Carros

Hyundai deixa americano perplexo com inesperada picape de cabine estendida

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Detroit (EUA)

13/01/2015 07h00

Tudo seguia tranquilo na tarde congelante desta segunda-feira (12) enquanto a Hyundai fazia sua apresentação no Salão de Detroit. Executivos falavam dos planos de expansão da marca no mercado dos Estados Unidos, da continuidade do projeto de lançamento de 12 produtos até 2016, incluindo aí as duas versões do Sonata 2016 mostradas agora (híbrida e híbrida plug-in, somando-se aos quatro modelos lançados em 2014) e do implemento da fábrica no Alabama...

Até que, do nada, surgiu um carro totalmente fora do padrão local: o conceito de picape HCD-15 Santa Cruz. Burburinho geral na plateia de jornalistas especializados e convidados.

"Nossos estudos mostraram que as picapes e crossovers existentes atualmente nos EUA vendem muito bem, mas não agradam a uma nova geração de consumidores formada por jovens, mulheres e um público em geral mais urbanos, mas que gosta de passeios com os amigos nos finais de semana", afirmou Dave Zuchowski, presidente-executivo da Hyundai Motor America.

AFP/Jewel Samad
Santa Cruz (o nome pode ser provisório) surge em Detroit para confundir ianques Imagem: AFP/Jewel Samad
Confusos, colegas da imprensa americana tentavam entender que tipo de público seria este -- e que veículo é a picape Santa Cruz (o nome sugere um reaproveitamento de Santa Fe e Vera Cruz).

UOL Carros ouviu um pequeno grupo murmurando sobre uma "picape chamada Montana, que a GM produz no Brasil". Comparação interessante, mas incorreta. De fato, a Santa Cruz é menor que os tradicionais trucks americanos, mas está mais para a nova geração de picapes globais que deve surgir nos próximos dois anos, e que foi antecipada no Salão de São Paulo pelos conceitos Renault Duster Oroch e Fiat FCC4 Concept Coupé. É, de fato, uma compacta-média.

ESCOLA BOLD
Dimensões oficiais não foram reveladas, mas se falou em algo próximo aos 4,65 m de comprimento (a Chevrolet Montana, citada em Detroit, tem 4,51 m, enquanto a S10 chega a 5,34 m). O espaço na cabine seria para cinco pessoas (considerando crianças no banco de trás), com a cabine estendida tendo duas portas dianteiras convencionais e duas portas traseiras suicidas. O motor é um 2.0 turbodiesel de 193 cv e 41,5 kgfm de torque. O visual segue a nova escola "Bold" de design da Hyundai, com traços bolados no Centro de Design de Irvine (California).

Bill Pugliano/Getty Images/AFP
Santa Cruz, prontinha para a grande aventura de transportar uma escada Imagem: Bill Pugliano/Getty Images/AFP
Vídeos de computação gráfica mostrados no telão deixaram claro que a caçamba não comporta uma bicicleta montada, ainda que o conceito tenha a capacidade de estender o compartimento através de trilhos (algo fora da realidade de um carro de produção). Até porque a Santa Cruz ainda não tem data para virar uma picape real.

"Desenvolvemos este conceito nos últimos três anos baseados em pesquisas com nosso consumidores, mas não temos qualquer plano para produção até 2017", afirmou (e mentiu?) Zuchowski a UOL Carros.

De toda forma, confrotamos o executivo com a informação de que Renault e Fiat já pensavam em algo assim no Brasil. Zuchowski interrompeu a argumentação e afirmou não ter dúvida de que "o mercado americano e também o global está preparado para produtos como este, mas ainda não é o momento de definir se vale a pena arriscar a produção". Segundo o executivo, trata-se de um estudo apenas para o mercado americano, sem qualquer expectativa para outros países.

Fontes ligadas à Hyundai do Brasil que estão aqui em Detroit trataram de não se adiantar em relação à filial americana da montadora sul-coreana. Afirmaram apenas que, uma vez estabelecida no mercado dos EUA, não seria problema, no futuro, contar com um estudo para nosso país. Mas confirmaram a chegada do Azera reestilizado agora em janeiro, ao preço médio de R$ 140 mil, do i30 renovado (mas com mesmo motor 1.8 e câmbio) e do novo Veloster até dezembro.

O tempo, e principalmente o mercado, dirá se a Santa Cruz deve ganhar vida ou não. Nosso palpite? A Hyundai já mostrou que sabe se arriscar e que se dá bem com isso. A história deve se repetir mais uma vez -- inclusive no Brasil.

Viagem a convite da Anfavea

 

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