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Filme do Oscar "antecipa" Aventador para 1985 e tem "banheiras" da época

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo

24/02/2014 20h32

Lançado nos cinemas do Brasil na última sexta-feira (21), "Clube de Compras Dallas" traz uma história forte, com bom roteiro, atuações convincentes e uma belíssima produção. Tanto que é um dos fortes concorrentes ao Oscar (seis indicações ao todo) e pode até ser considerado um dos filmes do ano. Mas UOL Carros notou um derrapagem automotiva na película dirigida pelo canadense Jean-Marc Vallée.

Ou então uma troca radical -- ainda que temporária -- de gênero, saindo por alguns instantes do drama baseado em fatos reais e seguindo para a ficção científica com toques de comédia. Quase um "De volta para o futuro": embora sua história se passe em 1985 no Estado americano do Texas (com algumas incursões por México e Japão), o filme acaba mostrando durante alguns instantes um Lamborghini Aventador, superesportivo europeu que só seria lançado 26 anos depois, em 2011.

"Clube de Compras Dallas" concorre ao Oscar de melhor filme e melhor edição, entre outras categorias, por contar a história de um paciente diagnosticado com Aids na década de 1980 (período em que o vírus HIV e a doença ainda eram pouquíssimo conhecidos, os medicamentos eram experimentais e nada acessíveis e o preconceito com os doentes ainda maior) e sua batalha para sobreviver ao prognóstico de que teria apenas 30 dias de vida, bem como tornar o tratamento acessível a quem quisesse pagar, a despeito de farmacêuticas e do governo.   

A cena em questão surge no meio do filme, que tem quase duas horas de duração. Um pôster na parede do quarto/escritório do protagonista Ron Woodroof (vivido por Matthew McConaughey) nunca aparece por inteiro, mas deixa ver ora a traseira, ora a frente recortada do Aventador. Outros pôsteres de revistas pornô e até uma capa de disco (do músico inglês Marc Bolan, da banda de glam rock T. Rex) preenchem o cenário de meados dos anos 1980 com propriedade. Mas quem é fissurado por carros já desistiu de toda a tomada.

DE VOLTA PARA O FUTURO

  • Divulgação

    Acima, o Aventador que "estrela" o filme. Cupê seria apresentado no Salão de Genebra apenas em 2011, como modelo 2012, 26 anos após a história de "Clube de Compras Dallas".

    Em 1985, momento histórico do filme, a Lamborghini produzia o Countach (abaixo), esportivo que seria uma espécie de avô do Aventador: ambos são V12 de dois lugares.

  • Divulgação

TEM MAIS
Esta é a derrapagem automotiva mais grave, mas não a única de "Clube de Compras Dallas". As outras, porém, são mais leves e até questionáveis. Críticos americanos apontam mais dois carros "antecipados" pelo filme.

Há um Saab 900 em versão conversível, modelo sueco que só seria importado ao mercado norte-americano entre as temporadas de 1987 e 88. Além dele, há um sedã Ford LTD Crown Victoria de 1988. Ambos, a exemplo do Aventador, são meros figurantes na história. E nenhum chama a atenção como o Lamborghini.

BANHEIRAS EM AÇÃO
Mesmo com os deslizes de produção, "Clube" é um deleite para quem aprecia carros em cena e gosta de ver as tradicionais "banheiras" americanas dos anos 1980. Há ícones do American way of driving rodando em diferentes estados de conservação durante toda a duração do filme.

O trio de gigantes americanas -- General Motors, Ford e Chrysler -- domina a ação, com diversos exemplares de suas marcas. O protagonista Ron Woodroof guia principalmente um Dodge Monaco 1974 verde malconservado. Eletricista, caubói nas horas vagas e machista homofóbico quase sempre, o personagem (que pode dar o Oscar de melhor ator a Matthew McConaughey) dirige também uma picape GMC C1500, antecessora da Chevrolet Silverado.

Outra picape a aparecer é, claro, a Ford F-150, líder entre todos os automóveis vendidos nos Estados Unidos.

Desfilam pela tela sedãs grandes com o Dodge Diplomat, caracterizado como carro de polícia, e o  Lincoln Town Car -- este, aliás, não era apenas grande, era enorme: o modelo da subsidiária de luxo da Ford tinha 5,56 metros de comprimento e 2,90 m de entre-eixos. Para comparar, o sedã Ford Fusion vendido atualmente nos Estados Unidos e no Brasil é 70 centímetros mais curto (4,86) e tem "apenas" 2,85 m de espaço interno.

Também icônico no cenário automotivo americano, o movimento do muscle car está representado por Ford Mustang, com aparição de um modelo conversível de 1972, e por um Pontiac Firebird mais antigo, de 1967.

E como o respeito pela diversidade é uma das mensagens da história, há até raridades mais ou menos classudas, como o Oldsmobile Cutlass S 1977 e o Ford Granada de 1981. Com ou sem deslizes, vale assistir!

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