Carros

Motoristas ligados em tecnologia já trocam de carro como se fossem iPhones

Alexandra Mondalek e Jeffrey Green

Da Bloomberg

24/02/2015 14h05

Mike Fine estava bastante feliz com seu Nissan Xterra 2011. Até que viu o carro de seu filho. O Jeep Grand Cherokee 2015 foi abarrotado de tecnologia: uma tela sensível ao toque carregada de aplicativos, Bluetooth, tração nas quatro rodas e partida por botão. O Nissan não tinha nada disso.

Fine fez o que muitos pais fariam: abandonou o SUV da Nissan com quatro anos de uso e comprou seu próprio Grand Cherokee. "Comparado com o Xterra, isso aqui é um confortável ônibus espacial", disse Fine, que vive Hingham, Massachusetts (Estados Unidos).

A compra de novos produtos por inveja tem ajudado a Apple a vender milhões de iPhones caros. Agora é a vez da indústria automotiva, graças a uma série de novas tecnologias que tornam os carros mais seguros e fáceis de dirigir. Recursos essenciais como sensor de estacionamento e acesso sem fio à internet têm ajudado as fabricantes de automóveis a se recuperarem de um 2009 ruim e a cobrarem preços recordes por seus veículos.

Divulgação
UOL Carros avisou em 2013: normalmente, um carro leva oito anos para envelhecer, com uma reestilização no meio deste prazo. Esse "ciclo de vida" automotivo chama-se geração e coincide com o processo de desenvolvimento dos próximos carros. Mas montadoras como Kia (do Cerato na foto), Honda e mesmo a Volks já cogitam acelerar o processo por conta de novas tecnologias de construção, como as plataformas modulares, que reduzem custo de produção e facilitam o compartilhamento de peças. Imagem: Divulgação

Sexto ano de crescimento

As novas engenhocas e a queda dos preços do petróleo estão impulsionando a demanda. Neste ano, as fabricantes de automóveis deverão vender 16,9 milhões de veículos e ter um sexto ano consecutivo de crescimento.

E em uma mudança potencialmente drástica no comportamento de compra, muitos motoristas estão trocando seus carros com mais frequência para conseguirem a tecnologia mais atual. A duração média de um leasing automotivo -- forma comum para se adquirir carros nos EUA -- caiu para cerca de 36 meses no ano passado, segundo o Edmunds.com, site que monitora informações de aquisições de veículos. É o menor período registrado pelo Edmunds. Em alguns meses, os leasings encolheram para menos de três anos -- não muito mais que o ciclo de substituição de um smartphone.

"Os consumidores querem uma experiência perfeita dentro e fora do veículo", disse Brian May, que administra os serviços comerciais de veículos conectados da Accenture na América do Norte. "As coisas que eles experimentam em um iPhone ou no Android são as coisas que eles querem experimentar em um carro".

Frederic J. Brown/AFO 19.11.2014
Novo Ford Edge, que desembarca no Brasil no final do ano, mas já é oferecido aos americanos tem a terceira geração da central Sync, ligada à internet, além de recursos que permitem até que o carro se estacione sozinho na vaga sem ação do condutor. Imagem: Frederic J. Brown/AFO 19.11.2014

Ansiosos por tecnologia

Por anos, os motoristas americanos ficaram famintos por tecnologia, porque as fabricantes de automóveis de Detroit, em dificuldades, não contavam com recursos para levar avanços promissores para as concessionárias. Veio, então, o resgate da General Motors (pela Casa Branca) e da Chrysler (pela Fiat), e logo uma indústria novamente rentável começou a encher os veículos de engenhocas transformadoras.

Tudo isso aconteceu tão rapidamente que muitos carros com 10 anos de idade ficaram parecendo cápsulas do tempo. O infoentretenimento e os recursos de segurança que agora são lugares-comuns eram virtualmente inexistentes em 2005.

Menos de um terço dos modelos de 2005 tinham tecnologia antiderrapagem e menos de 12% contavam com câmeras de ré, recursos encontrados em quase todos os modelos 2015, segundo dados da IHS. Em muitos carros, não se podia colocar um iPod para tocar pelo som do carro. O sistema de navegação muitas vezes era preso ao para-brisa com uma ventosa.

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O painel de instrumentos totalmente personalizável do Dodge Dart (feito sobre base Fiat) o aproxima de modelos alemães. Imagem: Divulgação

Pulando uma geração

"Nós basicamente pulamos uma geração em termos de tecnologia e é isso que estamos vendo sair agora", disse Kevin Tynan, analista automotivo sênior da Bloomberg Intelligence. "Seu carro de 5 anos parece que tem 10 ou 12".

A nova tecnologia não é barata. Desde 2009, os preços médios das transações por veículos subiram US$ 3 mil (cerca de R$ 8.500 no câmbio atual): US$32.100 (R4 91.400) é o valor médio de um modelo, disse Tynan. Mas as baixas taxas de juros e os empréstimos longos nos EUA estão tornando a nova geração de modelos mais acessível, disse ele.

As fabricantes de automóveis que lançarem novas tecnologias mais rapidamente ganharão uma vantagem, disse Karl Brauer, diretor sênior de ideias e análises da Kelley Blue Book. Ele diz que as compras de carros estão se tornando muito parecidas à compra de um smartphone novo.

"Você definitivamente não precisa de um iPhone novo", disse ele. "Mas você quer um".

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