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Complicada em SP, inspeção veicular também é problema no Brasil e no mundo

Renato Stockler/Folhapress
Os 10% de veículos mais poluentes (geralmente antigos) poluem o mesmo que os demais 90%, mostra estudo. Inspeção precisa levar cálculo em consideração Imagem: Renato Stockler/Folhapress

Fernando Calmon

Colunista do UOL

26/08/2014 13h40Atualizada em 27/08/2014 21h18

As grandes cidades do mundo ainda terão de conviver com os problemas de emissões de sua frota circulante por muito tempo. Os parâmetros são difíceis de estabelecer entre o viável, técnica e economicamente, e as exigências de ambientalistas. Estes sempre querem metas exageradas, como se nenhum progresso tecnológico tivesse sido feito em décadas com resultado em nítida melhora da qualidade do ar.

Na edição 2014 do Seminário de Emissões, organizado em São Paulo (SP) pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), foram debatidas as novas regras da inspeção veicular na capital paulista, que está temporariamente suspensa e dificilmente será restabelecida ainda este ano. Atrasos nas concorrências devem adiar a reimplantação para 2015.

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Técnico realiza inspeção veicular em São Paulo, em 2013; vistoria está paralisada. Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Chamou atenção a fórmula escolhida para o ressurgimento do programa, já vigente em outras partes do mundo: veículos de até três anos estão dispensados; os de quatro a 10 anos deverão passar pelo processo de forma bienal.

Já os com mais de 10 anos serão avaliados anualmente, como continuam a fazer os veículos a diesel, em função do uso intensivo. Motocicletas seguem o cronograma dos carros.

Carros com placas de outros municípios, mas que circulam em São Paulo durante um terço do ano, também entram. 

Há uma falha, entretanto, na ausência de medições com motor em carga, quando rolos mecânicos simulam condições reais de uso.

Vale ressaltar: estudos experimentais apontaram que, só em São Paulo, os 10% de veículos mais poluentes (geralmente os mais antigos) emitem a mesma quantidade de gases que os demais 90%. O impacto ambiental seria extraordinário, portanto, se não houvesse evasão de boa parte desse pequeno grupo ao programa de inspeção veicular.

Proposta para inspeção veicular em SP

  • Carros com até 3 anos

    Dispensados.

  • De 4 a 10 anos

    Inspeção a cada dois anos.

  • Motocicletas

    Seguem o cronograma dos carros.

  • Com mais de 10 anos

    Inspeção anual.

  • Veículos a diesel

    Inspeção anual.

  • Com placas de outras cidades

    Farão inspeção se circularem durante um terço do ano em São Paulo (SP).

UM TESTE PARA TODOS
Discutiu-se também formas de melhorar os métodos de homologação de veículos novos e também a fiscalização daqueles que já rodam em nossas ruas, com o objetivo de reduzir ainda mais os índices de emissão da frota brasileira e paulistana.

Sobre o primeiro tema, uma das sugestões é harmonizar as regras antipoluição (Nota Verde) e de eficiência energética (redução de consumo) do programa Inovar-Auto. Atualmente, carros precisam passar por dois complexos e onerosos processos de homologação para ter os dois selos.

Oras: se um motor apresenta os menores índices de consumo, certamente também terá os menores de emissões. A ideia é dar automaticamente a Nota Verde aos modelos-cabeça já classificados como eficientes em consumo, dispensando uma segunda homologação.

Fabio Melo/ Folhapress
Outro tema debatido foi a adoção de um sistema que recupera os vapores de combustível em postos. Atualmente, frentistas estão constantemente expostos a componentes cancerígenos, como o benzeno Imagem: Fabio Melo/ Folhapress
Por outro lado, notou-se resistência de alguns grupos em adotar um sistema, a bordo do veículo, que recupera os vapores no abastecimento em postos, por causa dos custos. Quem é contra justifica que a menor reatividade do etanol -- utilizado em larga escala no Brasil, sozinho ou adicionado à gasolina -- na atmosfera já ajuda. Este controle, no entanto, beneficiaria frentistas expostos a concentrações de vapores de hidrocarbonetos cancerígenos, como o benzeno.

Especial atenção aos motores com injeção direta de gasolina. Sua capacidade de diminuir consumo e emissões, ao mesmo tempo em que aumenta potência e torque, vem acompanhada de maior liberação de material particulado. Ou seja: ao seu custo elevado deverá se somar um filtro similar aos utilizados em motores a diesel, porém mais simples e barato. Apenas o etanol está livre de particulados em sua combustão.

HÁ MUITO A SE APRENDER
Além da experiência de São Paulo (SP), que avançou nesse quesito em relação a 20 ou 30 anos atrás, mesmo com aumento considerável do número de veículos em suas ruas, há exemplos claros de que a convivência com a questão ainda afeta cidades grandes como Los Angeles (EUA) ou Paris (França).

Recentemente, um embate mais político do que técnico levou a um rodízio emergencial de 50% da frota na capital francesa, que acabou suspenso antes de afetar os 50% restantes no segundo dia.

Referências da OMS (Organização Mundial de Saúde) são, obviamente, rígidas e aceitas em países de alto poder aquisitivo e populações com idade avançada. Neles, médicos cumprem o papel de minimizar riscos e não precisam fazer contas.

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