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Por estética, conforto e saúde, banco de couro vira item de carro popular

Murilo Góes/UOL
Versão Titanium do Ford New Fiesta já vem de série com os assentos revestidos em couro Imagem: Murilo Góes/UOL

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

25/03/2014 07h00

Foi-se o tempo em que banco de couro no carro era artigo de luxo no Brasil. Nos últimos anos, o item deixou de ser visto só em importados e modelos caros, ganhando os assentos de carros de entrada, como Volkswagen Gol e Fiat Uno, e compactos premium, como Ford New Fiesta.

Segundo o CICB (Centro das Indústrias e Curtumes do Brasil), o percentual de toda a produção brasileira de couro destinado ao setor automotivo já rompeu a faixa dos 6% em 2013, chegando a 40 mil toneladas, ou 2,8 milhões de peças. Para este ano, a expectativa é passar de 43 mil toneladas.

De série, ainda são poucos os veículos de entrada que trazem o revestimento em couro -- mas é possível solicitar a instalação nas próprias concessionárias, antes mesmo de retirar o carro zero, por preços que variam entre R$ 1.600 e R$ 2.500.

Para veículos usados, existem lojas independentes que fazem o revestimento integral (bancos e paineis das portas), com couro 100% natural, a partir de R$ 1.500. É o caso da Tapeçaria Alemão, que opera com cinco unidades em São Paulo (SP), e já ultrapassou a faixa de 100 clientes/mês só para esse tipo de serviço.

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    Uma boa tapeçaria automotiva deve possuir moldes dos mais variados tipos. Este funcionário da Domini Couros, por exemplo, está cortando as faixas para revestir um Peugeot 207.

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    Serviços também podem incluir alguns "mimos", como costura dupla com linhas vermelhas e bordados com os logotipos do modelo ou marca.

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    Para revestir os assentos, é preciso retirá-los do carro e fazer o acabamento a mão.

"A procura vem aumentando. Antes, era só carro de luxo, mas hoje a procura é para todos os tipos de modelo", aponta a gerente da Alemão, Ana Cristina Ribeiro. De acordo com a empresa, os carros populares já representam 36% da clientela, e o índice vem crescendo ano a ano.

As vantagens do couro são várias: o material é mais confortável, fácil de limpar, deixa o interior elegante, é mais resistente e difícil de manchar. Em contrapartida, demanda mais tempo para manutenção, oscila muito com o clima (sob o sol, esquenta muito mais rápido; no frio, também gela com mais facilidade) e pode gerar um atrito incômodo em contato direto com a pele.

ANTI-ESPIRROS
Há outro fator pró-couro: como são mais permeáveis e difíceis de higienizar, os assentos de tecido são mais propensos a virar "depósitos" de poeira e ácaros. Para quem sofre de alergias respiratórias, pode ser uma bomba. Nesse caso, a fácil limpeza do couro facilita a vida.

"Passar um paninho úmido diariamente já é o ideal", explica a diretora da Clínica de Alergia de São Paulo, Yara Mello. É claro que também dá para manter um banco de tecido bem higienizado, mas para isso será preciso fazer uso periódico de produtos acaricidas.

Por isso, os clientes alérgicos que procuram o estofamento em couro na Tapeçaria Alemão já são 20% do total. Entre essas pessoas está a analista financeira Suzana Rodrigues, 30 anos, que sofre de rinite desde a infância e, em julho do ano passado, pagou R$ 2.000 para revestir todos os assentos de seu Peugeot 206, ano 2008, com couro 100% natural.

"Minha médica pediu para eu trocar tudo o que podia juntar ácaro", conta. Recentemente, Suzana teve um filho e, para manter o padrão de higienização de seu carro, gastou mais R$ 350 em uma cadeirinha de bebê totalmente revestida em couro no banco de trás.

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    A analista financeira Suzana Rodrigues sofre de rinite alérgica e, para evitar as crises, pagou R$ 2.000 para trocar os bancos de tecido pelos de couro em seu Peugeot 206

COMO CONSERVAR
Ser mais fácil de higienizar não significa que o couro ficará limpo sozinho. Por isso, se quiser revestir o interior de seu automóvel com esse material, é preciso estar ciente de que a conservação dá trabalho, e que é fundamental para prolongar a durabilidade da capa.

"Tenho clientes que colocaram couro há mais de 10 anos e ele ainda se encontra em perfeito estado. Outros já o detonaram em apenas dois anos", relata Ana Cristina.

Além do pano úmido -- que, nos casos de pessoas sem alergia, pode ser aplicado semanalmente --, é preciso fazer a hidratação a cada seis meses, sempre com produtos à base de água. "Estamos falando de uma pele de animal, então é como a nossa pele", alerta Nei Domini, proprietário da Domini Couros, também de São Paulo.

Em sua loja, um kit com hidratante e pasta de glicerina sai por R$ 80. Se o dono do automóvel preferir que o serviço seja feito no próprio estabelecimento, vai gastar R$ 190. E nem pense em usar produtos derivados do petróleo: eles ressecam as fibras do couro e o deixam mais propenso a fissuras.

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    Nei Domini, da Domini Couros, exibe um rolo de 30 m² de curvim, que comprou por R$ 500, ao lado de uma peça de 4 m² de couro natural, que saiu por R$ 150. Por isso, enquanto o revestimento 100% natural não fica menos de R$ 1.500, o mesclado sai por R$ 1.200 e o totalmente sintético, por menos de R$ 1.000.

Caso seu banco já tenha sido rasgado, recomenda-se a troca das faixas afetadas, sem precisar substituir toda a capa. Mas, se o dono quiser manter o couro original e os danos estiverem em uma área onde não haja contato direto com o corpo humano (laterais e parte de trás dos assentos), dá para restaurar a pele com resina e pintura. Entretanto, é bem provável que o estofamento fique com cicatrizes.

PARECE, MAS NÃO É
Também estão ganhando espaço no mercado os materiais sintéticos, que emulam aparência e textura do produto natural, sem conterem qualquer parte da pele animal em sua composição. Alguns, como o curvim, são compostos por derivados do petróleo, enquanto outros utilizam borracha e são conhecidos como "ecológicos".
 
Para baratear custos, muitas fabricantes passaram a usar revestimento que mescla couro natural -- só nas partes que têm contato direto com o corpo -- a componentes sintéticos.

Funciona assim em modelos como Fiat Bravo e Punto, Ford Focus, Fusion e EcoSport, Volkswagen Fox Highline e Novo Golf. Em outros, a composição já é totalmente sintética, caso de Chevrolet Cruze e Sonic, e versões dos Volkswagen Gol, Voyage, Fox e up! (imagem abaixo).

Os vendedores independentes garantem que, se bem cuidado, o curvim pode durar quase tanto quanto o couro legítimo, com a vantagem de não precisar de hidratação. Já os donos de curtume respondem que esses materiais jamais apresentarão a mesma qualidade e vida útil do natural.
  • Murilo Góes/UOL

    Volkswagen up! tem assentos de couro sintético em suas versões de topo

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