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JAC lança T8, primeiro chinês acima de R$ 100 mil, como "van de luxo"

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

11/02/2014 21h22Atualizada em 11/02/2014 22h18

Enquanto não conclui a construção de sua fábrica em Camaçari (BA) -- a inauguração está prevista para o começo de 2015 --, a JAC Motors tem sua participação no mercado brasileiro limitada a 20 mil unidades importadas ao ano. Não dá para ir muito além da fatia de 0,45% do mercado do Brasil, cravada pela montadora chinesa em 2013 (15.980 veículos emplacados).

Se ainda não pode investir pesado no futuro compacto nacional, que será seu carro de volume, a fabricante começa a explorar segmentos alternativos, como o da maxivan T8 (conhecida como Refine em outros mercados). O modelo, que já tem 20 unidades espalhadas por algumas concessionárias e outras 40 chegando para iniciar as vendas, foi apresentado oficialmente a jornalistas nesta terça-feira (11), em São Paulo (SP).

O preço, R$ 114.990, é salgado e está acima daquilo que a própria fabricante havia previsto. Na verdade, o T8 é o primeiro veículo de passageiros chinês vendido no Brasil por mais de R$ 100 mil. Surpreso por ler que o responsável por romper a "barreira dos 100" é um utilitário, e não um sedã de luxo? Pois para a JAC o T8 pode, sim, ser considerado um veículo que alia as funções de uma van de teto alto às de um veículo bastante confortável.

O valor pedido pela JAC inclui praticamente todos os itens possíveis como de série -- apenas bancos de couro e DVDs para o banco de trás são opcionais. O pacote original conta com direção hidráulica, volante revestido em couro e com regulagem de altura, computador de bordo, DVD Player com entrada USB, rádio MP3, Bluetooth (chamado literalmente de "dente azul" no sistema multimídia do carro, traduzido do chinês para o português), teto solar, ar-condicionado duplo, assistente de estacionamento com câmera de ré, rodas aro 15 de liga de alumínio, freios com ABS (antibloqueio) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), vidros e travas elétricas, alarme e chave com destravamento remoto.

  • Modelo apresenta linhas agressivas na dianteira, com faróis angulosos e grade larga

Os assentos são um tema à parte, pois a promessa é oferecer um veículo que carregue sete pessoas, mais suas bagagens, sem qualquer aperto. Divididos num sistema 2-2-3, os bancos possuem ajuste elétrico de distância, altura e encosto de cabeça na primeira fileira, e são reclináveis em 180° e giratórios em 360° na do meio, o que permite aos ocupantes ficarem frente a frente com os da terceira. Na apresentação, a JAC exibiu vídeo em que atores simulam reunião de negócios com os bancos nessa configuração.

"Esse é o grande diferencial do T8. Todas as vans de transporte do Brasil são veículos de carga adaptados, mas o nosso já é voltado ao transporte de passageiros, com conforto similar encontrado somente em modelos da Europa", disse o presidente da marca, Sérgio Habib, referindo-se a concorrentes como Fiat Ducato, Peugeot Boxer, Mercedes Sprinter e Renault Master, todos na faixa dos R$ 90 mil.

Por isso, a intenção da JAC é atrair compradores de empresas como hotéis, companhias de turismo, locadoras, transporte de executivos e de luxo. Até a Copa do Mundo, a multinacional espera importar uma média de 150 unidades/mês, aumentando a carga para 300 no segundo semestre e fechando o primeiro ano com mais de mil unidades emplacadas.

COMO ELE É
O T8 é realmente grande, com 5,1 metros de comprimento, 1,97 m de altura, 1,84 m de largura e 3,08 m de entre-eixos. O peso é de 2.100 kg em ordem de marcha, na média de outros utilitários de tamanho similar, e o porta-malas comporta 1.310 litros -- capacidade que pode ser aumentada para 3.550 e 4.800 litros  se as duas últimas filas de assentos forem removidas.

