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Fiat transforma Jeep Renegade em 500X para mostrar que está viva

Tommaso Ebhardt

Da Bloomberg, em Paris (França)<br>Com Redação

02/10/2014 14h21

Com seu novo e pequeno Fiat 500X, o CEO Sergio Marchionne quer mostrar que sua visão para a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) está pronta para as ruas. O moderno crossover italiano tem uma frente arredondada e traseira curvilínea que lembra o icônico subcompacto 500 e ainda é, essencialmente, um clone do robusto Jeep Renegade.

Os dois utilitários compactos -- 500X e Renegade -- são praticamente os mesmos sob a superfície, compartilhando motores, transmissões e outros componentes-chave para reduzir custos. Ambos serão construídos na mesma linha de montagem na Itália. (No Brasil, o Renegade estreia no começo de 2015, fabricado na nova planta de Goiana, em Pernambuco.)

Com as ações prestes a iniciarem as negociações na Bolsa de Nova York no próximo dia 13, o Jeep Renegade e o Fiat 500X são fundamentais para que Marchionne prove que a FCA, combinação de duas fabricantes de veículos regionais com uma história recente de dificuldades financeiras, pode competir com rivais internacionais maiores, como a Volkswagen e a General Motors.

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500X é feito na mesma plataforma do Jeep Renegade; não há plano para o Brasil Imagem: Newspress
O novo Jeep e o 500X "são o primeiro sinal do que eu chamo de uma colaboração fora-de-estrada", disse Marchionne no mês passado, num evento que marcou o início das vendas do Renegade.

O membro mais recente da família 500, que reúne diferentes plataformas, foi lançado nesta quinta-feira (2) no Salão do Automóvel de Paris, depois do 500L, voltado ao uso familiar, e é especialmente importante para deter os prejuízos e a queda de participação de mercado das operações da Fiat na Europa. Ele marca também uma importante expansão em SUVs, pois o único produto da marca no segmento é o Freemont, uma versão do Dodge Journey com o emblema trocado.

As vendas de SUVs compactos, como o Juke, da Nissan, vêm subindo nos últimos anos e deverão saltar 30% em 2014 em todo o mundo, para 1,95 milhão de veículos, estimam analistas. A marca Fiat poderia se aproveitar disso: sua participação de mercado na Europa caiu para 3,8% em agosto, menor que a de marcas de luxo como BMW, Audi e Mercedes-Benz.
 
Durante uma crise de seis anos no mercado europeu de carros, que levou à maior baixa em duas décadas no ano passado, a Fiat interrompeu os investimentos na marca para economizar dinheiro e concentrou as reservas na recuperação da Chrysler, que tem sede nos Estados Unidos. A estratégia deixou as fábricas da Itália subutilizadas, levando à demissão de milhares de trabalhadores da linha de montagem.

A fusão da Fiat com sua unidade americana une o dinheiro da fabricante de carros americana com o de sua empresa-mãe italiana, dando mais poder de fogo para os gastos na Europa. Parte do plano de expansão de 55 bilhões de euros (US$ 70 bilhões) de Marchionne para a FCA é levar os funcionários italianos de volta ao trabalho, enquanto modelos com um potencial apelo global, como o Renegade e novos carros da Alfa Romeo e da Maserati, saem das linhas de montagem no país.

Analistas preveem que a Fiat venderá 73 mil unidades do 500X no ano que vem -- ele irá à venda ainda neste ano na Europa, e no início do ano que vem nos EUA. As vendas podem subir para 97.000 carros em 2016. A Fiat do Brasil já negou repetidas vezes que o crossover será feito ou vendido no Brasil. O primeiro produto Fiat de Goiana deve ser uma picape compacta.

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