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Inovar-Auto revigora CVT, câmbio para quem não gosta de dirigir

André Deliberato
Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/04/2014 20h21

Com velocidade nem tão morosa assim, o programa do governo Inovar-Auto começa a mudar o cenário do segmento automotivo brasileiro. Essa guinada resulta, inicialmente, no crescente número de lançamentos que mostram algum grau de preocupação com a redução de consumo de combustível. Para isso, é preciso mexer no peso do carro, no motor e/ou no câmbio. Uma tendência que ganha força é a adoção do câmbio CVT em modelos intermediários -- principalmente nos chamados compactos premium e em sedãs médios.

Em decadência até o começo desta década, o câmbio CVT ressurge agora por ser uma solução com melhor relação de custo/benefício para o fabricante. Pela regra do programa automotivo brasileiro, o emprego de novas tecnologias, a busca por eficiência e a nacionalização de carros e componentes são passos necessários para que as montadoras instaladas recebam incentivos e/ou redução de impostos como o IPI. Pouco adianta, porém, ter dedução em taxas e esgotar o orçamento no desenvolvimento local de uma avançada e enorme caixa automática de nove marchas ou de um complexo câmbio de dupla embreagem.

"O câmbio CVT tem o conforto do câmbio automático tradicional, mas consegue ser mais compacto e leve", explica o engenheiro Alfredo Guedes, da Honda. Como ser menor e menos complexo implica em ter custo de produção menor, a equação fecha para a montadora.

A vantagem é que, com a tecnologia atual, ser menor, mais leve e mais barato não significa ser menos eficiente -- pelo contrário. Como UOL Carros apurou, algumas marcas obtiveram resultados de testes mostrando vantagem de até 7% para o câmbio manual de cinco marchas, padrão entre compactos, e de dois dígitos em relação à transmissão automática de cinco marchas, comum entre sedãs médios.

Divulgação
Rodar suave e economia de combustível são caraterísticas do CVT atribuídas ao Fluence Imagem: Divulgação
MOTORISTA SOSSEGADO
Quem gosta mesmo de falar sobre carros já deve ter dito ou ouvido a frase "eu gosto de trocar as marchas por conta, no momento certo". A questão é que ela está em desuso: a população envelhece, o tráfego aumenta nas grandes e médias cidades e conforto a bordo do automóvel passa a ser uma exigência de cada vez mais pessoas. Sai o aficionado por carros, que gosta de cambiar a todo instante, entra o motorista eventual, que usa o carro por necessidade ou sequer gosta de guiar, mas preza pela comodidade e e vai fazer de tudo para não usar a alavanca da transmissão.

Este comportamento, concordam engenheiros e executivos, dá vantagem ao uso do câmbio CVT, que dispensa o motorista da troca de marchas e ainda elimina o tranco, em maior ou menor grau, de caixas automáticas e automatizadas de uma ou duas embreagens.

DA VINCI INVENTOU
Essa característica suave e econômica vem do modo de funcionamento do câmbio CVT. A sigla vem do termo em inglês para "transmissão de continuamente variável" (Continuously Variable Transmission). Consiste em um sistema de duas polias de tamanhos diferentes interligadas por correia metálica -- em vez de engrenagens com diferentes tamanhos conectadas a um eixo, como na transmissão automática.

O posicionamento de polias e correia, que define a transmissão de mais ou menos força do motor às rodas, é feito de modo suave, tantas vezes quanto necessárias (sem a limitação de número de engrenagens, que define o total de marchas de um câmbio padrão) e, por isso, tende-se a dizer que o sistema simula uma quantidade infinita de relações de marcha. Além disso, a ausência de trancos e a linearidade "sem fim" acabam ampliando a eficiência do sistema e a economia de combustível.

A ideia é antiga e, segundo estudos, foi elaborada por Leonardo da Vinci, em 1490. A primeira patente, porém, foi registrada em 1886.

