Carros

Sem miséria, Fiat Uno melhora para fisgar cliente de HB20, Onix e Ka

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/11/2014 18h43

Nada é por acaso, nem a longeva liderança da Fiat no mercado brasileiro. Por mais que se critique sua imperícia em conseguir vender modelos mais requintados (seus carros médios nunca se tornam sucesso de público), é impossível negar: a Fiat dá as cartas no segmento de compactos, sobretudo por antecipar tendências e/ou se mexer rápido. O sucesso da picape Strada é exemplo da primeira atitude; já a renovação do Uno escancara a segunda.

UOL Carros participou da apresentação comercial da linha 2015, com detalhamento de versões e preços no final de agosto, depois conviveu durante 10 dias com um exemplar de teste no começo deste mês de novembro. Nas duas ocasiões, a sensação foi a mesma: ainda que o exterior tenha alterações sutis, perceptíveis muito de perto ou avistadas a distância apenas por peritos, este novíssimo Uno avançou demais quando avaliado a partir de sua cabine. Acabou a miséria: há plásticos suaves ao toque, superfície texturizada, computador de bordo e itens bacanas (ainda que muita coisa seja opcional).

Esta reação da Fiat evita a desgarrada de Hyundai HB20, Chevrolet Onix e Volkswagen up! (este, um sucesso de crítica, mas ignorado pelo público por conta do preço salgado), que acabaram com farra dos carros "pé-de-boi", ao socializar ar-condicionado, vidros elétricos e sistemas multimídia. O movimento definitivo, porém, foi dado pelo novo Ford Ka, que ousou colocar à disposição do comprador itens só vistos em modelos de luxo -- sistema multimídia totalmente integrado a smartphones e à internet; direção com assistência elétrica; controles de estabilidade, tração, de contorno de curvas e até alerta à central de segurança.

Mexer para não perecer pode parecer óbvio, mas a Volkswagen não deu um passo e tem apanhado bastante. O Gol já foi líder inabalável, mas agora despenca por meses consecutivos e está perto de deixar o trono. A Fiat, mais esperta, mudou o Uno. E segue viva.

Murilo Góes/UOL
Cores são menos infantis (tchau amarelo, oi laranja metálico), visual está mais acertado, equipamentos melhoraram; pior para o Gol, cada vez mais defasado Imagem: Murilo Góes/UOL
EVOLUÇÃO SEM MISÉRIA
Para ver alterações é preciso fugir da versão mais barata do Uno, a Vivace, que segue despojada e com cara antiga. Tudo novo só da Attractive (1.0, R$ 31.450) em diante. Evolução, literal até, encontra-se na versão intermediária Evolution, que parte de R$ 35.510. O visual novo deixou o carro menos infantil, algo nítido na nova geração do Uno (que acabou exagerando ao tentar ser engraçadinha e descolada), e mais robusto. A sofisticação, porém, aparece de acordo com a disposição do comprador em abrir o bolso. O carro avaliado por UOL Carros cumpre esse papel, mas tem quase todos os pacotes opcionais (e até um acessório), cobrando mais caro por isso: R$ 44.677.

Não falamos de saltos em termos de mecânica e dinâmica, já que o carro segue tendo pegada tranquila (até demais): andando, ainda nos ressentimos da suspensão macia, câmbio de engates imprecisos, além do motor 1.4 Evo flex (88 cv/12,5 kgfm com etanol; 85/12,4 kgfm com gasolina) que acorda tarde (acima dos 5.700 giros quando usando álcool) e sempre te deixa para trás em saídas e retomadas. Mesmo o inédito sistema Start/Stop, que promete até 20% de economia de combustível, da Bosch serve mais para rechear conversas no bar: requer mudança de hábito para alguns condutores, já que exige que se deixe o carro em ponto morto e o freio acionado para só então entrar em ação e desligar o motor (se tocar na embreagem, o motor religa). Vai pegar mesmo quando passar a fazer parte do carro com câmbio Dualogic, o que deve automatizar também este processo. Por ora, mostra a vanguarda da Fiat, que dá a tecnologia sem cobrar mais de R$ 70 mil no carro.

Falamos aqui da cabine mais caprichada de um modelo pequeno (até então, exclusiva dos compactos premium): materiais suaves ao toque (opcional), com textura classuda (o painel superior tem o nome "Uno" impresso em alto relevo infinitas vezes, dando um efeito incrível) e encaixe bem executado agradam demais. O visual emprestado de Punto e Bravo dão uma lição: carro de entrada não precisa ser feio e desengonçado. A Volks parece ter visto isso, mas errou a mão ao cobrar preço de Golf no Fox/CrossFox mais equipado. (Se não viu, veja.)

Murilo Góes/UOL
Esta é a cabine mais refinada do segmento, batendo HB20, Onix e Ka: bons encaixes, estilo atual e mimos como plástico texturizado e superfície macia Imagem: Murilo Góes/UOL
Pontos típicos de compacto seguem presentes: há muitos porta-objetos (a ponto de uma amiga, dona de novo Focus, elogiar a abundância de "lugares para guardar trecos"), mas o espaço é exíguo e engatar a quinta marcha significa que você vai encostar o punho no joelho do carona. Mas a influência da Jeep/Chrysler se mostra no belo volante de três raios e teclas multifunção, bem como no novíssimo computador de bordo com múltiplas opções, totalmente configurável e que deixa o painel de instrumentos mais inteligente. Ou na presença de apoio de cabeça e cinto de três pontos (que desce do teto) também para quem viaja no centro do banco traseiro.

Claro, muito do que é novo também é opcional -- o exemplar de avaliação carregava R$ 7.901 de extras, incluindo itens como ar-condicionado, que já deveriam vir de fábrica. Mas cabe ao consumidor a decisão de pagar ou não por isso, bem como de cobrar para que o preço caia. Por parte da Fiat, méritos por não se sentar sobre a liderança e contra-atacar patamar dos rivais HB20 (R$ 43.490 na versão Comfort Plus 1.6, equivalente) e Onix (R$ 44.640 na 1.4 LT), mas ainda abaixo do Ka (com R$ 44.990, é possível levar o hatch de topo, 1.5 e cheio de recursos). Já o Gol segue caro (R$ 48.540 no Trendline 1.6, com equipamentos próximos), mas defasado em estilo, visual e conforto. O mercado evoluiu e não vai carregar quem insiste em ficar para trás.

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Comportamento ainda é complacente, abrindo espaço para HB20 e Ka, mais acertados Imagem: Murilo Góes/UOL

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