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Lojas se preparam para novo IPI e carro 1.0 pode ficar R$ 1.300 mais caro

Marlene Bergamo/Folhapress
Avisos de IPI reduzido devem voltar a ganhar as vitrines das concessionárias Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

21/11/2014 14h53

Concessionárias das quatro principais montadoras do mercado brasileiro, Fiat, Ford, GM e Volkswagen, já se preparam para um aumento médio de 4% nos preços dos carros zero quilômetro com o retorno da alíquota cheia do IPI, a partir de janeiro de 2015. Segundo UOL Carros apurou, o aumento médio para carros mais populares, com motor 1.0, pode ser de R$ 1.300.

Na última quinta-feira (20), o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, reuniu-se com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, de quem ouviu que os subsídios à alíquota de IPI serão suspensos no início do ano que vem. "A posição do ministro é de que a implantação cheia da alíquota do IPI será em janeiro", disse Moan, de acordo com a Reuters.

A UOL Carros, a assessoria do Ministério Fazenda ressaltou que a decisão ainda não é oficial. Vale lembrar que Mantega está de saída da pasta, e que a presidente Dilma Rousseff está prestes a anunciar um substituto nos próximos dias, o que pode alterar o cenário.

PREPARAÇÃO E PROMOÇÃO
Enquanto aguardam a posição final do governo, lojistas já trabalham com a possibilidade iminente de aumento nos preços. Em conversa com nossa reportagem, vendedores das quatro grandes afirmaram que o reajuste esperado será, em média, de R$ 1.300 para modelos com motor 1.0, como Chevrolet Onix, Fiat Uno e Palio, Ford Ka e Volkswagen Gol e up!. Nesses casos, a alíquota do IPI deve passar de 3% a 7%.

Uma unidade do Onix 1.0 LT foi oferecida a UOL Carros por R$ 34.890, sendo que o preço de tabela atual é de R$ 37.290 -- o desconto é de R$ 2.400, ou 6,4%. Depois da volta do IPI completo, a expectativa da concessionária de que o preço suba até R$ 1.400.

Murilo Góes/UOL
Cruze 2015 terá este visual. Isso e mais o retorno do IPI cheio podem provocar despencada do preço do modelo atual (2014) nos próximos dias Imagem: Murilo Góes/UOL
Para os demais veículos, o aumento iria de 9% para 11% (motorização bicombustível) ou para 13% (só a gasolina). Na prática, um sedã como o Volkswagen Jetta, equipado com motor flex de 2 litros, de 120 cv, seria reajustado em cerca de R$ 2.000, na configuração Comfortline (R$ 73 mil atualmente), a mais vendida. Com motor 2.0 turbo, que só bebe gasolina, o mesmo modelo encareceria mais de R$ 4.000 em relação aos atuais R$ 93.890.

Rival e prestes a mudar de visual, o Chevrolet Cruze de entrada, na versão LT com motor 1.8 e câmbio manual de seis marchas, tem preço de tabela de R$ 70 mil para o hatchback e R$ 73.100 para o sedã. Ainda assim, foi possível encontrar ofertas de R$ 67.900 (R$ 2.100 de desconto) para o hatch. Abatimento ainda maior no sedã, que pode ser achado por R$ 67.890 (R$ 5.210 mais barato). Com o novo IPI, espera-se acréscimo semelhante ao do Cruze.

"As fábricas tendem até a reter a produção de dezembro, para desovar de uma vez o que estiver nas concessionárias e faturar as últimas unidades produzidas já com o imposto novo", declarou uma vendedora da Fiat. Não à toa, pelo menos três das quatro representantes do quarteto-de-ferro (Chevrolet, Ford e Volks) anunciam em rádio, jornais e TV que farão promoções fortes para este fim de semana -- o mote é as ofertas só durarão até domingo. A GM foi além, e já confirmou participação no Black Friday 2014, marcado para a próxima sexta-feira (28).

Para o especialista em mercado automotivo e blogueiro de UOL Carros, Joel Leite, as fabricantes devem diluir o reajuste em doses "homeopáticas" no primeiro trimestre de 2015.

"Fizeram o mesmo no ano passado, quando entrou em vigor a obrigatoriedade de ABS e airbags, e o IPI também subiu um ponto", lembrou. De fato, naquela ocasião os preços subiram apenas 1,4% em janeiro, mas depois tiveram altas respectivas de 2,4% e 1,6% em fevereiro e março, segundo dados da AutoInforme. 

Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena
Pátio da da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP): marcas esperam decisão do governo para faturar produção do fim do ano Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena
A partir de abril, entretanto, o que se viu foi uma queda gradual nos valores, interrompida só em julho. "O que é preciso ver é se o consumidor está disposto a pagar por esse aumento. Parte da queda nas vendas este ano está atrelada ao aumento dos preços nos primeiros meses. Ao perceberem isso, as montadoras começaram a trabalhar com promoções e bônus, e o cenário passou a ser, quase sistematicamente, de ligeira queda nos preços reais mês a mês. Pode ocorrer fenômeno parecido em 2015", previu.

UOL Carros entrou em contato com as assessorias das quatro marcas citadas. Fiat e GM declararam que, devido ao feriado prolongado do Dia da Consciência Negra, seus executivos estão de folga e só poderão responder na segunda-feira (24). Volkswagen ainda não deu um retorno até o fechamento da reportagem, enquanto os assessores da Ford não foram encontrados.

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