Carros

Novo Ford Mustang, menos ianque, chega às lojas dos EUA em outubro

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

21/09/2014 00h39Atualizada em 20/10/2015 18h31

Em pleno 2014, estima-se que mais da metade (cerca de 55%) dos americanos não possui passaporte, único documento válido para cruzarem as fronteiras dos Estados Unidos. Até pouco tempo atrás, o Ford Mustang era um desses "cidadãos" confinados na América.

Não mais. A sexta geração do longevo esportivo foi pensada para ampliar os horizontes de um modelo que carrega, assim como os rivais Chevrolet Camaro e Dodge Challenger, o estigma do excepcionalismo americano -- vale dizer, é uma coisa que só os ianques entendem/apreciam/desejam porque são "diferentes" dos demais povos (segundo eles mesmos). Nada menos que 120 países devem receber o novo Mustang.

Divulgação
Novo Ford Mustang ficou mais parecido com os demais carros de passeio da Ford Imagem: Divulgação
O inédito motor 4-cilindros Ecoboost turbo, de 2,3 litros, tido como herético pelos aficionados do Mustang (que mal toleram o atual motor de entrada, o V6 de 3,7 litros; só querem saber do "veoitão" de 5 litros) é o visto de entrada do carro em mercados que nunca deram muita bola a ele e sua história, dos quais o exemplo mais óbvio é a Europa em geral.

Segundo alguns jornais dos EUA, os anúncios do Mustang turbinado e de motor "pequeno" vão enfatizar o bom desempenho e o baixo consumo de gasolina, mas não citarão que se trata de um 4-cilindros em linha. 

Outras novidades que devem agradar ao público não-radical (e não-ianque) são as suspensões traseiras independentes (que não deixam de ser uma concessão ao conforto) e um pacote tecnológico de infotainment semelhante ao de outros modelos globais da Ford, como Focus e Fusion (este último, aliás, parece ter sido o paradigma de estilo do novo Mustang).     

O Mustang 2015 já está sendo produzido na fábrica de Flat Rock (Michigan), que continuará como única unidade da Ford dedicada ao modelo. A linha de montagem foi adaptada para fazer carros com o volante no lado direito, destinados principalmente ao Reino Unido e à Austrália.

Sam VarnHagen/Divulgação
Joe Hinrichs (de terno, agachado), presidente da Ford das Américas, comemora com funcionários o primeiro Mustang 2015 fabricado em Flat Rock, no final de agosto Imagem: Sam VarnHagen/Divulgação

BRASIL NA MIRA
As vendas do novo Mustang aqui nos EUA começam em outubro. Países asiáticos e europeus, nesta ordem, recebem o carro via importação no ano que vem. O Brasil está no radar da Ford, evidentemente -- nosso país é um dos cinco maiores consumidores de automóveis do planeta, e fez do Camaro um relativo sucesso de vendas (552 unidades de janeiro a agosto deste ano, sendo que custa R$ 222 mil).

O novo Mustang vai ao Salão de São Paulo no final de outubro, onde será uma das grandes estrelas (talvez a maior). Ainda não há nada confirmado sobre sua importação oficial ao país -- mas até uma obra de arte já foi encomendada e divulgada pela própria Ford para sugerir que o modelo será mesmo comercializado no Brasil. (Segundo o Renavam, 47 Mustang já foram emplacados no país este ano, todos importados por particulares.)

Divulgação
O artista plástico Burton Morris vai esculpir e pintar dez cavalos representando países que "admiram" o Mustang (na imagem, um esquema de como ficará cada um deles); é a principal dica dada pela Ford, até agora, de que o esportivo vai ser importado oficialmente ao Brasil, provavelmente no ano que vem Imagem: Divulgação
No resto do mundo, o modelo promete fazer barulho. Raj Nair, executivo da Ford encarregado do projeto global, disse que um primeiro lote de 500 unidades do novo Mustang foi comprado -- no "escuro" -- por revendas britânicas em menos de dois minutos. Melanie Banker, chefe de marketing da Ford para o modelo, lembrou que a idade média do comprador americano de Mustang é 48 anos, mas que sua globalização deve rejuvenescer a clientela.

De acordo com Nair, o Mustang V8 5.0 (aspirado, 441 cavalos, preço-base de US$ 32,9 mil) deve responder por cerca de 40% das vendas globais; o Ecoboost 2.3 (turbo, 309 cv, a partir de US$ 26 mil) ficará com a maioria dos emplacamentos fora dos EUA, e o V6 3.7 (aspirado, 304 cv, US$ 24,4 mil) deve ser forte no mercado doméstico. Os preços são para os Mustang com carroceria cupê (ou fastback); os conversiveis ainda não foram cotados. O cliente pode escolher entre câmbio manual ou automático, sempre de seis marchas.   

AUSENTE
Apesar de seu meio século de história (completado em abril) e de um sem-número de citações na cultura pop, hoje o Mustang é bem menos presente nas ruas americanas do que a Ford gostaria. Nas avenidas e freeways da área metropolitana de Los Angeles (população: 18 milhões), em que 85% dos habitantes vão trabalhar de carro, o cupê ano-modelo 2014 é praticamente invisível; há muitas unidades do Mustang V6 conversível, mas a maioria pertence às locadoras de veículos.

Segundo a Ford, foram 9,2 milhões de unidades do Mustang vendidas em 50 anos (média de 184 mil/ano). No entanto, o carro passou da marca dos 100 mil emplacamentos anuais pela última vez em 2007 (e vale notar que a média é enviesada pelas exuberantes vendas entre 1965 e 1968). 

Os executivos Nair e Banker foram citados pelo jornal Detroit Free Press, que, como toda a mídia dos EUA, dirigiu o Mustang 2015 pela primeira vez na semana de 14 a 20 de setembro. UOL Carros vai testá-lo no próximo dia 24.

Viagem a convite da Ford do Brasil

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