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Crise na Volks, que vendeu 13,5% menos em 2014, paralisa fábrica do ABC

Edmilson Magalhães/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Funcionários da Volkswagen aprovam greve na Unidade Anchieta na manhã desta terça-feira (6), após anúncio de 800 demissões Imagem: Edmilson Magalhães/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Da Redação, em São Paulo (SP)

06/01/2015 19h41

A Volkswagen do Brasil confirmou nesta terça-feira (6) a demissão de 800 empregados de sua fábrica em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e indicou que novos cortes poderão ocorrer adiante devido ao mau momento do setor automotivo.

Como reação à medida, os funcionários da unidade, que produz os modelos Gol e Saveiro, aprovaram greve por tempo indeterminado, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A fábrica da Anchieta tinha cerca de 13 mil empregados antes dos cortes.

De acordo com o sindicato, os cerca de 800 demitidos souberam de seu desligamento por meio de telegrama enviado pela Volks, pedindo que não retornassem aos seus postos de trabalho após o fim das férias coletivas, que aconteceu nesta terça.

Sempre segundo o sindicato, essa correspondência começou a ser enviada em 30 de dezembro; além dos 800 colegas já comunicados, eles temem que mais 1.300 sejam igualmente demitidos -- a Volks teria avaliado em 2.100 o número de funcionários "excedentes" na fábrica.

À imprensa, a Volks emitiu nota com o seguinte texto: "Visando estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade, a Volkswagen do Brasil anuncia que haverá o desligamento de 800 empregados em sua fábrica no ABC Paulista, após período de licença remunerada de 30 dias."

O temor de novos cortes parece justificado pelo seguinte trecho do comunicado: as demissões representariam a "primeira etapa de adequação de efetivo [e que] continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos".

Até a publicação desta reportagem, a greve na Volks estava mantida. 

QUEDA EM DOBRO
As vendas de carros de passeio e utilitários leves, foco da fábrica em crise, tiveram redução de cerca de 7% em 2014, e a previsão é de que este ano tenham nova queda -- a Fenabrave, associação das revendas, estima que o recuo pode ser de 0,5%. Mas, de modo geral, as previsões para 2016 são bastante mais otimistas.

O ano passado foi particularmente ruim para a Volks. Suas vendas totais tiveram desempenho pior que o mercado, recuando 13,5% ante 2013 (foram 576,6 mil emplacamentos). Quase o dobro do que perdeu o mercado em geral. No ranking das montadoras, ficou em terceiro lugar (17,32%), atrás de Fiat (20.97%) e General Motors (17,39%).

Seu principal produto, o compacto Gol, perdeu a liderança de vendas no país após 27 anos, sendo ultrapassado pelo Fiat Palio em 385 unidades, segundo dados da Fenabrave (o Gol teve 183.356 emplacamentos).

Lançado em fevereiro como o modelo mais importante da Volks no Brasil desde a chegada do próprio Gol, o up! não chegou a empolgar o consumidor e ficou muito longe de vender 10 mil unidades/mês, como previram executivos da marca durante apresentação à imprensa na ocasião. No cômputo geral da Fenabrave, foi apenas o 16º modelo mais vendido no Brasil em 2014 (58.894 carros).

A empresa também trocou de presidente no país. No final do ano, o alemão Thomas Schmall foi guindado de volta ao board da Volks, na Alemanha. Ele comandava a Volks local desde 2007. Em seu lugar entrou David Powels, que vinha comandando a filial da África do Sul.

Ainda não houve indicação de que o plano de investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil (2012-2018), mercado tido como chave para que a Volks alcance (ou consolide, como indicam dados preliminares) a condição de maior fabricante de automóveis do mundo -- antes prevista para chegar apenas em 2018.

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