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Monoposto projetado para pista e rua quer ser liberado no Brasil

Leonardo Felix/UOL
BAC Mono pode ser usado em circuito fechado e, depois, levar dono para casa Imagem: Leonardo Felix/UOL

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

11/11/2014 18h25

Quase tão difícil quanto ver de perto os carros que disputaram o GP do Brasil de Fórmula 1, no último fim de semana, era ter acesso ao BAC Mono, projeto de monoposto adaptado para as ruas desenvolvido pela empresa britânica Briggs Automotive Company, dos irmãos Ian e Neill Briggs.

Um exemplar do modelo, pertencente a um publicitário brasileiro, estava exposto no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), ao longo do evento, porém numa área de acesso bastante restrito. Lá, cercado por garçons que serviam champanhe e acepipes aos convidados, o BAC Mono exibia seu visual peculiar, tentando difundir uma ideia meio maluca: ser um carro de corrida que também pode ser usado no dia-a-dia.

"Queríamos um modelo que permitisse ao proprietário fazer uma sessão de testes em um circuito fechado e, depois, ir embora para casa com ele", contou a UOL Carros Ian Briggs, projetista do veículo e um dos sócios da empresa.

Divulgação
Um volante deste tipo você já deve ter visto em um monoposto de corrida, mas não com comandos para as luzes de seta (botões amarelos) Imagem: Divulgação
Segundo ele, o projeto teve inspiração nas duas rodas, e demorou quatro anos para ser desenvolvido (o lançamento ocorreu em 2011). "Algumas motocicletas superesportivas exercem essa mesma função. Por que não emplacar essa cultura também nas quatro rodas? É o que estamos tentando fazer", acrescentou.

Por enquanto, o monoposto tem autorização para rodar nas ruas de apenas dois países -- Reino Unido e Estados Unidos -- e teve cerca de 200 unidades vendidas desde o seu lançamento (a comercialização ocorre só por encomenda). O preço parte de 103.500 libras e pode passar de 150 mil libras (entre R$ 420 mil e R$ 610 mil), dependendo do pacote montado pelo comprador. A BAC trabalha para homologá-lo em outros países da Europa (como Alemanha e Holanda), e também tem o Brasil na mira.

Para isso, entretanto, terá de driblar a recente lei que torna obrigatórios airbags e freios com sistema ABS (antitravamento) em todos os automóveis zero quilômetro vendidos em nosso país, dois itens impossíveis de entrar no projeto. "Outros países abrem exceções a veículos com volume muito baixo de vendas. Estamos estudando essa possibilidade aqui", explicou Ian.

FÓRMULA 3 COM FARÓIS
Os traços do BAC Mono lembram um monoposto de competição: estrutura monocoque em fibra de carbono; habitáculo aberto e minúsculo; volante com topo e base achatados, e laterais com os moldes das mãos do dono, assim como o assento; e radiador duplo montado em casulos laterais. As dimensões são de um Fórmula 3 (categoria de base posicionada dois degraus abaixo da Fórmula 1), porém com um aerofólio traseiro muito mais baixo. Há um santantônio para proteção da cabeça.

Olhando mais de perto, ficam nítidas as adaptações que deixam o Mono pronto para as ruas: conjunto óptico dianteiro com canhões individuais de luz baixa, alta e de seta; lanternas, refletores e até uma terceira luz de freio posicionados na parte traseira; pneus ranhados; rodas cobertas; e um pequeno capô dianteiro com acesso a um porta-capacetes. 
Leonardo Felix/Arte UOL Carros
Faróis, lanternas traseiras e até uma terceira luz de freio sobre a capa do motor são adaptações para que o BAC Mono possa trafegar nas ruas Imagem: Leonardo Felix/Arte UOL Carros
O motor, central-traseiro, é um 4-cilindros em linha de 2,3 litros, aspirado e longitudinal, capaz de gerar 284 cavalos de potência (a 7.700 rpm) e 28,55 kgfm de torque (a 6.000 giros).

Não são números tão impressionantes, mas, a se considerar que o Mono pesa meros 600 quilos, a relação peso-potência permite chegar a 274 km/h e fazer o 0-100 km/h em 2,8 segundos (mais rápido que uma Ferrari 458 Italia). O câmbio, automatizado de seis marchas, requer trocas sequenciais manuais através de aletas atrás do volante. Os freios são de disco perfurado nas quatro rodas, e a tração é traseira.

Se a homologação brasileira vier, não será impossível (embora improvável) ver um desses passando pela rua de sua casa... Até lá, o BAC Mono seguirá como mero objeto de decoração em salas VIP, alimentando os sonhos de quem é tão maluco quanto os irmãos Briggs.

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