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Com mesma base, montadoras criam de carrinho chinês a jipão sueco

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A base do Golf 7: MQB é aposta da VW para fazer mais com menos e se tornar líder Imagem: Divulgação

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo

23/02/2015 13h48

Produzir mais gastando menos recursos -- e, portanto, dinheiro -- é a base da indústria capitalista, inclusive dos fabricantes de carros. Nos últimos anos, com o desenvolvimento da tecnologia, o mote ficou ainda preciso com o uso das chamadas plataformas globais. Funciona assim: linhas de montagens idênticas, espalhadas por todo o mundo, são capazes de produzir diversos modelos, dos mais variados portes e preços, sempre de acordo com a necessidade do mercado.

Há menos de uma década, ainda era padrão ter plataformas diferentes produzindo modelos de portes diferentes, o que encarecia a produção e criava desníveis abissais entre produtos vendidos em diferentes mercados. Bases compactas só poderiam fazer hatches, sedãs e alguma terceira derivação (perua, crossover, SUV) de porte pequeno. Agora, a necessidade (ou criatividade) da montadora é o limite.

Uma das mais plataformas mais conhecidas é a MQB, da Volkswagen. A sigla vem do alemão "Modularer Querbaukasten", algo como "base modular tranversal", e designa uma única matriz para fabricar modelos de qualquer tamanho ou segmento, de compactos (como o Polo europeu, que passará a ser montado nesta base) a sedãs grandes e SUVs grandes (como o gigante CrossBlue), desde que equipados com motor transversal.

Com base nessa universalização dos automóveis, UOL Carros mostra dez plataformas de última geração desenvolvidas nos últimos anos. Confira.

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1. VOLKSWAGEN MQB: plataforma da marca pode fazer de compacto a SUV grande Imagem: Divulgação
É com base nessa plataforma que a Volks planeja "dominar o mundo". Inaugurada pelo Audi A3 em 2012, ela tem como objetivo produzir a maior quantidade possível de modelos sobre uma mesma base, por meio do uso comum de componentes. Na MQB, apenas uma medida é inalterável: a distância entre o centro do eixo dianteiro (o meio das rodas) e os pedais na cabine -- as demais medidas podem "crescer" ou "diminuir".

Principal característica: totalmente modular, pode fazer de compactos a SUVs; só utiliza motores transversais devido à distância imutável.
Principais carros produzidos: Audi A3, Q3 e TT, Volkswagen Golf e Scirocco, Seat León, Skoda Fabia e Octavia.

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2. VOLVO SPA: elaborada junto com a Geely, pode fazer de subcompacto ao XC90 (foto) Imagem: Divulgação
A Volvo saiu das mãos da Ford e nos últimos anos foi adquirida pela chinesa Geely, que prometeu revolucionar a marca sueca. A maior aposta está nas plataformas CMA e SPA. A última foi introduzida no mercado com o lançamento da nova geração do XC90, SUV grande sueco que poderá andar sozinho, no Salão de Paris do ano passado. Ao mesmo tempo em que pode fazer o jipão, a base também será a responsável por produzir carros menores, até médios. A CMA, feita também para carros médios e subcompactos (que também compartilharão peças com os modelos feitos sobre a SPA), deverá se dedicar à produção dos modelos mais baratos do grupo, incluindo os pequenos carros da Geely, que há alguns meses começou a operar no Brasil.

Principal característica: assim como a MQB, apenas a medida entre o centro do eixo dianteiro e os pedais é fixa e somente motores tranversais se encaixam.
Principais carros produzidos: Volvo XC90, próxima geração dos modelos da Volvo, próxima geração de subcompactos da Geely.

MCT/Reprodução
3. FORD CD4: plano "One Ford" promete oferecer carros globais em todos os países Imagem: MCT/Reprodução
A Ford foi a primeira montadora a oferecer ao mercado brasileiro uma linha de carros completamente global, parte da estratégia "One Ford", que simplifica tudo em cada escritório da empresa no mundo, do uso de clipes de papel à criação de automóveis. Uma das plataformas utilizadas dentro deste planejamento é a CD4, que produz modelos médio-grandes, alguns deles conhecidos no Brasil, como o sedã Fusion e o crossover Edge.

