Carros

Novo Ford Ka 1.0 parte de R$ 35.390 já com ar, direção elétrica e Bluetooth

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/07/2014 11h00Atualizada em 22/08/2014 20h18

O novo Ford Ka, segundo modelo global da Ford desenvolvido no Brasil (o primeiro foi o EcoSport), chega às lojas em setembro partindo de R$ 35.390 na versão SE, carroceria hatchback de quatro portas, dotado de motor bicombustível 1.0 de três cilindros que gera 85 cavalos (etanol). Com o fim do Ka antigo e do Fiesta Rocam (que ainda existe em estoques de revendas), o novo Ka passa a ser o carro de entrada da Ford.

Executivos acreditam que ele venderá, no mínimo, 10 mil unidades por mês.

A variação sedã, denominada Ka+, será apresentada somente em agosto. É certo que ela terá uma versão com o motor Sigma de 1,5 litro (o mesmo do New Fiesta); UOL Carros avalia que a Ford pode surpreender e, num segundo momento, usar o Sigma 1.6 e a transmissão automática Powershift no Ka+, aproveitando para encerrar a importação do New Fiesta Sedan.

Murilo Góes/UOL
Frente global da Ford é marcante no Ka; modelo será fabricado em Camaçari (BA) Imagem: Murilo Góes/UOL
Com a chegada do novo Ka, a montadora americana vai cumprir -- com folga -- a promessa de, até 2015, oferecer somente carros globais ao consumidor brasileiro. A principal vantagem disso é a sintonia com os mercados dos países desenvolvidos: o New Fiesta nacional é igual ao vendido nos Estados Unidos (ressalvando características específicas, como o motor flex), e deve seguir o mesmo calendário de atualizações. A Ford promete intervalo máximo de 18 meses para que reestilizações e novas gerações cheguem ao Brasil. Com o novo Ka, cujos demais mercados ainda não foram anunciados, acontecerá a mesma coisa.

O modelo mede 3,89 metros, e por isso a Ford descarta (ou finge descartar) que seus maiores rivais sejam Volkswagen up! (3,6 m) e Fiat Uno (3,77 m). Se a questão for faixa de preços, é claro que são. A opção seguinte na gama da marca é o New Fiesta hatch, com 3,97 m e preços começando em R$ 42.890 (versão S 1.5). Juntando as peças do que os executivos da marca mostraram numa recente apresentação à imprensa, o plano é usar o Ka para incomodar VW Gol, Fiat Palio, Hyundai HB20, Chevrolet Onix e Renault Sandero (todos com motor 1.0).

Por ora, a Ford oferece apenas três versões do novo Ka, mas com o tempo uma variação mais simples (denominada S, já existente sob encomenda para frotistas) e uma esportiva (com motor 1.5, talvez resgatando o nome Action de uma série 1.6 do Ka antigo) podem ser acrescentadas ao portfólio; o que está claro é que a marca americana não quer embaralhar os preços do novo modelo com os do New Fiesta, um sucesso de vendas e também de imagem.

Conheça as versões e seus conteúdos:

+ KA SE -- R$ 35.390
De série: ar-condicionado; direção elétrica; vidros elétricos dianteiros; travas elétricas com controle remoto; sistema My Connection Gen.3 com rádio AM/FM, USB e Bluetooth, com quatro alto-falantes; My Ford Dock (compartimento para smartphone); airbag duplo; freios com ABS/EBD (antitravamento e distribuição de força) e CBC (controle de frenagem em curvas); limpador e desembaçador traseiros; chave canivete; roda aro 14" com calota integral e pneus de baixo atrito (175/65); maçanetas e retrovisores na cor do veículo; 21 porta-objetos; indicador de troca de marcha; conta-giros; abertura elétrica do porta-malas (capacidade para 257 litros); e ajuste de altura da coluna de direção.

+ KA SE PLUS -- R$ 37.390
Acrescenta ao SE: vidros elétricos traseiros; SYNC Media System com AppLink, CD/MP3/USB, Bluetooth e comandos de voz em português; volante multifuncional.

+ KA SEL -- R$ 39.990
Acrescenta ao SE Plus: controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração (TCS); assistente de partida em rampas (HLA); rodas de liga leve de 15 polegadas com pneus de baixo atrito (195/55); luzes de neblina; computador de bordo; alarme volumétrico; ajuste de altura do banco do motorista; grade dianteira com aplique cromado; e lanternas traseiras escurecidas.

