Carros

Suzuki Swift, R$ 74.990 e 142 cv, quer ser o esportivo da marca

André Deliberato

Do UOL, em Mogi Guaçu (São Paulo)

28/08/2014 07h00

A Suzuki não quer mais ser vista apenas como importadora de veículos 4x4 no Brasil, de "jipinhos", embora esta seja uma de suas maiores virtudes: seus três modelos à venda no país, Jimny, SX4 e Grand Vitara, possuem este tipo de tração. Para variar, a fabricante japonesa lança nesta semana o Swift, hatch compacto com motor 1.6 de 142 cavalos, câmbio manual de seis marchas, visual e alguns elementos que flertam com esportividade e... tração dianteira.

Por aqui, o carro chega em duas versões de acabamento (Sport e Sport R), a partir de R$ 74.990. Veja valores e detalhes:

+ Swift Sport -- R$ 74.990
Entre os itens de segurança e acabamento, a versão de entrada traz de série freios com ABS (antitravamento), ESP (distribuição da força de frenagem) e BAS (sistema de frenagem de emergência); seis airbags (dianteiros, laterais, de joelho e de cortina); sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis nos bancos traseiros; botão de partida com chave presencial (sistema keyless); faróis bi-xenônio com lavador e limpador do facho; faróis de neblina; aerofólio traseiro; e ponteira dupla de escapamento em aço inoxidável. O pacote de conforto inclui abertura interna da tampa do tanque de combustível; ajuste automático da altura dos faróis; alarme; ar-condicionado digital (uma zona de resfriamento); direção elétrica; volante ajustável em altura e profundidade; rádio CD/MP3-Player com Bluetooth, Audiostreaming e entrada USB; vidros (nas quatro portas) e trava elétricos; bancos esportivos (o do motorista possui regulagem de altura e os traseiros são rebatíveis e bipartidos); computador de bordo; controlador/limitador de velocidade (piloto automático); e rodas de liga leve de 16 polegadas (com pneus 195/50 R16 da Yokohama).

+ Swift Sport R -- R$ 81.990
Adiciona ao pacote da versão anterior retrovisores externos com ajuste elétrico e pisca integrado (na cor grafite ou vermelho); logotipos da versão "R"; pintura especial de teto; sensor de estacionamento; capa do motor pintada de vermelho; e rodas de liga de 17 polegadas (205/45 R17) com pneus de maior aderência (Pirelli PZero), além de relações de marcha encurtadas na caixa de transmissão.

Opcionalmente, a marca ainda oferece à configuração topo um sistema multimídia com tela tátil colorida no console central, reprodutor de DVD, entrada para cartão mini-SD e navegador por GPS, por R$ 4 mil. Dessa forma, o Swift R "completaço" sai por R$ 85.990.

NOVA IMAGEM
O Swift chegou a ser vendido ao brasileiro durante os anos 1990, ainda com outras configurações de carroceria. Agora, quer conquistar clientes de Mini Cooper, Audi A1 e Citroën DS3, também compactos, mas turbinados no motor e no status. O carro que será vendido por aqui será importado do Japão -- mas também existe produção na Índia, Tailândia, Malásia e na Hungria.

"O Swift chega para mudar nossa imagem perante o consumidor brasileiro, que nos vê atualmente apenas como marca de veículos 4x4. Ele não será um carro de volume", afirmou a UOL Carros o presidente da Suzuki, Luiz Rosenfeld.

Produzido mundialmente desde 1983, o modelo já soma mais de 3,9 milhões de unidades vendidas ao longo destes 31 anos, em 146 países (com uma série de derivações, nomes diferentes e venda por marcas parceiras, diga-se).

Vídeo mostra Swift acelerando na pista; assista

DADOS TÉCNICOS
O motor é um quatro-cilindros transversal, a gasolina, de 1,6 litro, aspirado, com comando de válvulas variável na admissão (VVT), 142 cavalos e 17 kgfm de torque (a 4.400 rpm). O câmbio, ao menos por enquanto, é manual de seis marchas -- a marca estudou trazer uma caixa CVT, mas optou por ficar com a transmissão manual para ter uma pegada mais esportiva.

A suspensão dianteira é do tipo McPherson, enquanto a traseira possui um eixo deformável. Há discos de freio nas quatro rodas (ventilados na frente, sólidos atrás) e o carro recebeu nota máxima (cinco estrelas) nos testes de segurança do Euro NCAP.