Principal característica: pode fabricar híbridos e permite que os modelos tenham tração dianteira, traseira ou integral.
Principais carros produzidos: Ford Fusion/Modeo, Edge, Mustang e as próximas gerações de Taurus, S-Max, Explorer e modelos da Lincoln (submarca de luxo).


Reprodução/Carplace
4. FIAT SCCS: Jeep Renegade (foto), Fiat Punto e Opel Corsa (GM) têm a mesma base Imagem: Reprodução/Carplace
Acredite: os novíssimos Jeep Renegade e Opel Corsa 5, um SUV e um hatch de duas marcas distintas (Fiat-Chrysler e GM), compartilham a mesma base de produção. A plataforma SCCS, desenvolvida pela Fiat, em 2002, já produziu o Punto e o Alfa Romeo MiTo. Atualmente desenvolvimentos paralelos ajudam a fazer, entre outros, Adam, Corsa e Meriva, da Opel (a "Chevrolet na Europa"), além de 500L e 500X, da Fiat, Dodge Dart e Jeep Renegade (da Chrysler).

Principal característica: pode variar todas as dimensões de um veículo, com limitação para motores transversais compactos.
Principais carros produzidos: Jeep Renegade, Dodge Dart; Fiat Punto, Linea, 500X, 500L, Viaggio e Doblò; Opel Adam, Corsa e Meriva europeus; Alfa Romeo MiTo.

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5. CHEVROLET GAMMA 2: Onix, Cobalt, Spin, Sonic, Tracker são feitos sobre ela Imagem: Divulgação
Inaugurada no Brasil pelo Cobalt, a plataforma Gamma 2 (também conhecida como GSV, de "Global Small Vehicle", ou "veículo compacto global") é uma das mais modernas da GM, sendo capaz de produzir veículos para diferentes mercados e segmentos da empresa, como, por exemplo, Onix, Spin e Tracker, entre outros. Desenvolvida pela GM da Coreia, é usada em mais de 10 países (EUA, México, Brasil, Tailândia, Espanha, Rússia e China são alguns deles).

Por que o Tracker é importado do México e não é feito no Brasil, em Gravataí (RS), junto com o Onix, ou em São Caetano do Sul (SP)? Por erro da própria GM, que admitiu que vacilou ao deixar de produzi-lo nacionalmente. Um novo modelo, feito sobre uma evolução da plataforma Gamma 2 (que também servirá de base para os próximos carros globais da empresa) já está sendo pensado -- ainda não confirmado se como nova geração do Tracker ou como modelo totalmente novo.

Principal característica: derivada da Gamma 1, da Opel e que era local, passou a ser global e permitiu que a General Motors construísse modelos de diferentes tamanhos em cima de uma mesma base (desde que cada modelo tivesse seu próprio espaço e variação de ferramentaria, claro).
Principais carros produzidos: Chevrolet Sonic, Onix/Prisma, Spin, Cobalt e Tracker, Buick Encore, Opel Mokka, entre outros.

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6. PEUGEOT EMP2: nova geração do 308 é um dos carros que a nova base pode fazer Imagem: Reprodução
Assim como a MQB, da Volks, e a SPA, da Volvo, a EMP2 ("Efficient Modular Platform", ou "plataforma modular eficiente") é uma plataforma modular global, capaz de fabricar veículos dos mais variados tamanhos sem que se altere a distância entre as rodas da frente e os pedais (motor tranversal, tração dianteira ou integral).

Desenvolvida ao custo de 630 milhões de euros, deve substituir ao longo dos próximos anos as atuais PF2 e PF3 (que fazem os atuais carros de Peugeot e Citroën), além de desenvolver novos modelos da General Motors (a GM possui parcerias com a PSA distribuídas pelo mundo, mesmo não tendo mais os 7% que possuía da empresa francesa).

