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Citröen e Peugeot devem vender carros juntas para estancar perdas

Divulgação
AirCross, opção de crossover aventureiro da Citroën, é visto em loja de SP Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/12/2014 13h44Atualizada em 23/12/2014 14h31

UOL Carros já havia dado o alerta durante os salões do automóvel de Paris, em setembro, e de São Paulo, entre o final de outubro e o começo de novembro: Citröen e Peugeot iriam se reorganizar para recuperar competitividade, vendas e "saúde" também no Brasil, seguindo movimento iniciado e coordenado pela matriz PSA, direto da França. O quadro, agora, se expõe em cores mais definidas.

Se no evento paulistano a ideia parecia ser apenas redefinir o status de cada marca, com a Citroën mais racional, a Peugeot se dedicando a modelos com mais conteúdo, e a novata DS cuidando dos modelos premium, nota-se agora que aquela definição foi apenas o primeiro passo. Informantes bem situados na estrutura de vendas da PSA já avisam: as lojas das marcas devem ser unificadas, e as gamas de carros, somadas.

Atualmente, revendas Citroën e Peugeot operam em proximidade física na maior parte dos bairros e cidades. UOL Carros apurou que, num futuro próximo (leia-se, 2015), apenas uma loja será mantida em cada área, oferecendo carros das duas marcas. Prevalecerá o concessionário que com melhores resultados médios.

A PSA não confirma essa reorganização de pontos de venda. Num comunicado enviado a UOL Carros, afirmou: "A estratégia mundial da PSA Peugeot Citroën é de ter três marcas diferenciadas, com suas respectivas identidades, posicionamentos, experiências ao cliente e redes de distribuição independentes, inclusive no Brasil".

"Em algumas praças e em situações específicas, as marcas do grupo poderão autorizar o compartilhamento das áreas de back-office, como as oficinas de pós-venda, setores administrativos etc.", prosseguiu a nota da assessoria. 

Para analistas do mercado automotivo, a eventual unificação das lojas de Citroën e Peugeot não deve mudar preços de modelos nem de serviços (revisões, reparos etc.), mas a PSA deverá ter trabalho extra para reconstruir sua imagem junto ao público.

"Para o consumidor não mudaria muito: ele terá a assistência do mesmo jeito. O problema é a imagem das marcas, que ficaria negativa", disse Joel Leite, blogueiro de UOL Carros e diretor da Agência AutoInforme. Segundo Joel, o corte no número de lojas e a unificação do atendimento pode passar uma impressão ruim aos clientes.

Peugeot e Citroën operam no Brasil como se não fossem empresas do mesmo grupo, apesar de compartilhar plataformas e linhas de montagem (compactos em Porto Real, RJ, e médios na Argentina). Somadas, as duas têm cerca de 300 pontos-de-venda em todo o país -- é um número maior que o de concorrentes como a Renault, que têm 6,97% de participação no mercado, respectivamente. Apesar disso, nem mesmo somadas a Citroën (1,66%) e a Peugeot (1,25%) sequer chegam a incomodar a rival compatriota.

As participações de mercado das duas francesas podem ser consideradas pequenas porque o Mercosul é um dos principais mercados para um grupo empresarial que luta para sobreviver. Por mais que o foco da PSA esteja principalmente na China (como mostrado em outubro), é preciso parar de sangrar no Brasil.

Melhorar o pós-venda, ou seja, o atendimento nas concessionárias a quem já é cliente, é um dos objetivos de pelo menos uma das marcas: a Peugeot (embora a Citroën também viva esse drama). Uma fonte disse a UOL Carros já haver mobilização "para melhorar a imagem no atendimento pós-venda".

Uma dessas medidas é a "aproximação" com a rede de concessionárias -- na verdade, uma espécie de incremento na fiscalização das cerca de 140 lojas da Peugeot. Revendas que não estejam tão comprometidas em prestar serviço de total qualidade "podem ser desligadas", disse a fonte.

É a disposiçao de cortar na carne -- para estancar a hemorragia.

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