Murilo Góes/UOL
Traseira do novo Ka mostra que Gol, Onix e Sandero estão entre os alvos do novato Imagem: Murilo Góes/UOL
O motor é sempre o inédito 1.0L Fox TiVCT Flex, de três cilindros, aspirado, com variação do comando de válvulas na admissão e no escape. Ele entrega potência de 85/80 cv a 6.500 rpm (etanol/gasolina) e torque de 10,7/10,2 kgfm a 4.500/3.500 rpm (e/g); note-se que a força é um pouco menor com gasolina, mas seu pico chega 1.000 rpm antes do que com etanol no tanque. O sistema Easy Start, que em dias frios pré-aquece o etanol antes da injeção no cilindro, aposentou o tanquinho.

Há aspectos curiosos no projeto, como a correia banhada em óleo que dura até 240 mil km e a assimetria na montagem do motor, para compensar o número ímpar de cilindros e evitar excesso de vibrações. O câmbio é sempre manual, de cinco marchas, com embreagem hidráulica (leia-se, mais macia). O novo Ka já tem garantido o selo de eficiência energética do Inmetro, com nota A por ter cravado 8,9 km/l com etanol e 13 km/l com gasolina na cidade; e 10,4 km/l e 15,1 km/l (e/g) na estrada. A Ford jura que, quando o novo Ka for submetido aos testes de impacto do Latin NCAP, vai obter no mínimo quatro estrelas (de um máximo de cinco). Isso porque a plataforma é a mesma do New Fiesta, já aprovado pela instituição.

CORES E GARANTIA
A paleta do novo Ka oferece sete opções, três metálicas (dois pratas e um laranja igual ao do EcoSport) e quatro lisas (dois brancos, um deles meio creme; preto e vermelho). A ausência de cores instigantes e "jovens", como amarelo, variações de azul e vermelhos metálicos, é uma questão de demanda: custam caro e pouca gente quer, dizem os executivos. (Entre os acessórios oferecidos, há kits de adesivos para personalização.)

A Ford dá garantia total de três anos, combinada à assistência 24 horas pelo mesmo período. É um pacote mais equilibrado que o da concorrência (a Hyundai dá cinco anos de garantia, mas um de assistência; a Renault dá três e dois). A primeira revisão continua sendo aos seis meses, mas a partir da segunda (de 12 meses ou 10.000 km) passam a acontecer a cada 12 meses ou 10.000 km. Segundo a Ford, as quatro primeiras visitas à oficina vão custar R$ 1.664, economia de R$ 1.300 ante o protocolo anterior.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Uma apreciação externa do novo Ka não deixa dúvidas de que Gol, Onix e Sandero (este na nova geração, já conhecida globalmente desde 2012) estão mesmo entre seus adversários preferenciais. Visto por trás de certos ângulos, o Ka parece qualquer um desses três, e vice-versa. Tanto que a equipe de UOL Carros já circulou com um exemplar por São Paulo, em situação de trânsito intenso, e ninguém deu a menor bola. Devem ter achado que era um Gol (ou Onix, ou Sandero).

Obviamente, quando visto de frente o Ka não guarda qualquer semelhança com os rivais, mas toda com o restante da atual gama global da Ford -- resultado da grade trapezoidal e do conjunto óptico alongado pelos paralamas. O Ka é mais massudo e mais alto, mas até vendedor de autorizada vai chamá-lo de "New Fiestinha", podem apostar. (E isso não é algo ruim.)

A cabine do compacto é claramente a de um carro de entrada. Os plásticos são mais simples que os do New Fiesta, os insertos imitando metal são opacos, o conjunto de instrumentos -- discreto e funcional -- poderia estar numa fictícia nova geração do Rocam. Nem na versão SEL, de R$ 40 mil, há ajuste elétrico dos retrovisores (item vendido como acessório original).

Murilo Góes/UOL
Interior segue o padrão visual de New Fiesta e Focus, mas materiais são simples Imagem: Murilo Góes/UOL
Mas há muito o que elogiar. A posição de dirigir é soberba, com ponto H (cintura do motorista) elevado e a possibilidade de ajustar as alturas de assento e volante (no SEL). Os bancos acomodam o corpo melhor do que em modelos maiores, cansando menos em viagens longas. Todos os comandos estão ao alcance da mão. Quatro adultos viajam com espaço de sobra, inclusive para as cabeças.

