Carros

Fiat-Chrysler ressuscita Dodge com sedã Charger que chega aos 328 km/h

Mark Clothier

Da Bloomberg

23/12/2014 15h34

O Dodge Charger SRT Hellcat é o sonho de quem gosta de velocidade: com 717 (707 hp) cavalos sob o capô, chega a 328 km/h e devora o quarto de milha (pouco mais de 400 metros) em 11 segundos.

A Chrysler anuncia o Hellcat como o sedã de produção mais rápido do mundo e não se trata simplesmente de ter direito a vangloriar-se. A Dodge, ridicularizada não faz muito tempo por vender em grande parte picapes familiares sem graça, está refazendo sua imagem como fabricante dos mais instigantes muscle cars, sempre com apelo para o público jovem.

Essa é uma aposta audaciosa, porque se os preços da gasolina subirem novamente, uma série de Challengers e Chargers pode acabar em lotes de carros usados. E apesar da herança de um século da Dodge como carro de desempenho, a marca é vista há algum tempo nos Estados Unidos como a "Chrysler para pobres". Ninguém é mais consciente dos desafios do que Sergio Marchionne, CEO da Fiat-Chrysler, que em uma entrevista chamou a Dodge de "o segredo mais bem guardado da casa".

"Há muito trabalho a ser feito", afirmou. "Mas há um lugar único na mente americana para a Dodge. E nós precisamos satisfazer essa necessidade".

Quando a Fiat assumiu o controle da Chrysler, em 2009, não havia muito que admirar na Dodge, exceto suas robustas e confiáveis picapes Ram. Marchionne transformou a Ram em uma marca separada. Isso deixou uma linha desconexa que incluía o Avenger, um sedã da família Chrysler 200 com logotipo trocado, e a Grand Caravan, uma versão mais popular da minivan Town Country da Chrysler. Os Dodges eram precificados, muitas vezes, para serem vendidos a empresas de aluguel de carros e a motoristas com pouco crédito.

"A Dodge era como o irmão mais novo e barato da Chrysler", disse David Kelleher, um vendedor de Glen Mills, Pensilvânia. "Eles produziram carros-fantasmas em todos os níveis. Era sempre para pessoas da classe trabalhadora e a Chrysler, para os mais ricos. Foi assim que eles marginalizaram a marca".

Reprodução
A chave preta (esq.) libera "só" 507 cv; a vermelha entrega os 717 cv máximos Imagem: Reprodução
MELHORA DE DESEMPENHO

Antes de imbuir a Dodge com uma vibração de muscle car, Marchionne precisava repensar o Charger e o Challenger, carros originalmente criados nos anos 1960 para concorrer com o Chevrolet Camaro e com o Ford Mustang. Agora em 2014, surgiram versões redesenhadas com mais potência, tecnologia de cockpit e estilo que ainda lembram os carros originais. Até mesmo o SUV Durango ganhou uma melhora no desempenho, com uma transmissão de oito velocidades e mais cavalos de potência do que qualquer outro SUV médio.

O Charger Hellcat é o clássico "topo de gama" de uma marca. A um preço de pouco mais de US$ 64.000 contra cerca de US$ 28.000 do modelo básico (intervalo entre R$ 75 mil e R$ 173 mil, limpos), não se espera uma venda em grandes quantidades. Em vez disso, este carro é um triturador de pneus, pensado para sinalizar a nova imagem da Dodge.

Os designers também tiveram senso de humor. O carro vem com duas chaves: a vermelha dá acesso à capacidade total do motor; a preta limita a produção a 500 cavalos -- força reduzida para filhos adolescentes ou manobristas de estacionamentos.

MAIOR AUTONOMIA
O muscle car moderno não consome tanto quanto há meio século: o V8 do novo Mustang GT faz 10,6 km/l na estrada, enquanto o Camaro V8 faz 8. Até mesmo o Charger Hellcat alcança respeitáveis 9,3 km/l.

A empresa diz que a Dodge venderá 600 mil unidades até 2018. Esse é apenas um ligeiro aumento em relação ao ano passado, mas Marchionne terá que chegar lá sem o Avenger e a Grand Caravan, que geraram quase 37% das vendas da Dodge em 2013.

Isso exigirá um trabalho de aquecimento da marca. Para isso, a Fiat-Chrysler "ressuscitou" John e Horace Dodge, que criaram, em 1914, a empresa que ostenta seu nome. Uma campanha publicitária impressa e televisiva descreve os irmãos como amantes da diversão e da velocidade, que se sentiriam em casa em um Hellcat.

"A história dos irmãos Dodge dá vida à marca", disse Tim Kuniskis, diretor da marca Dodge. "Ela transforma a marca em algo real. É parte da história dos EUA. Não são apenas cinco letras".

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