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BMW Série 3 anda melhor que novo e tecnológico Mercedes Classe C

Murilo Góes/UOL
BMW é R$ 14.050 mais caro que o Mercedes equivalente, mas dá mais prazer ao volante Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito
Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/10/2014 21h16Atualizada em 22/10/2014 14h27

Fazer um comprador de um BMW Série 3 migrar para um Mercedes-Benz Classe C, e vice-versa,  é tarefa praticamente impossível. Cada uma das fabricantes alemãs tem suas idiossincrasias, que acabam se convertendo em características de seus respectivos sedãs defendidas a ferro e fogo pelos compradores. Mas e quem tenta se decidir entre um e outro pela primeira vez? UOL Carros avaliou as versões intermediárias dos dois modelos -- BMW 328i Sport Activeflex e Mercedes Classe C 250 Sport -- e pode ajudar na resposta.

Ambos cumprem bem o papel de sedãs médios de luxo, mas o modelo da Mercedes preza pelo visual arrojado (às vezes, até demais), espaço interno e tecnologia de ponta embarcada. Já o três-volumes da BMW parece mais conservador e acanhado no estilo, mas é "mais carro", com conjunto mecânico superior.

Lançado no Brasil em agosto deste ano (em janeiro no resto do mundo), o novo Classe C é importado da Alemanha e custa R$ 189.900 nesta versão C 250 Sport. Já o Série 3 existe globalmente desde o final de 2011, mas usou um trunfo importante: começou a ser montado no Brasil agora, no começo de outubro (a produção integral, de fato, se inicia mais no final do ano); seu preço na versão 328i ActiveFlex é de R$ 203.950, mesmo valor de quando era também era importado da Alemanha (como é o caso da unidade que ilustra este comparativo).

Apesar da origem diferente, a oferta é parecida. Ambos trazem motor 2.0 sobrealimentado por turbo, sistema de conectividade completo (incluindo acesso à internet), teto solar simples, rodas de liga leve com aro de 18 polegadas, revestimento em couro nos bancos e volante, ar-condicionado digital de duas zonas, direção elétrica progressiva, volante multifuncional, sensor de chuva, bancos dianteiros com ajuste elétrico, sistema start-stop (que desliga automaticamente o motor com o veículo parado), controle de estabilidade e tração, piloto automático com frenagem de emergência e níveis semelhantes de segurança.

Contraste, de verdade, está no trem-de-força: o BMW entrega experiência mais empolgante de pilotagem com o motor turbo (TwinPower, que, apesar do que o nome sugere, tem uma única turbina com dois rotores) de 2 litros, que consegue ser até 16% mais potente que o 2 litros com turbo convencional do Mercedes -- são 245 cavalos contra 211. O torque também é levemente maior (35,7 kgfm a 35 kgfm), ainda que a faixa do Classe C comece mais cedo. Na prática, o Série 3 demonstra ter mais vigor e ser mais elástico quando exigido no acelerador.

O câmbio automático de oito velocidades também parece dar vantagem ao BMW contra o sete-marchas da Mercedes, também automático. As trocas são suaves e quase imperceptíveis nos dois casos, mas o 328i roda com mais folga e precisão por ter uma velocidade a mais, permitindo subidas em rotações um pouco mais baixas. Com a direção elétrica, passeio do BMW, que parece sempre ser mais direto, mesmo em situações extremas. A ergonomia -- tanto na posição de condução, quanto no conforto dos bancos -- também é maior no BMW: trocar de carro e sair do assento macio demais do Classe C para o apoio correto do Série 3 durante a reportagem foi um alívio que talvez nenhum comprador poderá reproduzir.

Isso justifica a diferença de R$ 14.050 pagos a mais para quem escolher o BMW e não o Mercedes? Se você preza a dirigibilidade à tecnologia embarcada e vai alternar deslocamentos urbanos e viagens rodoviárias com frequência, o BMW parecerá a escolha mais lógica e será preciso levar isso em consideração na hora de calcular o valor da entrada e de cada prestação (leia mais sobre prestações de carros de luxo nesta outra reportagem). Se o seu negócio é ter o equipamento mais recente e sintonizado com as novidades do mercado, vá de Mercedes e economize a quantia extra.

Como funciona o Série 3 flex


FATOR FLEX
Além disso, vale lembrar que o motor do BMW Série 3 já usa a tecnologia bicombustível, bebendo tanto álcool quanto gasolina. O do Mercedes Classe C só aceita o derivado do petróleo, por enquanto. Como estamos no Brasil, esta é mais uma vantagem do BMW, ainda que em muitos pontos do país a dianteira seja mais psicológica que financeiramente justificável.

É claro que o C 250 não fica devendo em todos os aspectos, como dissemos. Seu visual deixa o 328i comendo poeira: a carroceria mistura elementos de Classe E e Classe S, todos superiores em termos de luxo. A dianteira é o ponto alto com sua grade larga e intimidadora, bem como pelo conjunto óptico que, opcionalmente, pode ser todo formado por LEDs, com comando inteligente de luzes. Na traseira, o caimento em diagonal do porta-malas representa um leve flerte com o estilo cupê, mas acaba dando o aspecto de que o carro tem "bumbum caído", ainda que as lanternas usem LED e tenham formato de pétala.

Na cabine, a sensação de amplitude é extrema. O espaço interno do C 250 é vencedor, com 6 cm de comprimento e 3 cm de entre-eixos a mais. Já os acabamentos passam um pouco da conta na extravagância, incluindo couro colorido, pedais e excertos em alumínio e painel com texturas amadeiradas, mas tudo montado com perfeição. Fica ao gosto do cliente gostar ou não.

Só não da pra desculpar a insistência em usar uma tela que parece estar pendurada no painel (exposta, dá a sensação ser bem maior que a do Série 3, quando na verdade a do BMW é 0,4 polegada maior), bem como o uso de um touchpad sensível ao toque que deveria ajudar na seleção de comandos, mas acaba atrapalhando em boa parte das vezes (serve bem, especialmente, para escrever o nome das ruas no mapa de navegação GPS, mas falha em outros momentos por ser confusa). O Classe C se redime ao livrar espaço no console central (o freio de estacionamento agora é elétrico, enquanto a alavanca de câmbio migrou para a coluna de direção) e usar, por exemplo, sistema de estacionamento assistido automático, enquanto o Série 3 se vale do sensor de estacionamento traseiro somado à câmera de ré (muito útil também, deixemos claro).

No Série 3, tudo ter perfil mais convencional -- os faróis bixenônio afilados são bonitos e atuais, mas as lanternas traseiras compridas ainda parecem estar no começo dos anos 2000. Mesmo por dentro, os revestimentos em borracha, plástico e alumínio são mais simples, ainda que bem resolvidos. Vale, como dissemos, pela melhor acolhida dos bancos.

Na totalização, o 328i está à frente do C 250, apesar do pacote tecnológico e do preço mais em conta. E isso se reflete nas vendas: se a Mercedes passou de 21 para 37 unidades entregues de agosto para setembro, segundo a Fenabrave (a representante nacional das fabricantes de veículos), o do BMW disparou de 69 para 105. E a tendência é que o Série 3 continue levando vantagem durante 2015, porque a fábrica da BMW em Araquari (SC) já está operando, enquanto a da Mercedes, em Iracemápolis (SP) só começa a produzir em 2016.

O que vem por aí na Mercedes-Benz

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