Todo esse conjunto é empurrado por um motor 2.0 turbo com intercooler, tração traseira e quatro cilindros em linha, movido apenas a gasolina. A unidade é capaz de gerar potência de 175 cavalos, a 5.400 rpm, e 26,51 kgfm de torque, a 4.000 giros, com velocidade máxima de 175 km/h. O câmbio, manual, tem seis marchas.

  • Maior trunfo da T8 são os bancos intermediários giratórios em 360°; na prática, item oferece algumas dificuldades, já que não dá espaço para as pernas durante o movimento de rotação e não possui ponto em posição invertida para o cinto de segurança

 

Por fora, o T8 apresenta visual agradável, com faróis dianteiros angulosos, grade larga (proporcional ao porte do modelo) e projetores de luz de neblina discretos. Na cor branca (as outras disponíveis são preto e prata), a pintura emenda uma faixa preta que vai de um farol dianteiro ao outro, contornando todos os vidros laterais e traseiro. Já na parte de trás, os faróis são formados por uma interessante combinação de desenhos triangulares, deixando o modelo esteticamente mais aprazível do que seus principais adversários.

Na cabine, a JAC acertou ao dar um acabamento elegante, até com plásticos que emulam madeira. Tudo parece de muito bom gosto e deixa ótima impressão -- até a hora de se acomodar no veículo, dar a partida, engatar a primeira marcha e arrancar.

Em primeiro lugar, os bancos giratórios, apesar de muito confortáveis, não são lá tão ergonômicos quando se trata de sua função mais interessante: girar. Como são largos e a distância entre ambos é pequena, há pouco espaço para o movimento das pernas durante a rotação. Ademais, não há ponto para prender o cinto de segurança com os assentos virados a 180° (a montadora promete resolver esse problema). Isso significa que só dá para empreender a tal "reunião" do vídeo promocional de duas formas: ou com o veículo parado, ou transgredindo uma lei de trânsito.

Mesmo tendo amplo espaço para as pernas, os bancos de trás não são tão confortáveis quanto os demais e ficam apertados para comportar três adultos de tamanho médio. Ao mesmo tempo, o porta-malas é estreito, com pouco espaço para carregar objetos mais largos.

ACESSOS

  • JAC T8 possui uma porta de cada lado para entrar nos bancos de trás; peça é leve

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Em test-drive de cerca de 200 quilômetros, realizado entre São Paulo e Itu, no interior do Estado, o T8 também apresentou pouca estabilidade e muito menos conforto do que a fabricante diz: em lombadas e ondulações do perímetro urbano, a suspensão traseira com eixo rígido e molas helicoidais se mostrou demasiadamente dura, sem evitar envergadas perigosas em contornos mais rápidos. O sistema de câmbio também escancarou limitações, com engates duros.

  • Motor 2.0 turbo rende bem em rotações altas, mas demora a responder aos comandos de retomada; movido a gasolina, unidade produz uma quantidade muito alta de gases

Quando o carro passava dos 100 km/h nas estradas, o volante (que, aliás, estava completamente desalinhado) vibrava de forma excessiva e o T8 parecia "flutuar", dando sensação de pouca segurança ao condutor. O motor, cuja turbina apresenta um som bonito e suave, respondia bem em rotações mais altas, mas por vezes demorava a despejar o torque em retomadas, ao passo que o pedal dos freios demandavam pisadas generosas para responder de acordo.

Para completar, alguns detalhes de acabamento evidenciaram fragilidade, como uma haste da saída do ar condicionado que ficou torta com um toque leve, e um pedaço de tecido solto que aparecia toda vez que se fechava o forro do teto solar.

Ao fim da viagem, a sensação é de que, com o T8, a JAC faz um esforço hercúleo para mostrar que pode, sim, produzir um veículo completo e que agrade a consumidores de um nicho mais exigente. Mas, mesmo com alguns pontos muito positivos (os sistemas de ar-condicionado duplo e som com seis alto-falantes, por exemplo, são muito bons) e a inventividade da "sala de reunião", fica difícil desembolsar quase R$ 115 mil pelo modelo.

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