Carros

Outlander híbrido cobra R$ 0,03 por quilômetro; ruim é pagar R$ 190 mil

Murilo Góes

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

24/09/2014 20h54

Semana da Mobilidade e anúncio do governo federal reduzindo a alíquota de importação para veículos híbridos. Coincidência ou não, a Mitsubishi também escolheu a última semana para apresentar sua mais nova proposta para o Brasil, o Outlander PHEV. A sigla estranha vem de Plug-in Hybrid Electric Vehicle (veículo elétrico híbrido com recarga em tomadas) e diz respeito ao modelo que o marketing japonês diz ser o primeiro SUV 4x4 híbrido plug-in do mercado brasileiro.

A alemã Porsche já vende há algum tempo o Cayenne Hybrid, mas neste caso trata-se de um "híbrido de primeira geração", sem opção de carga das baterias do sistema elétrico em tomadas -- modelos como o Porsche, aliás, são os beneficiados pelo incentivo federal, algo que não ocorrerá com o Outlander, que tem tecnologia mais atual.

De toda forma, também não há muito do que reclamar agora, já que o Outlander só será vendido no Brasil em 2015. A Mitsubishi estima que conseguirá trazer o modelo oficialmente a partir do primeiro trimestre de 2015. Antes, em outubro, terá o modelo como destaque no estande da marca no Salão do Automóvel de São Paulo, que começa no dia 30. Quem tiver pressa, pode apelar à importação particular, opção que já consta do site oficial da marca: o valor é de 48 mil euros (quase R$ 150 mil), sem levar em conta as despesas de legalização.

Quando estiver chegando pela mão da fabricante, o preço ficará em torno de R$ 190 mil, apontam os executivos.

Segundo a Mitsubishi, o custo por quilômetro rodado num Outlander PHEV é de R$ 0,03, contra R$ 0,26 com gasolina. Seria convincente, não fosse o preço inicial mais salgado. O Outlander a gasolina parte de R$ 105.990 (2.0, 160 cv), chegando a R$ 143.990 (GT V6 3.0, 240 cv).

PREÇO É OBSTÁCULO
E este valor alto ainda é o maior obstáculo para o crescimento do mercado de elétricos e híbridos no Brasil, que ainda são cobrados -- e taxados -- como modelos de luxo. De janeiro a agosto deste ano, por exemplo, foram emplacadas apenas 558 unidades nestas categorias. O número, porém, já é superior ao de vendas de todo o ano de 2013.

Os modelos mais vendidos são o Ford Fusion Hybrid (R$ 128.700) e o Toyota Prius (R$ 120.800), ambos híbridos de primeira geração (não há recarga na tomada, as baterias são recuperadas pelo motor a combustão). Há três semanas foi lançado o BMW i3, totalmente elétrico, que sozinho tem valor de frota popular: R$ 225.900.

De qualquer maneira, a expectativa da Mitsubishi é vender cerca de 15 unidades por mês do Outlander híbrido.

Murilo Góes/UOL
Cromados dominam visual do Outlander híbrido, novo topo da gama do SUV Imagem: Murilo Góes/UOL
TOPO DA GAMA
Quando chegar, o Outlander PHEV será o topo da gama do SUV urbano da Mitsubishi, com o mesmo conteúdo da versão GT 3.0 V6 e algo a mais. Esteticamente, a versão híbrida se difere das demais pelo uso de cromados na grade frontal e moldura do para-choque dianteiro, lentes transparentes para faróis (com xenon) e lanternas (de LEDs), spoiler com brake-light integrado, rodas de 18 polegadas (pneus 225/55) exclusivas e saias laterais na cor do veículo.

Por dentro, mais conforto: abertura de portas e partida do motor sem uso físico da chave (smart keyless); ar-condicionado automático de duas zonas; direção elétrica; volante multifuncional; bancos de couro (ajustes elétricos só para motorista, mas os dois dianteiros são aquecidos); sensores de estacionamento, de chuva e de luzes; tampa do porta-malas com abertura e fechamento automático; teto solar; sistema multimidia com tela de sete polegadas sensível ao toque e funções para câmera de ré, GPS, rádio AM/FM, CD/MP3/DVD Player (vídeo funciona apenas com o freio de estacionamento acionado), Bluetooth e conexão USB para smartphones.

Em se tratando de segurança, são sete airbags (dianteiros, cortina, laterais e de joelho para o motorista) e inúmeros recursos tecnológicos: freios com ABS com EBD e BAS (antitravamento, com distribuição eletrônuica e ação de emergência); ACC (piloto automático adaptativo), FCM (freio automático com alerta de colisão dianteiro); LDW (alerta de mudança involuntária de faixa); controles de estabilidade e de tração; hill assist; e, por fim, AVAS, que simula ruído e alerta pedestres -- veículos elétricos (ou com modo elétrico) não têm barulho de motor, o que pode levar a atropelamentos involuntários.

