Carros

Chevrolet lança Spin Activ, R$ 62.060, de olho na onda aventureira

Murilo Góes

Colaboração para o UOL, em Águas de São Pedro (SP)

13/11/2014 17h35

Pegar a onda ou, simplesmente, não perdê-la. Assim a Chevrolet justifica a sua estreia no crescente nicho de veículos com estilo aventureiro ao lançar a versão Activ da minivan Spin. Apresentada durante o Salão do Automóvel de São Paulo, a nova configuração tem previsão de chegada no final de novembro às concessionárias da marca, com preços a partir de R$ 62.060 (com câmbio manual de cinco marchas) e R$ 65.860 (com transmissão automática de seis velocidades e controle de velocidade de cruzeiro).

Elevada ao posto de topo de linha (embora apenas com a opção de cinco lugares), a Activ soma-se às versões LT e LTZ da Spin com o propósito de superar os 55% de participação do modelo no segmento. "As vendas de monovolumes com características aventureiras vêm surpreendendo nos últimos anos, e atualmente já representam quase um quarto dos emplacamentos do segmento", analisa Samuel Russell, diretor de marketing da General Motors. Para ele, este cenário é bastante promissor à nova Spin Activ, que pretende surfar nesta onda como a opção mais atual e espaçosa ante seus concorrentes, entre eles, Fiat Idea Adventure e Citroën Aircross, e deverá representar até 25% do mix de vendas do modelo.

Murilo Góes/UOL
Estepe tem suporte e sistema anti-furto similares aos da Fiat Idea Adventure Imagem: Murilo Góes/UOL
ESTEPE PENDURADO
Como em todo aventureiro que se preze, a maior diferença entre a Activ e as outras versões da Spin está no estepe preso à tampa traseira, fixado do lado de fora do carro e idêntico às demais rodas de alumínio diamantadas e de 16 polegadas. Muito questionada, esta solução já faz parte do DNA dos veículos com estas características, embora na prática, não passe de decoração, além de exigir maior espaço lateral para abertura e dificultar o acesso ao porta-malas (sem dizer do afundamento de capôs de carros parados atrás, em casos de recuos menos cuidadosos).

De qualquer maneira, o mecanismo desenvolvido pela Chevrolet parece ser bem confiável e seguro. Ao posicionar o estepe no centro da tampa traseira, evitou-se o desequilíbrio da carroceria e ainda permitiu um braço de sustentação menor. Três pontos de fixação com buchas e dobradiças especiais eliminam ruídos e vibrações indesejáveis e, para evitar o furto da roda, um dos parafusos que a prendem é montado pelo lado interno do suporte, cujo acesso só é possível após o destravamento eletrônico do conjunto.

Por segurança, a abertura do bagageiro segue um ritual: primeiro é necessário destrancar o sistema por meio do controle remoto da chave do carro; em seguida, com uma alavanca, destrava-se manualmente o braço que sustenta o estepe, que deve ser deslocado lateralmente para a esquerda até o final do curso de abertura, onde ele é travado.

Só depois disso é possível abrir o compartimento de carga, com capacidade de 710 litros sem rebatimento dos bancos. Como a roda sobressalente agora está para fora, o vão sob o assoalho do porta-malas foi mantido como porta-objetos oculto.

GM quer deixar Spin mais chamativa

FIGURINO AVENTUREIRO
Vários outros itens estéticos e modificações no acabamento externo também foram incluídos para acentuar o caráter off-road da nova Spin Activ. Os para-choques, por exemplo, foram redesenhados: na frente a peça ganhou proteção plástica em preto-fosco e um aplique em cinza na parte inferior; na traseira, a moldura em plástico traz o nome Activ em baixo-relevo, refletores nas extremidades e também o aplique cinza na parte inferior central, abaixo dos sensores de ré que são de série.

Em ambos casos as peças se alongam lateralmente até as molduras plásticas de proteção dos paralamas e das portas, que também contam com soleiras na cor prata e adesivo alusivo à versão.

Faróis e lanternas têm acabamento escurecido e os faróis de neblina ganharam moldura plástica em preto brilhante, assim como os retrovisores externos. No teto, o rack não foge à regra como item obrigatório de uma versão aventureira.

