Carros

Análise: Novos rivais, projeto envelhecido e preço tiram VW Gol do trono

Claudio Luís de Souza
Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/11/2014 22h19

Depois de 27 anos seguidos, o Volkswagen Gol não é mais o líder nas vendas de carros novos no Brasil.

Em 17 de novembro de 2014, seu arquirrival Fiat Palio, criado em 1996 justamente para enfrentá-lo, ultrapassou-o em 150 emplacamentos no acumulado desde 1º de janeiro (153.600 carros, contra 153.450). Os números são da Fenabrave (associação das revendas) e foram divulgados por Joel Leite, blogueiro do UOL.

A diferença é ínfima, mas as curvas de vendas dos dois modelos sugerem que será ampliada até o final do ano. Na 1ª quinzena de novembro, o Gol ficou num quase inacreditável sexto lugar (em abril e maio ainda liderou, mas foi ladeira abaixo desde então).

A situação parece irreversível. E a Volks vai perder um forte argumento de marketing em favor de seu produto mais importante desde o Fusca.

Mas o que levou o Gol a deixar de ser o preferido dos brasileiros?

Primeiramente, a concorrência.

Vários modelos novos, e novas gerações de antigos, passaram a assediar o Gol de um modo que o próprio Palio, sozinho, jamais conseguiu.

Por parte da Fiat, por exemplo, há o Uno de nova geração, lançado em 2010. O atual Palio foi criado sobre a mesma plataforma, em 2011. 

O fulminante sucesso do Hyundai HB20, de 2012, também atingiu o Gol.

Após o lamentável Agile, a General Motors voltou a oferecer qualidade no segmento compacto com o Chevrolet Onix, que surgiu em 2013.

A Ford manteve o Fiesta Rocam em produção até o começo deste ano, e agora oferece o Fiesta (nacionalizado em 2013) perto dos R$ 40 mil. Sem falar no Novo Ka, lançado este ano também com o Gol na alça de mira.

A Renault vem comendo o mercado pelas beiradas com o Sandero, que melhorou muito na nova geração (2014) e deve subir no ranking de emplacamentos. 

Até o "fogo amigo" do VW up!, outro que chegou este ano, precisa ser levado em conta, pois seus preços e pacotes embaralham-se com os do irmão mais velho.

QUESTÃO DE TEMPO
O Gol vendido hoje no Brasil é o mesmo desde 2008 (note que, de todos os carros citados até aqui, apenas o Sandero surgiu antes, em 2007), quando foi abandonada a arquitetura de motor longitudinal, sem função prática num modelo de tração dianteira.

A plataforma foi modernizada e o carro ganhou um toque de sofisticação na cabine, aproximando-o do andar de cima da gama da Volks, então ocupado pelo Polo (hoje, pelo Fox).

Mas isso foi há seis anos. A reestilização mais recente só serviu para deixar o Gol parecido com os outros modelos da marca alemã, e as eventuais novidades mecânicas passaram despercebidas pelo público em geral. 

Há também o preço.

Uma visita à seção "Monte o seu" no site da Volks mostra o Gol partindo de R$ 27.990 na versão Special (há mais cinco), com duas portas e sem ar-condicionado ou direção hidráulica. É a opção pé-de-boi, que cumpre a função do G4, vendido até o começo deste ano e voltado aos frotistas.

Já a versão intermediária Comfortline, com o veterano motor 1.6 e o (futuramente indispensável) câmbio automatizado I-Motion, custa R$ 45.790 sem ar-condicionado, que vale R$ 3.000 extras.

Pois esse Gol fica R$ 690 mais caro que um Sandero 1.6 também automatizado, com navegador/multimídia, sensor de ré e ar automático; e apenas R$ 700 mais em conta que o New Fiesta SE manual, com motor Sigma 1.6, ar digital, direção elétrica e controles de tração e estabilidade.

SEM VOLTA
Verdade que o Palio, o carro que está destronando o Gol depois de 27 anos, ainda mantém em linha a versão "barata" Fire, análoga ao extinto G4 inclusive no descompasso com a geração corrente de seu modelo.

Dúvida: se não houvesse o Palio Fire, e/ou se ainda houvesse o G4, o Gol conseguiria manter a liderança nas vendas ao menos por mais este ano?

Talvez.

(Não descartamos nem mesmo uma -- hoje improvável -- reviravolta, recolocando o modelo da Volks no topo ao final de dezembro.)  

Mas seria (ou será) apenas o adiamento do fim da "Era Gol". Seu fenomenal protagonismo de quase três décadas já está perdido. A vida é assim: nada é para sempre.
 

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