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Peugeot 2008, R$ 67.190, é o SUV pequeno mais acertado; faltou câmbio

Eugênio Augusto Brito

De Santo André (BA)

07/04/2015 20h22Atualizada em 04/05/2015 15h51

Todos sabiam -- jornalistas especializados, consumidores e, claro, marcas rivais --, desde o Salão de São Paulo de 2012,  que a Peugeot faria no Brasil um SUV compacto baseado no 208, hatch que surgiu naquela edição do evento. Jogada ensaiada para ser efetiva e bonita, mas que acabou executada sem velocidade: todos os rivais, incluindo os que sequer haviam sido anunciados, chegaram antes.

Se o "tempo da bola" foi perdido, os franceses seguem acreditando na estratégia: após meses de espera e pelo menos três antecipações, incluindo presença no último Salão do Automóvel, em outubro, e testes com a imprensa em carros de pré-produção (para o acerto da fábrica), o 2008 está prestes a estrear. 
 
UOL Carros pôde rodar por quase 140 quilômetros, nesta terça-feira (7), entre Santo André e Santa Cruz Cabrália (localidade baiana que ficou conhecida mundialmente como ponto de concentração da seleção de futebol alemã durante a Copa de 2014), com o 2008 em sua versão final e aponta: em termos dinâmicos, ele é o mais acertado do segmento.

Escalação do Peugeot 2008

Estão definidas cinco versões de motorização/acabamento:


+ Peugeot 2008 Allure 1.6 -- R$ 67.190 
Motor Flexstart (o mesmo de Citroën C3, AirCross, Peugeot 208 e 308), aspirado, bicombustível, com 115/122 cv de potência e torque de 15,5/16,4 kgfm a 4.000 rpm (gasolina/etanol) e câmbio manual de cinco marchas. Estão na lista de equipamentos de série: direção com assitência elétrica; painel de instrumentos em LCD com computador de bordo; ar-condicionado de duas zonas; regulador de velocidade; vidros elétricos dianteiros e traseiros; retrovisores externos com ajustes elétricos; central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas; farois de neblina; LEDs para luzes diurnas e lanternas; rodas de liga-leve de 16 polegadas calçadas por pneus 205/60 R16 e  sensor de estacionamento traseiro, além de cintos de segurança de três pontos em todas as cinco posições (apoios de cabeça com ajuste em quatro posições) e os obrigatórios freios com ABS (antitravamento). Há surpresas interessantes (considerando que o mercado brasileiro ainda é pouco afeito a elas): freios a disco nas quatro rodas e quatro airbags como padrão.

+ Peugeot 2008 Allure 1.6 4 A/T -- R$ 70.890 
Troca o câmbio manual pela antiquada caixa automática de quatro marchas da família PSA, com borboletas de troca no volante.

+ Peugeot 2008 Griffe 1.6 -- R$ 71.290
Acrescenta à lista do Allure manual: revestimentos misto dos bancos (couro e tecido); sensor de obstáculo dianteiro; acendimento automático do farol e do limpador do parabrisa; acabamento diamantado nas mesmas rodas de 16 polegadas; arcos cromados nos vidros e teto panorâmico de vidro.

+ Peugeot 2008 Griffe 1.6 4 A/T -- R$ 74.990 
O pacote anterior,  com tudo que foi citado, mais o câmbio automático de quatro marchas e borboletas para trocas manuais. 

+ Peugeot 2008 Griffe 1.6 THP -- R$ 79.590 
Troca o motor aspirado pelo THP (turboflex lançado pelo Citroën C4 Lounge), com 165/173 cv e torque de 24,5 kgfm a 1.750 giros (gasolina/etanol), sempre com câmbio manual de seis marchas.

Informações obtidas por UOL Carros apontam que "questões técnicas" impediram o uso do câmbio automático pretendido, o de seis marchas do DS5.

De fato, os projetos usam plataformas diferentes -- o modelo premium da Citroën é um médio, enquanto a família 208/2008 é compacta -- o que pode ter impossibilitado o uso da caixa.

A Peugeot argumenta que o uso do câmbio L4, de quatro marchas, é também comercial. O objetivo, segundo executivos, é "oferecer a opção automática mais acessível do segmento de SUVs compactos".

Em termos de equipamento de série, além de diferenças de acabamento internas e extrernas, o 2008 THP acrescenta programações ao sistema eletrônico dos freios com ABS, que permitem executar controles de estabilidade, de tração, Hill-Assist (auxílio para partidas em rampas) e ainda a seleção de modos de direção.

Esta configuração, chamada de Grip Control, deixa o controle de estabilidade mais maleável e traz ajustes para Neve, Areia, Lama, bem como o desligamento total do ESP. Há ainda apoios de cabeça para todos os bancos e um total de seis airbags.


Uma única cor é "item de série", a vermelho Rubi. Todas as demais são opcionais, pagas à parte: branco Banquise, branco Nacré (perolizado), cinza Aluminium, marrom Dark Carmin e preto Perla Nera.
Divulgação
2008 tem força e joga bem, mas Peugeot "esqueceu" câmbio automático. Será que vai? Imagem: Divulgação

Como joga

Pelo menos em sua configuração topo de gama, a Griffe, há apenas um escorregão: o motor turboflex 1.6 de 173 cavalos (etanol) trabalha apenas com câmbio manual de seis marchas. As versões básicas e intermediárias, com motor 1.6 aspirado, sofrem, não pela potência e torque menores, mas por terem apenas opções manual de cinco marchas e automática... de quatro velocidades.

Bola fora para um segmento que exige conforto.

O restante parece adequado: o acabamento é bem executado, ainda que não haja firulas com plástico suave ao toque ao longo da cabine (há plástico duro com pinturas diferentes); os bancos poderiam ter melhor ajuste, mas acomodam o corpo de modo regular se você tiver até 1,80 m de altura; a direção é bastante precisa; a suspensão foi acertada à perfeição, assim como o fôlego do motor THP, que parece estar sempre sobrando -- o segredo está na relação entre peso e potência, já que o 2008 é mais leve entre seus rivais, com a versão mais pesada (Griffe A/T) tendo apenas 1.236 quilos, enquanto o EcoSport mais leve tem 1.243 kg.
 
Assim, um modelo altinho, com ótimo espaço para cinco pessoas e 355 litros de bagagem, parece sempre estar fazendo curvas com maestria, mostrando força para esticadas e disposição para terrenos irregulares ("irregular" não é offroad, mas os controles eletrônicos permitirão encarar alguns pisos mais maltratados). 
 

Promessas

A Peugeot pretende vender cerca de 1.000 unidades mensalmente, número bem mais modesto que o dos rivais (pouco mais de 5 mil/mês), sendo que 70% do mix de vendas será para versões automáticas.

Já para o pós-venda, a marca oferece garantia e assistência diferenciada por três anos, além de planos de revisão com valores fixos: R$ 372 aos 10 mil quilômetros; R$ 600 aos 20 mil km; R$ 372 aos 30 mil km; R$ 916 aos 40 mil km; R$ 616 aos 50 mil km e R$ 600 para a revisão de 60 mil km, no caso do 2008 1.6 flex. Para o 2008 THP, os valores cobrados são de R$ 426, R$ 704, R$ 426, R$ 992, R$ 426 e R$ 704, respectivamente.
 

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