Carros

Após 4 anos, JAC "desiste" de carros pequenos e prioriza novo SUV

Eugênio Augusto Brito
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/02/2015 16h13Atualizada em 09/02/2015 19h04

A JAC Motors vai praticamente "desistir" de todos os carros que já lançou no Brasil desde 2011 -- J2, J3, J3 Turin, J5, J6 e T8. A ideia no curtíssimo prazo (leia-se: em boa parte deste ano) é priorizar o SUV médio T6, modelo com porte e conteúdo de Hyundai ix35 e preço de Ford EcoSport, segundo Sérgio Habib, presidente da marca chinesa no país. Só depois, num segundo momento, a marca volta à carga com seus modelos menores. Questão de oferta e demanda.

A partir de 11 de março -- data do lançamento nacional do SUV e quarto aniversário da marcha chinesa no Brasil --, a JAC vai aproveitar quase toda a cota anual de importação sem sobretaxa, de quase 5 mil carros, com o T6. "O mercado está pedindo SUV, e vamos aproveitar", disse Habib com exclusividade a UOL Carros nesta segunda-feira (9).

Com a construção da fábrica na Bahia -- as obras se iniciam em abril --, a JAC troca o status de importadora pelo de produtora e ganha uma cota extra que permitirá retomar os planos dos compactos da linha "J". Só com este passo a fabricante poderá retomar o nível de importação de J2 e J3 e tentar chegar aos 10 mil carros. 

Se completar a meta, a JAC será a chinesa que mais entrega SUVs, deixando as rivais Lifan (que vende pouco mais de 4.500 X60) e Chery (quase 3 mil Tiggo, e 9.500 unidades somando os demais modelos) para trás. De quebra, ultrapassa também a poderosa Land Rover. Estará também dentro do segmento que mais vai crescer em participação no Brasil este ano, passando a terceiro filão do mercado, atrás apenas de hatches e sedãs compactos: Jeep Renegade, Honda HR-V, Peugeot 2008, uma esperada renovação do Duster são alguns dos novos nomes a disputar a preferência do público.

Reprodução/Car News China
Crossover pequeno, S2 Refine (nome chinês) é flagrado antes da apresentação no Salão de Xangai, em abril. Modelo usa nova plataforma compacta e adianta futura família de brasileiros da JAC. Imagem: Reprodução/Car News China
De qualquer forma, a JAC só voltará a priorizar compactos, de fato, em 2016, quando a fábrica brasileira entrar em funcionamento. A unidade vai produzir um modelo com porte de Hyundai HB20, que vai substituir de vez toda a atual gama compacta. Essa mesma plataforma entregará as configurações hatch, sedã e um futuro crossover, que já deve ser apresentado globalmente em abril, durante o Salão de Xangai. 

Por importação, passariam a vir apenas o próprio T6 e também o T5, SUV um pouco menor, apresentado no Salão de São Paulo e que deve começar a ser trazido da China no final deste ano.

Carsale mostra as diferenças entre T6 e ix35

NOVO PADRÃO
Em 2011, a JAC instalou o padrão -- e mesmo o termo -- "completão" no Brasil, fazendo do J3 original um campeão do custo-benefício. Com ar-condicionado, direção assistida, vidros e travas elétricos e sistema de som de série por menos de R$ 38 mil (hatch) e R$ 39 mil (sedã), o modelo virou "sonho de consumo" de quem só tinha carro pelado como referência. Agora, a meta é repetir o mote com o T6, desta vez mirando em quem sonhava com modelos de R$ 74 mil ou R$ 75 mil -- sedãs intermediários e SUVs como EcoSport e Renault Duster.

"O J3 era um carro aspiracional, que quem nunca havia pensado em dar o salto, ter um carro completo. Essa é a ideia para o segmento de SUVs", apontou Habib. O diferencial está na oferta de espaço e equipamentos inédito no Brasil. "Você tem preço de EcoSport, mas o carro é para quem sonhar em ter mais do que isso: é maior, do tamanho do ix35, e isso quer dizer que há mais conforto na cabine, que o banco traseiro leva três adultos de verdade e o porta-malas é maior", completou.

Na fita métrica, são 4,47 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 1,67 m de altura. O entre-eixos é de 2,64 m, exatamente o mesmo do ix35. Diferente do modelo que circulou anteriormente -- e ao qual UOL Carros teve acesso em 2014, pouco antes do Salão de São Paulo -- há um motor flex sob o capô, aspirado, de 2 litros e 16V, gerando 155/160 cv, respectivamente com gasolina/etanol. O câmbio, porém, é manual de cinco marchas.

Durante o salão paulistano, em outubro,houve campanha de pré-lançamento ofertando o modelo por R$ 69.990. Com o atraso no cronograma (que previa entregas iniciais de dezembro) e a mudança do cenário econômico (política interna, câmbio...), há atualização do valor, agora acima dos R$ 70 mil. Ainda assim, a JAC está otimista: traz um lote de 100 unidades agora, outro de 200 unidades para o lançamento em março e mais uma cota de 100 unidades para abril. Isso deve saciar a demanda represada -- a partir daí, o oferta deve ser regular.

Arte UOL
Nada de Faustão: JAC abandona estratégia (e departamento) de marketing tradicional, passando a atuar de modo totalmente online e conectado. Imagem: Arte UOL
FAUSTÃO BARRADO, CELULAR LIBERADO
Na chegada da JAC ao Brasil, em 2011, a mídia tradicional foi decisiva para colocar a JAC no imaginário da clientela brasileira. O símbolo dessa época era o uso do apresentador Fausto Silva como garoto propaganda de anúncios em jornais, revistas, rádio e, claro, na TV. Agora, o cenário é outro e a JAC centra seus esforços na internet: há spots para YouTube, anúncios em sites e portais e o Facebook já conta com posts detalhando o T6.

Não à toa, o modelo será responsável por uma estreia de tecnologia no Brasil: será o primeiro modelo a abrir mão de um sistema de entretenimento próprio para espelhar o celular do condutor, seja Android (Google) ou iOS (Apple).

Usando cabo para ligar o celular à central central multimídia do JAC T6 (que também conta com entrada USB, auxiliar e conexão Bluetooth), o sistema Mirror Link (conexão de espelhamento) permite, por exemplo, que o condutor use o Waze do celular para planejar sua rota e veja a janela do aplicativo reproduzida na tela sensível ao toque de 7 polegadas do carro. O mesmo vale para outros programas, como um tocador de música, Twitter ou Facebook. 

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