipartidas, com base da parte interior em diagonal, é tentativa grosseira de imitar o Golf Imagem: Newspress
Nem que para isso seja preciso... criar uma versão hatchback do já defasado sedã Santana, chamada contraditoriamente de Gran Santana. UOL Carros conheceu o hatch -- que tem um quê de perua -- nesta terça (21) no Salão de Xangai.

O curioso é que o nome Santana, de cara, nos faz lembrar do sedã quadradinho dos anos 1990, aquele que deixou de ser produzido e vendido há alguns anos, certo? Não: ele ainda existe na China, em três gerações diferentes, sendo que o mais antigo (esse que se desenhou na sua cabeça) é um dos mais vendidos.

No caso do Gran Santana, uma das novidades das "Volkswagens" no evento, pode-se dizer sem remorso que é uma releitura mal-resolvida do atual Golf -- seus traços são claramente inspirados nos do hatch, porém com materiais muito menos nobres na construção. A linha de motores contará com opções aspiradas de 1,6 ou 2 litros, e com o 1.4 TSI de 140 cv (o mesmo do Golf). O câmbio poderá ser manual ou automático DSG (para a configuração turbo). 

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Couro sintético de cor clara nos bancos e plástico imitando madeira no painel até tentam dar ar refinado, mas não se engane: Gran Santana usa materiais simples e baratos Imagem: Newspress
A frente é praticamente a mesma do Santana três-volumes, e exibe o atual padrão visual da marca, utilizado também por outros carros locais (Lavindo, Lavida, Gran Lavida, Bora e o próprio Jetta): simples e, de certa forma, moderno e elegante. A traseira usa uma grosseira lanterna que imita o formato da peça utilizada pelo Golf, mas novamente com recursos de menor qualidade. Vincos e recortes da carroceira, de tão retos que são, chegaram a confundir alguns jornalistas locais, fazendo-os chamar o Gran Santana de perua.

Na opinião de UOL Carros, ele é um hatch médio desengonçado que pode, no máximo, ser chamado de shooting-brake. E que deveria passar bem longe do Brasil.

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