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Renault Fluence Privilège segue no "quase": problema da vez é fazer 5 km/l

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/12/2014 15h51

Apresentado no último Salão do Automóvel de São Paulo, entre outubro e novembro, o Renault Fluence 2015 trouxe mudanças pontuais, mas totalmente ajustadas e bem-vindas ao sedã: a frente ficou mais encorpada e destaca o diamante graúdo da nova identidade da marca (com um plus de alinhar o sedã argentino de projeto coreano aos modelos franceses da marca); LEDs servem de iluminação diurna e aumentam a segurança em todas as versões; e melhorias de revestimento e equipamento ajustaram a vida no interior da cabine...

Só faltou um motor novo.

Com tais atualizações, o sedã pode ser encontrado em quatro versões com os seguintes preços pré-IPI cheio

Dynamique manual (seis marchas): R$ 66.890
Dynamique CVT (seis marchas virtuais): R$ 71.890
Dynamique CVT Plus: R$ 74.890
Privilège CVT: R$ 82.990

Em todos os casos, temos a manutenção do motor flex de 2 litros CVVT (controle de abertura variável da válvula de admissão) gerando 140/143 cv a 6.000 rpm, com torque de 19,9/20,3 kgfm a 3.750 rpm, com gasolina e etanol, respectivamente. O câmbio é manual de seis marchas apenas na versão de entrada. Nas demais, CVT (relações variáveis "inifinitas") com comando eletrônico e simulação de seis marchas, recalibrado para um funcionamento mais suave, sem trancos perceptíveis.

Este pacote de meia-vida do Fluence muda ligeiramente aquele percepção de "quase foi" notada por UOL Carros no lançamento do sedã há pouco mais de quatro anos. De lá pra cá, o sedã se firmou como um modelo de excelente espaço interno (4,62 m de comprimento, 2,70 m de entre-eixos e 530 litros de porta-malas) e muito bom nível de conforto.

Mas nunca como um bom vendedor. Em 2014, emplacou de janeiro a novembro quase 7 mil unidades, praticamente o mesmo que o líder Toyota Corolla vende em 30 dias. 

Daí a aposta explícita da Renault, que durante o salão paulistano frisou que a boa oferta de equipamentos e os detalhes revistos poderiam dobrar a entrega em lojas. Com cerca de 14 mil unidades anuais, o Fluence estaria no lugar atualmente ocupado pela Nissan Sentra, na quarta posição (atrás apenas do líder, do Honda Civic e do Chevrolet Cruze).

Detalhe: apesar de origens diferentes, Sentra (que é mexicano e feito por uma marca japonesa) e Fluence compartilham mecânica. Seria a falta de sucesso um preconceito do público? Talvez sim, talvez não.

Murilo Góes/UOL
Mehoroui: iterior da versão topo de gama tem boa mescla de materiais e acabamento claro acaba prevalecendo, deixando ambiente agradável Imagem: Murilo Góes/UOL
NA PRÁTICA
Rodando por cerca de 300 quilômetros com o Fluence na versão Privilège (mais cara e equipada), boa parte em ambiente urbano, fica claro que todas as mudanças deixaram o sedã acertadinho.

Não há mais a discrepância entre materiais (plástico duro escuro e macio claro em todas as versões; couro cinza escuro nas de base e cinza claro na Privilège), houve um acerto primoroso -- alguém na Renault realmente ouviu os clientes -- no sistemas de informação (mais legivel do que nunca) e entretenimento (a tela central de 7 polegadas agora é sensível ao toque e dispensa o confuso painel de teclas mantido no console para manuseio das diversas funções) e há até redundância de recursos: podemos citar o sensor de estacionamento de série, que acaba reforçado por excelente câmera de ré na versão testada.

Murilo Góes/UOL
Na versão de R$ 82.990, além da direção elétrica, LEDs, acesso sem chave, partida no botão, piloto automático, sensores de chuva/luminosidade e tela multimídia sensível ao toque, Fluence entrega seis airbags, teto solar elétrico, controles de estabilidade e de tração. Imagem: Murilo Góes/UOL
Se subiu o nível de acabamento e interação, a Renault não deixou barato também com o isolamento acústico, de modo que os ocupantes vão encontrar-se em silêncio, de verdade, se vidros estiverem fechados e o excelente sistema de ar-condicionado com duas zonas funcionando.

Por muito pouco, muito pouco mesmo, seria possível afirmar que o Fluence é tudo aquilo que o Corolla -- e mesmo o Civic -- gostariam de ser: repetindo, visual nem datado, nem agressivo demais; espaço condizente com o preço; conforto na medida; bom nível de equipamentos e de itens de segurança (são sempre quatro airbags, subindo ao total de seis na versão de topo, que também traz controles de estabilidade e tração, faróis com regulagem automática, teto solar, LEDs para setas dos retrovisores e lanternas e troca das rodas de aro 16 por 17 polegadas).

O que falta, então?

Vale, mais uma vez, repetir a afirmação do primeiro parágrafo: talvez tenha faltado um motor novo.

Se o Fluence tem de partir com desvantagem no imaginário do consumidor, mais que visual e recheio, talvez fosse o momento de dar nova alma ao modelo, ainda que se trate de uma reestilização de meio de ciclo.

É discrepante a diferença entre a eletrônica de ponta embarcada (que inclui um monitoramento da forma como o motorista pisa no acelerador, que pode ser analisado na tela central) e a conduta do motor, que minou o consumo: não passamos de assustadores 5 km/l com etanol em nenhum momento, apesar de toda a suavidade.

Claro que alguns rivais também mantém conjuntos antigos com pequenas adaptações. Mas quem está na frente da tabela de vendas pouco têm de se preocupar. Como a Renault demonstrou que sabe ouvir, #ficaadica para o futuro.

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