Principal característica: global e modular, pode produzir de compactos a SUVs grandes; usa materiais mais modernos que as antecessoras, como aço de altíssima resistência e alumínio de última geração.
Principais carros produzidos: Peugeot 308 e 408, Citroën C4 Picasso e Grand C4 Picasso -- todos de nova geração, ainda distantes do Brasil.

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7. RENAULT-NISSAN "B": carros da Renault, Nissan, Dacia e Datsun usam a mesma base Imagem: Divulgação
Uma das plataformais mais versáteis do mundo, a "B" se divide em vários subnomes para produzir uma infinidade de modelos da Renault-Nissan -- e, consequentemente, suas submarcas, como Dacia e Datsun. Em ação desde 2002, ela é capaz de produzir somente veículos compactos e subcompactos do grupo franco-japonês.

Principal característica: versátil, pode produzir uma grande quantidade de modelos com poucas alterações estruturais.
Principais carros produzidos: Nissan March, Versa, Tiida e Livina; Datsun Go; Renault/Dacia Clio, Sandero, Logan e Duster.

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8. JAGUAR LAND ROVER LR-MS: plataforma é variante modificada da CD, da Ford Imagem: Reprodução
A Jaguar Land Rover planeja conquistar novos clientes com carros um pouco mais baratos, modernos e globais. Os primeiros produtos nessa linha são o SUV Discovery Sport, subtituto do Freelander, e o sedã XE, apresentado a UOL Carros em Londres (Reino Unido). Ambos serão feitos no Brasil, conforme adiantado por UOL Carros. Para construí-los, a empresa (comandada pela indiana Tata) utiliza a plataforma Land Rover LR-MS, uma variante modificada da CD, da Ford -- que também produz o Evoque.

Principal característica: global, foi modernizada pela JLR para oferecer o máximo de tecnologia que a empresa puder.
Principais carros produzidos: Discovery Sport e Jaguar XE.

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9. HONDA "LAYOUT DE TANQUE CENTRAL": sim, este é o nome da plataforma... Imagem: Divulgação
A Honda produz em Sumaré e produzirá muito em breve em Itirapina, cidades no interior de SP, os compactos Fit (hatch) e City (sedã) e muito em breve o SUV HR-V. Todos sobre a mesma base. Apesar do nome confuso, a "layout de tanque central" é uma das bases mais modernas da empresa japonesa, pois é global e também consegue fabricar carros com tamanhos diferentes.

A explicação vem do próprio nome: apenas a posição do tanque é fixa -- no caso de Fit, City e HR-V, ela é central --, sendo que as dimensões dos produtos podem variar. A plataforma do Civic tem a mesma ideia, mas é diferente: trata-se da "layout de tanque traseiro", que também faz o CR-V.

Principal característica: mantém apenas o tanque de combustível em posição fixa, enquanto toda a estrutura do automóvel pode variar.
Principais carros produzidos: Honda Fit, City e HR-V.

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10. MERCEDES-BENZ W176 E W246: duas siglas para uma mesma base Imagem: Divulgação
A plataforma de carros compactos da Mercedes-Benz é dividida em duas siglas, W176 (para as Classes A, CLA, CLA Shooting Brake e GLA) e W246 (para o Classe B), mas internamente ela possui um único código: MFA, de "Modular Front-wheel Architecture", algo como "Arquitetura modular das Rodas Dianteiras".

Desenvolvida para conquistar clientes de novos segmentos, também é global e versátil, tanto que pode produzir sobre uma mesma linha um hatch, um sedã, um SUV, uma perua e um monovolume. No Brasil, na fábrica que a empresa sobe em Iracemápolis (SP), o suvinho GLA será produzido sobre esta plataforma (o que permitiria a produção de outros modelos, de acordo com a demanda); por ora, porém, dividirá espaço com o o Classe C, maior, e que pertence a outra plataforma (o que também abre novas possibilidades...).

Principal característica: versátil e global, reduz os custos por produzir pelo menos cinco carrocerias diferentes sobre uma mesma base.
Principais carros produzidos: Classes A, CLA, GLA e B.

Você sabe quais carros são feitos com a mesma base?

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