UOL Carros foi criticado recentemente por fazer uma "lista de coisas inúteis do seu carro". Entre os itens dispensáveis estavam os porta-objetos -- e o novo Ka tem 21 deles, incluindo porta-copos e garrafas. Perdemos? Não! O carrinho da Ford dispõe de uma prateleira no console central (emborrachada na unidade que dirigimos) perfeita para acomodar smartphones de qualquer tamanho, sem risco de cair. E nossa crítica era, basicamente, a certos carros com 1 milhão de porta-objetos e zero porta-celular.

Os rivais do Ford Ka

  • Imagem: Divulgação
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    Chevrolet Onix

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
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    Fiat Palio

  • Imagem: Divulgação
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    Fiat Uno

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    Hyundai HB20

  • Imagem: Divulgação
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    Nissan New March

  • Imagem: Rodolfo Buhrer/La Imagem/Divulgação
    Rodolfo Buhrer/La Imagem/Divulgação
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    Renault Sandero

  • Imagem: Divulgação
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    Volkswagen Gol

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Volkswagen up!

Outra solução genial (não há palavra melhor) é o My Ford Dock, um nicho no alto do painel para fixar (mesmo) vários modelos de smartphone, conectando-os via cabo a uma entrada USB frontal (que funciona como carregador). O dispositivo pode ser usado como navegador por GPS (Waze, Google Maps, o que você preferir), com o Dock substituindo aquele suporte vagabundo que sempre solta ou quebra, só que sem soltar ou quebrar, e numa posição perfeita; ou então como tocador de música e até telefone, por Bluetooth. Tudo isso apenas na versão SE; a SEL vem de série com o SYNC, sistema interativo competente para simular e/ou apropriar-se das funções de um smartphone (mas que não é o "seu" smartphone, e que não tem navegação).

DIRIGINDO O NOVO CARRO
Com o Ka em movimento, não houve muitas surpresas. Trata-se de carro com motor 1.0 aspirado, do qual já é um grande feito extrair 85 cv e cerca de 10 kgfm de torque (com etanol). Para melhorar mais, só com turbocompressor (descartado, por ora, devido aos custos). Desenvolto no plano, o motor trabalha a 3.750 rpm para manter o novo Ka entre 120 e 130 km/h (a Ford dá como rotação-padrão os 3.350 giros a 100 km/h), e o ruído mais forte que se percebe é o do atrito com o ar, permitindo que se converse sem elevar a voz. Este é o mundo ideal do novo Ka.

Qualquer aclive, porém, o transforma em "Kazinho". No test-drive, foi comum precisar reduzir de quinta para terceira em trechos de estrada com leve inclinação; a perda de torque foi considerável. Depois, em algumas ladeiras de São Paulo, a escolha era entre baixar à primeira marcha ou "esgoelar" a segunda.

Não significa que o Ka seja um carro "fraco", mas (e isso é uma impressão, não uma verdade científica) o up! e o HB20, com seus motores também de 1 litro e três cilindros -- deixaram melhor lembrança em termos de performance. De resto, nada a questionar no comportamento dinâmico: o novo hatch da Ford é seguro nas curvas, possui acerto de suspensão e chassis que equilibra firmeza e conforto, além de um câmbio gostoso de operar, principalmente pela embreagem dócil.

PROMESSA CUMPRIDA
O primeiro contato com o novo Ka foi positivo. É um carro simpático, com a confiabilidade da arquitetura usada em modelos maiores e mais sofisticados (New Fiesta, EcoSport); a dirigibilidade típica de um compacto bem acertado; um ótimo conteúdo desde a versão mais básica, evitando o quebra-cabeça dos pacotes de opcionais; as limitações de um motor pequeno, em troca de eficiência energética para quem guiar com esse fim; e preços dentro do esperado (caros, como sempre).

Nosso primeiro contato com o HB20, no final de 2012, foi arrebatador: "Como assim, um compacto 1.0 tão bonito?" Em fevereiro deste ano, algo parecido aconteceu com o up! e sua proposta de Fusca do século 21: "Nossa, mas ele anda bem, é confortável..."

O novo Ka chegou depois e não causou impacto semelhante, talvez por ser um ponto dentro da curva do que se espera da Ford atual. Mas tem lá o seu charme e, apostamos, será um best-seller. Recompensa para a marca que cumpriu o prometido três anos atrás: melhorar os carros que oferece aos brasileiros.

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