São 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,51 m de altura e bons 2,43 m de entre-eixos, o que aumenta consideravelmente o espaço traseiro, mas sacrifica totalmente o porta-malas, que tem apenas 210 litros.

Seis opções de cores (vermelho, amarelo, branco, prata, cinza e azul) fazem a paleta, sendo que a configuração topo ainda dispõe de quatro combinações entre a cor da carroceria e do teto.

A distribuição para os concessionários (atualmente são 52 lojas da Suzuki no Brasil) inicia-se na semana que vem; as vendas começam no final de setembro. A meta almejada pela empresa é vender 100 carros/mês, mas a marca estima que esse número demore um pouco a chegar. Assim como os outros veículos da empresa, são três anos de garantia.

ESPORTIVO?
A Suzuki afirma que seu motor gera 142 cavalos, "suficientes" para os 1.065 quilos do carro. A empresa reforça a tese de esportividade dizendo que a relação peso/potência do Swift (7,5 kg/cv ou cada cavalo puxando apenas 7,5 kg) é melhor que a de Mini Cooper (141 cavalos, 1.160 kg: 8,2 kg/cv a R$ 89.950), Audi A1 (122 cavalos, 1.200 kg: 9,8 kg/cv a R$ 89.900) e Citroën DS3 (165 cavalos, 1240 kg: 7,5 kg/cv a R$ 86.990).

O que a marca japonesa não divulga aos clientes (nem divulgará por questões de marketing), mas é de extrema importância para quem dá trela a este conta, é o torque, que vem em abundância e em baixíssimas faixas de rotação em todos os rivais da categoria -- os chamados "pocket rockets", ou "foguetes de bolso" (na tradução direta) -- mas não no Swift, que não tem turbo-alimentação ou injeção direta de combustível.

Enquanto o Swift oferece 17 kgfm a 4.400 rpm, o Mini entrega 28,5 kgfm a 1.250 rpm; o A1 gera 20,4 kgfm a 1.500 giros; e o DS3 rende 26,5 kgfm a 1.400 rpm. Na prática, esses números significam que em uma arrancada o Swift come poeira de todos e só os recupera em velocidade final, algo impossível de se conseguir legalmente no Brasil.

Murilo Góes/UOL
Swift lembra modelos da Renault; teto de outra cor é exclusividade da versão R Imagem: Murilo Góes/UOL
ESPERTO
Isso não significa que o carro seja lento. UOL Carros acelerou o lançamento em um autódromo no interior de São Paulo e gostou: o Swift é um carro equilibrado dinamicamente, bem acabado e espaçoso, apesar do visual defasado.

Estilo que parece uma colcha de retalhos, aliás. Há elementos de Renault na frente e atrás, ao mesmo tempo em que é possível enxergar um Skoda Fabia -- modelo checo com projeto da Volkswagen -- de geração anterior.

O acabamento interno segue o "padrão japonês" -- você terá impressão de estar em um Nissan. É um elogio: tudo dentro do carro é bem encaixado e resolvido, ainda que não empolgue. Atrás, o espaço é bom para três pessoas, com boa área para pernas e cabeça de todos os ocupantes. Quem perde, como já dito, é o porta-malas.

O carro agrada em curvas, retomadas e frenagens e não demonstra cansaço (principalmente dos freios) mesmo após diversas voltas na pista -- o Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), possui mais de quatro quilômetros de extensão e é até homologado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Os bancos dianteiros seguram muito bem os ocupantes em contornos travados, como os do traçado.

Divertido de guiar, o Swift também consegue ser econômico. Em sexta marcha e velocidade de cruzeiro (120 km/h), o carro promete fazer até 22 km/litro de gasolina.

Apesar de suas virtudes, a rede pequena e a falta de tradição da Suzuki fora do 4x4 (aqui no Brasil, já que na Alemanha, por exemplo, o Swift é visto aos montes, principalmente na pista de Nürburgring) devem atrapalhar as vendas do carro. Afinal, clientes de "pocket rockets" não devem trocar Mini, A1 e DS3 por um carro menos ligeiro e de projeto mais antigo.

Solução? Talvez reduzir o preço, mudar o pacote criado para o Brasil e mirar em outra categoria (a de compactos premium, hoje composta por Ford Fiesta, Citroën C3 e Peugeot 208, entre outros).

Murilo Góes/UOL
Tudo bem feito, sem empolgar: padrão correto é assinatura japonesa Imagem: Murilo Góes/UOL

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