Carros

"Sem-carro", GM celebra ótimo 2014 e se prepara para 2015

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/11/2014 12h53Atualizada em 28/11/2014 15h07

Responda rapidinho: quais foram os lançamentos da General Motors aqui no Brasil ao longo deste ano? O mais recente é fácil, pois foi apresentado na última quarta-feira (26): trata-se do Chevrolet Cruze reestilizado, que chega como linha 2015 por iniciais R$ 70.400 (hatch) e R$ 73.500 (sedã). Elencar os demais é algo mais complicado, foram pouquíssimas as novidades -- um ano sem carro novo. Ainda assim, a marca celebra o ano por conta das boas vendas e pode até mesmo fechar 2014 como líder de vendas (no varejo) e com remotas possibilidade de ter ainda o modelo mais vendido (com a queda do Gol, a Fiat segue à frente com Palio, sem tirar os olhos do retrovisor, onde o Onix surge não muito longe).

Só para deixar claro, além da nova linha Cruze, também chegaram ao mercado (do mais recente ao mais antigo): Spin Activ (versão aventureira da minivan, a R$ 62.060), no começo de novembro; S10 2.5 Ecotec (configuração com inédito motor flex de 206 cv e 27,3 kgfm com etanol, a iniciais R$ 86.400), em setembro; Camaro Conversível (configuração com teto de lona do muscle car, a R$ 239.900), em junho; Onix Lollapalooza (série especial do hatch compacto, com motor 1.0, mas recheio melhorado, a R$ 41.890), em maio; e Agile 2014 (visual renovado, R$ 44.090), que chegou em janeiro, apesar da revelação ainda em 2013. Tudo versão ou reestilização, nada inédito.

Dessas seis novidades da linha, uma sequer existe mais: fracassado em estilo, mecânica e vendas, o Agile deixou de ser importado da Argentina menos de cinco anos após ser mostrado como salvador da GM, em 2009. Junto com ele, foram jogados para escanteio também Sonic hatch e sedã, importados do México.

Mais do que lançamentos, a marca conviveu em 2014 com recalls: foram dez convocações diferentes, sendo que alguns casos envolveram mais de um modelo -- o auge foi a chamada simultânea por risco de incêndio de 238.360 unidades de praticamente todos os veículos de passeio da marca, de Celta a Cruze, em maio. Coisa do jogo, casos atendidos sem problema pela rede de mais de 600 lojas, afirma a marca.

TUDO BEM
Fato é que o ano é positivo e merece ser celebrado, segundo o vice-presidente da GM do Brasil, Marcos Munhoz: "Somos líderes no varejo [vendas diretas, como as feitas para frotistas, locadoras, empresas e órgãos governamentais], o que significa que o consumidor acredita em nosso carros", afirma. O executivo lembra ainda seus casos de sucesso -- inesperado para a crítica, "justo e esperado" para a marca: "Diziam que a Spin era feia, que era defasada, mas vendemos este ano mais do que vendiam Meriva e Zafira juntas e dominamos o mercado. O mesmo vale para o Camaro: quem diria que estaríamos entregando 100 unidades ao mês, fazendo uma aposta que muitos viam como inadequada?".

Apesar dos dados inflacionados (o Camaro vai bem, mas não chega aos 100 carros/mês), é certo que a GM soube explorar os vários nichos do mercado: Idea e Livina não fazem frente ao portfólio da Spin (segundo a Fenabrave, o líder é o Honda Fit, com mais de 50 mil unidades, mas manter este modelo no segmento de monocab/minivan é uma distorção); o Camaro se tornou ícone popular, admirado e até cantado em versos do sertanejo ao funk; e o Onix é um dos modelos a desbancarem o Gol apostando em pacote recheado e itens inovadores (algo que o carro da Volkswagen deixou de ter). Além disso, Onix e Spin são os modelos com maior valor de revenda após um ano do mercado, segundo o blogueiro Joel Leite.

Murilo Góes/UOL
Jogando sozinho (a Ford só trará seu Mustang em 2016; a Chrysler nem sonha com o Challenger), o Camaro arrasa em vendas e se vira ícone pop Imagem: Murilo Góes/UOL
Mas a marca vai entrar em 2015 sob o signo da dúvida. Haverá novidades? As vendas seguirão altas, ou foram fruto dos últimos cartuchos queimados? Executivos rivais acusam a marca de subfaturar modelos em excesso ao longo de 2014 para conseguir os resultados de vendas, solução que "cobraria seu preço no futuro".

O Sonic deu um tempo, mas não se aposentou: "Hatch e sedã precisam e irão voltar à linha em 2015", promete Samuel Russel, diretor de marketing da marca. Só não soube precisar quando e como. Haverá ainda a apresentação, ainda em 2014, de uma versão de hatch compacto vista no Salão do Automóvel e que deve surgir nas lojas no começo de 2015 -- o Anhembi viu um Onix esportivo (o Track Day, com motor tunado de Cruze), mas apostamos em uma configuração esportivada, bem mais modesta. Fala-se ainda em planos (que se arrastam) de trazer de fato o superesportivo Corvette. E segue a indecisão sobre o Malibu, que está "caro demais para a faixa de mercado que ocuparia", nas palavras de Russel -- a marca tinha 100 unidades do sedã médio-grande, que foram queimadas ao longo do ano, mesmo sem venda oficial. Sem saber o que fazer com o Malibu, o jeito foi rechear um pouco mais o Cruze, que vende bem e mantém a marca no topo. E assim segue a GM.

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