Amplamente utilizado em pequenos veículos, scooters, karts e carros de golfe, o câmbio CVT migrou também para carros maiores e, por evitar a troca manual de marcha, acabou se tornando também um "automático" no jargão popular.

Tipos de transmissão automática

  • Automático comum

    É a transmissão automática mais comum e utilizada no Brasil. Tem conversor de torque, engrenagens para várias marchas (de quatro a nove relações) e não possui embreagem. Exemplos: Tiptronic (Volkswagen), GF6 (Chevrolet)

  • Continuamente variável (CVT)

    Sistema que não tem relações de marcha e pode simular quantidades infinitas de trocas/relações, já que funciona com sistema de polias de tamanhos diferentes em vez de engrenagens. Exemplos: X-tronic (Renault e Nissan), Multitronic (Audi)

  • Automatizado com uma embreagem

    Transmissão que possui embreagem (como nos carros manuais), mas que se utiliza de um sistema robotizado para as trocas de marcha. Exemplos: I-Motion (Volkswagen), Dualogic (Fiat), Easytronic (Chevrolet)

  • Automatizado com dupla embreagem

    Carrega o mesmo conceito da transmissão automatizada simples, que usa um sistema robotizado para engrenar as marchas em vez do pé do motorista, mas possui duas embreagens para aumentar a velocidade das trocas. Exemplos: DSG (Volkswagen), PDK (Porsche), Powershift (Ford)

QUEM ADOTOU
Em 2003, o Honda Fit de primeira geração foi o "rei do câmbio CVT" e angariou fãs que defendem seus predicados até os dias atuais. Com problemas de produção e a moda ditando o uso de câmbios automáticos ou automatizados, a segunda geração do modelo chegou em 2008 com transmissão automática. Agora, em sua terceira geração, o Fit volta a usar caixa CVT no modelo 2015, que será distribuído às lojas no final deste mês. Com preços revelados de R$ 49.900 (versão DX, manual) a 65.900 (EXL CVT), o novo Fit usará uma transmissão por polias com conversor de torque incorporado para aumentar a força nas saídas. Importada da da Ásia, é chamada Earth Dreams (mesmo nome da novíssima linha de motores, não disponível no Brasil) e vai custar R$ 4.600 quando comprada como opcional.

Murilo Góes/UOL
Toyota Corolla,Nissan Altima e Audi A4 (foto) também optam pelo CVT e emulam marchas que podem ser alternadas por borboletas no volante Imagem: Murilo Góes/UOL
A Toyota, também visando melhor eficiência energética, trocou o defasado câmbio automático de quatro marchas por uma caixa CVT inédita para a nova geração do Corolla, chamada pela marca de MultiDrive. Opcional para a versão GLi (com ele, o preço varia em R$ 4.470) e item de série de XEi (R$ 79.990) e Altis (R$ 92.990), o câmbio CVT da marca japonesa simula sete velocidades, com possibilidade de trocas por borboletas atrás do volante ou pela alavanca no console central.

Renault Fluence (preço inicial com CVT de R$ 69.899), Nissan Sentra (R$ 67.390 com CVT) e Nissan Altima (R$ 106.900), o crossover Mitsubishi ASX (R$ 92.990 na versão com o câmbio) e até mesmo o sedã premium alemão Audi A4 (R$ 131.130 pela versão com CVT e oito marchas emuladas) são exemplos de outros modelos de preços e segmentos diferentes utilizando a mesma tecnologia. Os dois primeiros, aliás, nunca deixaram de usar a transmissão, que é compartilhada dentro da aliança entre as montadoras. "O CVT é um câmbio moderno, que trabalha sempre na faixa de rotação ideal e melhora o consumo em até 7% em comparação ao câmbio manual e em mais de 20% em relação às transmissões automáticas convencionais", afirma Alexandre Clemes, gerente de marketing de produto da Nissan.

Com a modularidade das novas linhas e a necessidade de se adaptar às regras do jogo, o uso do CVT deve variar continuamente.

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