Carros

Novo Sandero Stepway mostra evolução da Renault e briga com hatches premium

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/12/2014 18h08

Saias laterais, molduras das caixas de rodas e borrachões sobre o para-choque, falsos skid plates e rack de teto. Suspensão revista para elevar a altura mínima para o solo. Adesivos da versão. Os adereços estéticos típicos do segmento aventureiro ainda existem, mas, além da pinta de versão "cross", o novo Sandero Stepway serve como configuração mais refinada -- premium, se preferir -- da nova geração do hatch.

Esta solução mostra que a Renault está antenada nos movimentos do mercado brasileiro: 2014 mostrou que o consumidor preferiu colocar modelos mais recheados (condição fundamental), bonitos, conectados e seguros (se possível) na garagem. O preço também é típico de carros que cumprem tais premissas. O Sandero Stepway 2014/2015 parte de R$ 49.310 no configurador do site da marca (motor 1.6 flex, 8V, 106 cv e 15,5 kgfm com etanol no tanque).

Murilo Góes/UOL
Versão aventureira complementa gama do Sandero com conteúdo (quase) premium Imagem: Murilo Góes/UOL

UOL Carros testou por uma semana a configuração mais completa, que traz ainda o novo câmbio automatizado de cinco marchas (Easy'R, que cobra mais R$ 3.560) e a cor metálica laranja Step (R$ 1.200). Neste caso, a conta final é de R$ 54.070.

Na lista de equipamentos de série estão direção hidráulica, computador de bordo, ar-condicionado automático, vidros e retrovisores externos elétricos, bancos revestidos de couro natural e sintético, faróis de neblina, rodas de liga leve (aro 16), sensor de estacionamento, coluna de direção com comandos de rádio e volante com teclas do piloto automático, sistema multimídia (tela de 7 polegadas sensível ao toque para gerenciar rádio, tocador de MP3, navegador por GPS, conexão bluetooth com celular e câmera de ré), além de detalhes estéticos e dos obrigatórios airbags frontais e freios com ABS.

É possível dizer que o preço é salgado, mas segue o mercado: o novo CrossFox, com seu visual de mini-Golf, custa arrepiantes R$ 61.180 com câmbio automatizado I-Motion; no caso do Hyundai HB20X, também aventureiro com algo a mais, o preço é de R$ 56.390, com a ressalva de termos câmbio automático (com conversor de torque) de quatro marchas. Ambos são mais caros. Outra opção com valor acima é o Ford New Fiesta Titanium, mas aqui a história é outra: ele não é aventureiro, mas tem tudo o que se pode esperar de um hatch premium (sete airbags, câmbio automatizado de dupla embreagem, controle de estabilidade) por R$ 59.990.

QUASE LÁ
Ostentando a nova identidade da Renault e mais adereços típicos da configuração, o Stepway consegue ser ainda mais vistoso que o novo Sandero: o tratamento de faróis e lanternas (estas estão mais bem definidas), as rodas exclusivas e o desenho diferenciado da tomada de ar frontal garantem o tal do estilo premium. A marca francesa só poderia ter esquecido de adicionar o borrachão, que mancha o visual.

Na cabine, detalhes em preto brilhante e aros na cor da pintura externa reforçam esta presença visual, que pode ser arrematada com estilo se a escolha for pela configuração automatizada, que já traz os bancos de couro de série. Vale elogiar também a melhora no isolamento acústico da cabine em relação ao antecessor -- o nível de conforto realmente subiu. E o belo painel de instrumentos com quadro digital de ótima leitura (e funções importantes no computador de bordo) e a central multimídia são pontos favoráveis se a disputa estiver pendendo para rivais como o HB20X.

Esta central, aliás, é a mais funcional do segmento: ícones grandes e coloridos, fácil conectividade com equipamentos que tenha saída USB ou auxiliar e celulares com Bluetooth e menu que não obriga a navegações extensas faz com que o condutor perca pouco tempo na utilização -- e, neste caso, tempo é segurança.

Murilo Góes/UOL
Elementos visuais, como o skid plate de mentirinha, dão equilíbrio estético ao carro Imagem: Murilo Góes/UOL

O grande ponto a ser analisado aqui, todavia, é o funcionamento do câmbio automatizado de cinco marchas e embreagem simples, que substituiu a opção de câmbio automático de quatro marchas da geração anterior. De cara, percebe-se um ganho nas relações de marcha, ainda que os indefectíveis "soluços" e "indecisões" estejam lá. Eles não são graves, nem bruscos como nas primeiras gerações do Dualogic (Fiat) e I-Motion (Volkswagen) ou em todas as do Easytronic (GM), mas existem, sobretudo quando se exige demais do acelerador em saídas e arrancadas. Subir ladeiras íngremes ou saídas elevadas de garagem vai exigir alguma paciência e até mesmo intervenção do condutor.

Ainda assim, é uma opção válida para quem vai passar muito tempo no trânsito urbano pesado. Talvez fosse necessária a adoção de uma tecla S (de função esportiva, com trocas em giros mais altos, inexistente) para viagens rodoviárias. Mas percebe-se que a Renault buscou um acerto mais eficiente, visando o gasto menor de combustível -- decisão correta, aliás: o consumo médio obtido em 380 quilômetros rodados com este Sandero Stepway ficou ligeiramente abaixo do obtido há dois anos, com um carro da geração anterior que era, veja só, manual: o computador de bordo marcou 6,8 km/l (contra 6,3 km/l do teste anterior) com etanol no tanque. Evolução geral.

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