As baterias do sistema elétrico, geralmente em pacotes enormes, ficam sob o assoalho, para minimizar a perda de espaço útil. No porta-malas, a capacidade de carga foi mantida em 731 litros, chegando a 1.520 litros com os bancos rebatidos. O peso total é maior que o de um Outlander comum, chegando a 1.810 kg. Já o tanque de combustível foi reduzido de 70 para 45 litros.

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Outlander pode ser recarregado na tomada e processo é acompanhado em app no celular. Bem-vindo ao presente. Imagem: Murilo Góes/UOL
TRÊS EM UM
O conjunto mecânico do Outlander PHEV conta com três motores. Há um motor elétrico que gera o equivalente a 82 cavalos em cada eixo, alimentados por uma bateria de 80 células com capacidade de 12 kWh e 300 V de tensão. Eles impulsionam a tração prioritariamente dianteira, com reforço da traseira quando preciso (modo 4x4).

O terceiro motor é o 2.0 a gasolina semelhante ao usado no ASX, Lancer e no próprio Outlander, mas com potência reduzida a 121 cv. A prioridade é que atue como gerador para a bateria. Quando necessário, reforça os motores elétricos. Em caso extremo, atua por conta.

Como híbrido em série, o motor a combustão aciona o gerador que alimenta a bateria ou aumenta a potência em maiores acelerações (booster). Neste caso, a autonomia pode chegar a 824 quilômetros, com consumo médio relativo de 52,6 km/l, segundo a Mitsubishi. É o mesmo princípio de outros híbridos do mercado, de Prius a Cayenne. No modo híbrido paralelo, o motor convencional age em conjunto com os elétricos transmitindo toda a força diretamente para as rodas. Neste caso, os elétricos agem como um e potência total combinada é de 203 cv.

No modo 100% elétrico, os dois motores elétricos movimentam o veículo com a carga acumulada na bateria. Neste caso, a potência chega a 164 cv e a autonomia é de 52 quilômetros.

Com toda esta parafernália, pode parecer complicado dirigir o Outlander PHEV, mas não é. No que se refere ao uso dos motores e monitoramento de energia o carro cuida de tudo sozinho, sempre dando prioridade à eficiência e à economia.

No uso urbano, por exemplo, apenas o motor elétrico dianteiro atua, alimentado pela bateria. Precisou de mais de potência, o motor elétrico traseiro entra em ação. O motor a combustão dificilmente é acionado, a não ser para sustentar o gerador que alimentará a bateria. Na verdade, os motores elétricos dão conta do recado até os 120 km/h e, somente quando o motorista pede mais aceleração ou a situação exige mais potência, como em subidas íngremes, o motor convencional é convocado.

O rodar é sempre macio e confortável, e a sensação de isolamento da cabine é ainda mais latente com a total ausência ronco do motor. Na estrada, o desempenho do conjunto não deixa a desejar, embora em algumas retomadas o elevado peso pareça comprometer a aceleração.

O Outlander PHEV também não faz feio no fora-da-estrada. O sistema elétrico fornece tração que emula o 4x4 S-AWC (Super All Wheel Control) do Lancer Evolution, e pode ser acionado por botão em duas modalidades: Auto e 4WD Lock. Como a bateria é selada, é possível rodar até em áreas alagadas sem que ela tenha contato com a água. Em caso de acidente, controles automáticos desligam todo o sistema elétrico.

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Apesar do 4x4, solução híbrida ainda é mais urbana. Vantagem do Outlander está em evitar "medo do apagão": se faltar eletricidade, basta usar o motor a gasolina Imagem: Murilo Góes/UOL
LIGOU, SAIU. ACABOU, PLUGOU
Diferente também é a sensação de quase não precisar passar pelo posto de combustível. O Outlander PHEV tem a capacidade de recarga das baterias na tomada (plug-in), tecnologia herdada do elétrico i-MieV, também da Mitsubishi. Deste modo, é possível ter carga total em apenas 5 horas numa corrente de 220 V -- em tomadas de 110 V, o tempo dobra. Há ainda estações de carga rápida (330 V), instaladas em prédios comerciais e shoppings-centers de grandes cidades, onde é possível ter 80% de carga da bateria em apenas 30 minutos.

UOL JÁ MOSTROU COMO ANDA O I-MIEV

Todo o processo pode ser monitorado através de um aplicativo para celular e tablet, em português, desenvolvido pela própria Mitsubishi. Além do tempo de recarga (com agendamento), é possível acionar ar-condicionado, aquecedor ou luzes do veículo à distância, deixando o carro pronto para a chegada do condutor.

A carga da bateria também pode ser recuperada com o movimento do carro. O botão "charge", no console central, faz com que o motor a gasolina acione um gerador e use 3 litros de combustível para recuperar 80% da carga total. A energia dos freios também recupera o conjunto e borboletas atrás do volante controlam não a marcha (este Outlander não tem câmbio), mas o nível da recarga (são seis estágios determinados pelo freio motor). Outro botão, o "save", que reduz o uso de energia da bateria poupando-a para  uso posterior.

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