Modificações estéticas também foram feitas dentro da cabine. O painel da Spin Activ, embora não tenha sofrido alterações em seu desenho, agora é predominantemente preto. No centro, traz moldura prata em torno da tela de 7" sensível ao toque do sistema multimídia MyLink que, permite o acesso aos arquivos de áudio, imagem e vídeo, além de aplicativos do smartphone do usuário. A configuração de algumas funções do veículo também podem ser personalizadas.

O volante revestido em couro é de série e traz controles de áudio, telefone e de velocidade de cruzeiro. Também são de série a direção hidráulica, o ar-condicionado e as travas e vidros elétricos que se fecham automaticamente, a partir do travamento das portas pelo controle remoto da chave. O painel de instrumentos com display digital do velocímetro e do computador de bordo recebeu a inscrição Activ, e os bancos têm tecido e desenho exclusivo da versão, mas só o motorista conta com regulagem de altura manual.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Todas estas mudanças e, principalmente, a instalação do estepe na área externa do carro, fizeram com que a Spin Activ ficasse, segundo dados da Chevrolet, 6 cm mais comprida (4,42 m contra 4,36 m) e 70 kg mais pesada em relação às outras versões (peso total de 1.325 kg contra 1.255 kg). As novas e maiores rodas de alumínio de 16 polegadas, calçadas com pneus mais largos, de perfis baixos e de uso misto nas medidas 205/60, aumentaram a altura em relação ao solo em 8 mm.

Não que isso lhe dê o aval para transpor obstáculos e dificuldades típicos de uma incursão off-road, mas a redistribuição de peso e a nova calibração da suspensão deixaram o conjunto mais apropriado a percorrer boas estradinhas de terra, embora a tendência de saída de traseira nas curvas seja praticamente inevitável.

É na estrada asfaltada, porém, que a nova Spin Activ mantém e evidencia alguns dos seus maiores problemas. Nem mesmo a nova transmissão automática de seis velocidades de segunda geração (GF6-2) que, segundo a Chevrolet, faz trocas de marchas até 50% mais rápidas e reduções duplas e até triplas, consegue evitar a gritaria sob o capô numa arrancada ou retomada mais fortes.

Muito disso deve-se ao velho motor Econoflex de 1.8 litro que entrega 106 cavalos com gasolina ou 108 cavalos com etanol a 5.400 rpm. O torque máximo é de 16,4 kgfm com gasolina e 17,1 kgfm com etanol a 3.200 rpm. Ou seja, fica devendo para carregar conjunto tão grande e pesado. O computador de bordo da unidade que UOL Carros dirigiu durante test-drive oferecido à imprensa especializada acusou consumo médio de gasolina de 9,4 km/l.

Murilo Góes/UOL
Maior altura do solo (por conta da roda maior) e trocas mais ligeiras (com câmbio automático opcional) são diferenciais mecânicos da Spin Activ Imagem: Murilo Góes/UOL
A posição de dirigir é bastante elevada e, por isso mesmo, acentua outro sério problema da Spin: acima dos 100 km/h o conjunto flutua e oscila lateralmente, como se estivesse recebendo uma rajada de vento ou ultrapassando um caminhão grande. Lá no alto, o motorista sente ainda mais este comportamento desconfortável. Por isso mesmo, fazer curvas mais fechadas sempre parece um grande desafio com a Spin Activ.

É bom lembrar que, apesar de travestida de aventureira, a minivan ainda se trata de um veículo familiar, com porta-malas bastante espaçoso e conforto para três passageiros e motorista (no banco traseiro só existem dois apoios de cabeça e dois cintos de três pontos, e o espaço para pernas é reduzido se os ocupantes da frente tiverem mais de 1.80 m de altura). Portanto, estas deficiências nem são tão degradantes se levado em conta que o carro será utilizado por pais e filhos em viagens de lazer.

A extensa lista de acessórios disponíveis deixa clara essa aptidão: tablet de sete polegadas com suporte para enconsto de cabeça, módulo de TV e câmera de ré compatíveis com o sistema MyLink e, até mesmo, o módulo para ativação da função Tilt Down do retrovisor externo direito (ao engatar a ré, o espelho inclina-se para baixo). Tudo isso e mais um pouco tem que ser comprado à parte. Mas cobrar pelas barras tranversais do rack de teto é um pouco demais.

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Posição do estepe não atrapalha visibilidade, mas seu volume sim; além do sensor (de série), poderia haver câmera de ré de série (que é acessório) para auxiliar em manobras Imagem: Murilo Góes/UOL
Viagem a convite da GM

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